Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 13 de abril de 2014

Antologia Jovem Escritor de Teófilo Ottoni/MG (Contos) II

MALU GODOY TORRES ALVES PEREIRA
Ensino Médio da Escola Particular Pequeno Príncipe

Além de um sonho


Pedro tentou olhar a sua volta mas nada via, além de tudo queimado...

Será? – choramingava – será que o mundo foi todo mesmo por água abaixo?

Num instante Pedro começou a olhar a sua volta, árvores queimadas, bichos mortos com seus corpos jogados ao chão, o lago próximo a sua casa coberto por cinzas, o chão estava preto pela quantidade de material queimado. As plantas da cidade todas mortas carbonizadas...

Pedro chorava cada vez mais forte... Sua casa estava queimada, seu quarto com toda sua coleção de figurinhas. Tudo queimado. Incendiaram a floresta, incendiaram a cidade... Por um instante ele pensou em gritar e gritar e clamar por socorro, mas não seria possível, pois se ele estivesse mesmo sozinho ninguém o escutaria!

– E se eu nunca encontrar a mamãe e o papai? E os meus primos? Meus amigos? Quero o meu mundo de volta!

Num segundo ele pensou em vir correndo a sua escola e assim fez, correu e correu mas ao chegar lá viu tudo queimado, os livros, cadernos e não havia ninguém...

– Como pode todos terem me abandonado?

– Mamãe, papai, meus primos – o garoto saiu gritando pela vila!

Ao passar pela floresta viu o maior desastre da sua vida, a floresta simplesmente não era mais aquela linda floresta, a mata estava toda queimada.

Pedro chorou e gritou desesperadamente...

– Pedro, acorda – gritou sua mãe – você disse que descansaria depois do almoço, dormiu a tarde toda e agora está tendo um pesadelo, meu filho, o que está acontecendo? Eu e seu pai estamos ouvindo você chorar lá da sala...

– Mãe, eu sonhei que a nossa vila estava toda queimada, nossa casa, minha coleção de figurinhas, a escola e a floresta, mamãe.

– Calma meu filho, foi apenas um pesadelo, já passou!

– Não mamãe, preciso reunir os meus amigos e correr até lá, vamos percorrer toda a floresta e ver se encontramos alguma coisa.

Pedro correu na casa do seu vizinho Lucas, do seu primo Gabriel, do seu outro colega João e em meia hora juntou todos os seus amigos e contou–lhes o sonho!

Decididos, partiram para a floresta em busca de algo que talvez pudesse tornar o drástico sonho de Pedrinho em realidade!

Eles andaram e quando estavam quase desistindo de procurar, Gabriel gritou:

– Vejam... quem são eles? E o que eles estão tentando fazer com aquela tocha de fogo?

– Vamos ligar para os bombeiros, se eles começarem a queimar, o sonho do Pedro pode se tornar realidade – disse Lucas.

Ligaram correndo e denunciaram os homens aos bombeiros. Em menos de 10 minutos chegaram, pouco tempo depois a polícia chegou e capturou os dois criminosos. Junto a eles havia araras e micos presos em gaiolas. Eles roubariam os bichos e incendiariam a floresta para que assim não restasse nenhum vestígio de que eles estiveram por lá!

– Obrigado meninos – agradeceu um dos policiais.

– Devemos tudo isso ao pesadelo do Pedro – disse João.

Depois de tudo os meninos foram para casa de Pedro e resolveram escrever a história e divulgar pela vila para que assim as pessoas pudessem ajudar a vigiar e preservar cada vez mais o meio ambiente!

Pedro ficou conhecido como o guardião da floresta, o menino que se não fosse por ele não existiria mais a floresta que é a essência da vila.

Depois disso, todos juntos começaram a dar apoio e cuidar da floresta como nunca. Ela ganhou vários vigias e os animais o amor dos moradores que sempre estavam a brincar e cuidar deles.

Fonte:
3a. Antologia Jovem Escritor. Academia de Letras de Teófilo Ottoni.
Participação dos estudantes do ensino fundamental, médio e superior classificados no 3º Prêmio Jovem Escritor promovido, em 2013, pela Academia de Letras de Teófilo Otoni, União Estudantil de Teófilo Otoni e o Movimento Pró Rio Todos os Santos e Mucuri.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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