Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Itaú Cultural (Encontros Poéticos com Ferréz)

Encontros Poéticos com Ferréz
terça 8 de abril de 2014
às 20h
Sala Itaú Cultural – 249 lugares

[transmissão ao vivo, em áudio, pelo site]

A web-rádio do Itaú Cultural apresenta em abril a segunda edição de 2014 do Encontros Poéticos, programa apresentado pelo poeta Sérgio Vaz, um dos criadores da Cooperifa. No dia 8, às 20h, Vaz recebe o poeta e romancista Ferréz.

Nascido Reginaldo Ferreira da Silva, Ferréz lançou seu primeiro livro de poesias, Fortaleza da Desilusão, em 1997. Passou a publicar prosas de ficção em 2000, com Capão Pecado, e destacou-se com a antologia Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica (2005). Além de escritor, Ferréz também é fundador do grupo 1DaSul, possui um quadro no programa Manos e Minas da TV Cultura e integra o time de debatedores do Programa Piloto, exibido pela TV Carta, da revista Carta Capital.

O Encontros Poéticos tem uma hora de duração e pode ser acompanhado no instituto ou, em transmissão ao vivo, pelo site. A cada terça-feira do mês, Sérgio Vaz, com a intenção de valorizar a palavra e a poesia, convida músicos, poetas, produtores e artistas em geral para um bate-papo.

O apresentador Sérgio Vaz é autor dos livros Colecionador de Pedras e Antropofagia Periférica. Na aba Vídeos, assista à sua entrevista para o Jogo de Ideias, em que fala do processo de criação da Cooperifa, sobre sua formação e seus objetivos. Confira também a mesa de debates Palavras das Ruas, da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), da qual Vaz foi mediador, e o espetáculo Pedras Não Falam Mas Quebram Vidraças, realizado por ele e por Ferréz para o AuTORES EM CENA.

Encontros Poéticos com Ferréz
terça 8 de abril de 2014
às 20h
Sala Itaú Cultural – 249 lugares

[transmissão ao vivo, em áudio, pelo site]

Entrada franca – ingressos distribuídos com meia hora de antecedência
[classificação indicativa: 12 anos]

Fonte:
Itaú Cultural, por e-mail

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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