Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Jangada de Versos do Ceará (Francisco Pessoa)

Francisco José Pessoa de Andrade Reis
Fortaleza/CE (1949)

-
DE PESSOA PRA PESSOA

Poesia é um sonho e, se sonhado,
Sobre nuvens volutas, pictóricas,
Rédeas soltas sem bridas, metafóricas,
Faz do poeta um ser místico e alado.
Quem o lê, leia certo ou leia errado,
Sempre os versos encontram o seu intento…
Lamentar cada um com seu lamento,
E sorrir cada um com seu sorriso,
Coração de poeta é sem juízo
E a razão de fingir é seu talento!

QUAL DAS CARNES?

Ó meu amigo Garcia
És professor renomado
Que fala um tanto pausado
Na tristeza e na alegria
Tua voz mansa irradia
Uma paz de dó a dó
Responda qual a mió
Para a gente encher o bucho
Se o churrasco do gaúcho
Ou a carne de Caicó.

(Décima feita ao Prof. Garcia, de Caicó/RN)

CADA PASSO É MAIS UM SONHO
AO LONGO DO CAMINHAR


Esteja alegre ou tristonho
O poeta enxerga a vida
Tal a terra prometida…
Cada passo é mais um sonho.
Chega ao destino risonho,
Pelo prazer de rimar
E antes mesmo de apear
Em pensamentos, imerso,
Olha pra trás, vê seu verso
Ao longo do caminhar.

Usei todos os atalhos
Que encontrei pelo caminho,
Fiz de quando em quando um ninho,
Fiz de estrelas agasalhos.
Os meus cabelos grisalhos
Tingidos pelo luar,
Retratam bem meu andar…
Embora um tanto tardonho,
Cada passo é mais um sonho
Ao longo do caminhar.


NO MEU LAR SOU EU QUEM MANDA
QUANDO A PATROA VIAJA!

 

Sou chefe até do meu chefe
Sou o grito que calou
Se você pensa quem sou
Me beije e lhe dou tabefe.
No carteado sou blefe
Dentre as cobras sou a naja,
Quer me ver doido? Reaja…
Mais brabo que urso panda,
No meu lar sou eu quem manda
Quando a patroa viaja!


AO POETA LUCIANO MAIA
 

Poeta, és parto do teu Jaguaribe
Artéria viva do sertão d’antanho
Tão seco ou cheio, do mesmo tamanho,
És liberdade plena que proíbe
O negar da verdade, diatribe,
Pois tua voz, poeta, em tom brejeiro,
Vem das vazantes do teu Limoeiro,
Vem do frescor do vento Aracati,
Que lá do Olimpo esbarra em nós aqui,
E à noitinha passa tão faceiro.

PALHAÇO

A vida se nos faz meros palhaços…
Sorriso solto num choro prendido,
Querer que é dado nunca agradecido
Saltar ao vento sem pisar os passos.
Tragar o fumo dos prazeres baços
Embebedar-se tanto pra esquecer,
Sentir-se ser alguém, mesmo sem ser,
No picadeiro, o aplauso, a falsa glória,
Imagem tão real quanto ilusória
Pranto da morte rindo pra viver!

Fonte:
REIS, Francisco José Pessoa de Andrade. Isso é coisa do Pessoa, em prosa e verso. Fortaleza: Tipografia Íris, 2013.
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A Jangada de Versos do Ceará já teve publicados anteriormente:

ANTONIO GIRÃO BARROSO Araripe (1914 – 1990) Fortaleza
ARTUR EDUARDO BENEVIDES – Pacatuba (1923)ARY ALBUQUERQUE Fortaleza (1934)
BATISTA DE LIMA Lavras da Mangabeira (1949)
CÂNDIDO ROLIM Várzea Alegre
CARLYLE DE FIGUEIREDO MARTINS Fortaleza (1899 – 1986)
CÉSAR LEAL (Francisco César Leal) Saboeiro (1924 – 2013) Recife/PE
DIMAS MACEDO Lavras de Mangabeira (1956)
DOM HELDER CÂMARA (Helder Pessoa Câmara) Fortaleza (1909 – 1999) Recife
EDUARDO PRAGMACIO DE LAVOR TELLES FILHO Fortaleza (1969)
FILGUEIRAS LIMA (Antonio Filgueiras Lima) Lavras da Mangabeira  (1909 – 1965)
FLORIANO MARTINS Fortaleza (1957)
HORÁCIO DÍDIMO PEREIRA BARBOSA VIEIRA Fortaleza (1935)
JOSÉALBANO (José d'Abreu Albano) (Fortaleza 1882-1923)
JOSÉ LINHARES FILHO (Lavras da Mangabeira , 1939)
LEONTINO FILHO Aracati (1961)

MÁRCIA THEÓPHILO – Fortaleza/CE (1940)
MAVIGNIER DE CASTRO (Antonio Mavignier de Castro) (1895 - 1972)
MYRIA DO EGITO (Fortaleza)
NATÉRCIA ROCHA (Natercia Carmen de Sales Rocha) Fortaleza, (1971)
NILTO MACIEL Baturité (1945)
NIRTON VENÂNCIO  – Crateús (1955)
QUINTINO CUNHA (José Quintino da Cunha) – Itapajé  (1875 -1943) Fortaleza
RACHEL DE QUEIROZ -  Fortaleza (1910 – 2003)
SOARES FEITOSA (Francisco José Soares Feitosa) Ipu (1944)
VIRNA TEIXEIRA Fortaleza (1971)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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