Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 6 de abril de 2014

Helenice Sardenberg (Poemas Escolhidos)

Helenice é de Niterói/RJ

ARTE

Arte é conversar com a vida
Escutar os anjos
Não esconder as emoções
Deixar-se levar pela paixão

Arte é não duvidar do amor
É crer que o impossível é possível
Que a natureza é sábia
E que dela surge o inusitado, o imponderável

Arte é fazer da vida poesia
Espraiar-se em versos
Estrofes
Com rimas, sem rimas

Arte é brincar com prosa
É brindar-se em risos
É contagiar-se de alegria
É se deixar levar...

BAILARINA

Sola de sapato,
meia arrastão,
luva no bolso,
gravata no chão,
pura loucura...
Só confusão!
Eu bailarina,
você cafetão!
Vamos à festa?
Mais confusão!
Você me vigia, controla, assedia...
Quero bagunça, dança, alegria...
Você me esvazia, não me sacia...
Eu, bailarina, dançando sozinha...
No meio da rua,
olhando pra lua,
no meio do mundo,
é só solidão!

BRINDO A VIDA

Brindo a vida, mais que tudo
Brindo o amor, sua plenitude
Busco na realidade
A concretização dos sonhos
E sonho com novas possibilidades
Brindo as memórias
Que me constituíram
Brindo a lua, o sol
As forças da natureza
Entendo as dificuldades cotidianas
Supero-as acreditando no amanhã
Vislumbro novos amanheceres

ESSÊNCIA

Me descubro um ser sensível
Em eterno estado de apaixonamento
Desabrochando em emoções
Me descubro um ser capaz
De ver além da aparência
Desvelando suavemente a essência
A coisa em si
Que se esconde e que se revela
Às vezes escapa
E nada nunca é demais…

Amor de outono
Amor de outono
Amor que acarinha
Que coloca no colo
Que aconchega
E que de mansinho
Aquece o coração

AMOR DE OUTONO

Amor que escuta
Que entende os silêncios
Que devolve com palavras
Afeto e emoção

Amor de outono
Amor pleno de poesia
Que se espraia devagarinho
Preenchendo toda e qualquer lacuna
Que exista no coração

Amor de outono
Amor sábio
Que celebra
Que se desenrola
Se desenvolve
Pronto pra próxima estação

NAVEGANDO

Navego em seu corpo
Mergulho nos seus sonhos
Viajo em seus beijos
É tanto desejo
Sou feliz por tê-lo comigo
Sentindo o seu hálito banhado em frescor
Suas mãos percorrendo suavemente meu rosto
Sorriso que se revela
Olhares secretos
Repletos de segredos
Confidências
Juras e promessas de amor
Navego em seu corpo
Há a magia do encontro
Sou toda sua
Sem medo
Encontro de almas
Contato sublime
Eterno apaixonamento
Momento sagrado
Só nós dois: amor!

PROMESSA

Da terra seca e árida brota o amor
A lua inconteste reflete o desejo dos amantes
Corações densos de paixão
Busca intensa pelo prazer
Esperança no amanhã

Os amantes choram, pois há plenitude
Suas lágrimas são como gotas de chuva
Incessantes, lavam a alma
Limpam o terreno aberto à sedução
Extrapolam o limite do agora, amor-paixão!

PALAVRAS

Palavras ditas
Não ditas
Malditas
Palavras que se debruçam em minha garganta
Palavras silenciadas
Sofridas
Gritos
Sussurros
Feridas
Quero curá-las
Quero vencê-las!

NA ESQUINA

Na esquina
Na dobra
Na curva
Perímetro urbano
Limites do coração
Enganado, enganando a si próprio
Mundano
Coração desarrumado
Que faz pirraça
E que deixa espraiar a melancolia
Coração que se perdeu
Na curva
Na dobra
Na esquina

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4648186

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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