Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 21 de abril de 2012

Ubiratan Lustosa (Livro de Trovas)

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Quando eu a vejo sorrindo
fico contente porque
foi esse sorriso lindo
que me fez amar você.

Saudade é flor venenosa
que tem perfume no espinho;
acaricia zelosa
pra nos matar de mansinho.

Aonde vou vai comigo
tua imagem me seguindo
a me lembrar que onde sigo
teu amor também vai indo.

Amor com amor se paga,
diz o refrão a ensinar,
mas tem gente que se gaba
de dever e não pagar.

Enfrente a vida sorrindo,
e sem ter medo de grito;
não ouça leão rugindo
quando é berro de cabrito.

Bonaparte, previdente,
dizia em sábias propostas:
“Prefiro um leão de frente
do que vento pelas costas”.

Aplauso não me faz falta,
a boa amizade sim;
vai-se a glória da ribalta,
a amizade fica em mim.

Peço a Deus Onipotente:
- Meus amigos abençoa!
Só posso viver contente
ao ver todos numa boa.

Passa o tempo e nas andanças
a gente segue também;
do tempo ficam lembranças,
da gente o que fez de bem.

De vez em quando me invade
uma ideia que tonteia:
é sair pela cidade
dando tapa em gente feia.

É ditado popular:
“A ocasião faz o ladrão”.
Você resolveu provar
e roubou meu coração.

Quando a noite vai chegando
em minha casa já espero
só pra ver passar gritando
um bando de quero-quero.

Cuidado você que ensaia
seu par de botas achar:
amor que nasce na praia
na areia vai desmanchar.

É coisa da mocidade
cometer um desatino;
depois, na adversidade,
bota a culpa no destino.

Perante Deus, acredito
no que por santo foi dito:
“Faz muito aquele que faz
o pouco de que é capaz”.

Quisera que meu presente
de Natal fosse a mudança:
deter o que vem pra frente
e voltar a ser criança.

Ano Novo, vida nova,
diz o dito popular.
A esperança se renova
e a gente volta a sonhar.

Existe tanta ternura
nas festas de fim de ano,
que a gente, com alma pura,
esquece até o desengano.

Já fui caçador, fui caça,
fui peixe, fui pescador.
Fiz o que dizem “não faça”
só pra sentir o sabor.

Subi morros por pirraça,
rolei ladeiras de dor,
do perigo achando graça
mergulhei no mar do amor.

O amor mudou minha sina
de teimoso valentão;
a meiguice feminina
me escravizou na paixão.

Esse é destino do macho
que numa saia faz ninho:
o mandão vira capacho,
o tigre vira gatinho.

Fonte:
Vânia Ennes

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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