sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Caio Porfírio Carneiro (O Anel)


Não conseguia expor bem o tema, que pedia detalhes seguidos, porque ela, sentada lá no meio do público, fazia-lhe sinais continuados. Irritava-se e os membros da mesa pediam silêncio e atenção.

Palestra terminada, quis saber quem era aquela moça jovem, bonita, que o
atrapalhava. Ela, porém, se antecipou. Subiu os poucos degraus, postou-se diante da mesa:

- Preciso falar com o senhor.

Todos curiosos. E ele se mostrou aborrecido:

- Quem é você?

- O senhor não sabe quem sou eu. Mas eu sei quem é de fato o senhor.

Encarou-a, levantou-se:

- Fale baixo. O que você quer?

- Quero lhe dizer só duas palavras e lhe dar um presente.

- Presente? Depois.

- Agora. É rapidinho. Pode ser ali no canto.

O silêncio e a curiosidade aumentavam entre os assistentes próximos. O público procurava se aproximar para cumprimentá-lo.

Ele resolveu-se, contrariado:

- Com este povo todo... Está bem. Um minuto só.

Dirigiram-se para perto do cortinato, atrás da mesa. Suspirou:

- E então, moça, o que deseja?

- O senhor conheceu, anos atrás, uma moça e lhe deu de presente um anel, lembra-se?

- Faz tempo.

- O senhor a engravidou e desapareceu, não foi?

- Como é?

Ela mostrou-lhe o anel:

- Antes de morrer ela me deu o anel de presente. Até mandou lhe avisar que estava muito doente e o senhor nem sinal. Pois está aqui o anel. Está reconhecendo? Vim devolvê-lo. Sou filha dela. Filha daquela gravidez.

Ele gaguejava:

- Quer dizer... quer dizer...

- O senhor sabe o que quer dizer.

Jogou no bolso dele o anel:

- Dê de presente a outra moça. O senhor ainda tem idade para recebê-lo de volta anos depois. Parabéns pela palestra. O senhor é muito famoso.

Ele tentou segurá-la:

- Volte aqui.

Ela se foi apressada e perdeu-se no meio do povo que ainda procurava cortejá-lo.

Ele voltou à mesa e sentou-se calado. Uma voz sussurrou-lhe:

- O que ela lhe disse? Está sentindo alguma coisa?

Ele suspirou, dedos tamborilando de leve na mesa. A outra mão, fria, acariciava o anel no bolso. A voz insistiu:

Está indisposto?

- Não, não. Quero só um copo d’água.

SP., 22/05/2009.Ribeirão Preto – Hotel Stream – às 7:40 da manhã.

Fonte:
http://caioporfiriocarneiro.blogspot.com/

Nilto Maciel (O Copo Azul do Menino Caio)


Havia dias não conseguia ler nada, não por mandriice ou fastio das letras, mas por obra de um vírus não-letal, que me deixou quase cego. E cadê tua Maria Kodama? – perguntarão os desconfiados. Para não lhes dar resposta indecorosa, dou um passo adiante.

O primeiro livro lido por mim após o arremetimento do pequeno ser é de meu amigo Caio Porfírio Carneiro. Não um amigo do peito, porque pouco nos vimos, sobretudo porque moramos em cidades bem distantes uma de outra. Ele sempre em São Paulo (“sempre” é exagero de linguagem), para onde se mudou em 1955. Naquele ano eu não o conhecia ainda, como não conhecia nenhum escritor, a não ser os dos livros célebres, como José de Alencar, Machado de Assis, Alexandre Herculano, todos mortos antes do meu nascimento. Enquanto Caio morava na maior metrópole brasileira, eu sobrevivia em Baturité (até 1961), depois em Fortaleza e Brasília. E nunca o via, embora lesse seus livros. Lia por sabê-lo escritor de alta linhagem, além de ser meu conterrâneo. Vi-o pela vez primeira numa tarde do início do século XXI, em Fortaleza, para onde voltei em 2002. Apresentou-mo (ora, eu já o conhecia dos livros, desde os anos 1970) o jovem Pedro Salgueiro, que conhece de perto quase todos os grandes escritores brasileiros nascidos no século XX. Frequenta ou frequentava casas e escritórios – onde toma ou tomava chá, come ou comia biscoito, cochila ou cochilava nos sofás – de nomes eminentes como Dalton Trevisan, José J.Veiga e Rachel de Queiroz. E eu me encantei com Caio, sua prosa nervosa e galopante. Sua simplicidade, sua simpatia. Recebe jovens e velhos sem pedantice, em todo o tempo a brincar.

Toda essa digressão poderá parecer enfadonha ao leitor. É que quero deixar de lado a pretensão de ser crítico literário. Ou escrevinhadeiro de resenhas ou comentários. Serei apenas um cronista que lê (desculpem-me os cronistas se os ofendo, eu que nem consigo escrever crônica) e se serve das leituras para rabiscar frases engatadas a frases.

E aqui começa de fato a crônica da leitura do novo livro de Caio. O título é simpático, embora simples: O copo azul (Scortecci, São Paulo, 2009). Pequenos contos, de uma a cinco páginas. De tão curtos, são poucos os narradores ou protagonistas com nomes explícitos. Mas não é por serem concisos que os nomes são omitidos. É porque Caio escreve alegorias, parábolas, como em “O ponto”. Caio escreve metáforas. É um filósofo. Quando há nomes, como Maria Viviane, o nome não é do narrador ou do personagem central. Maria Viviane é apenas uma lápide.

Alguns desses contos se aproximam perigosamente da nova tendência do chamado “realismo urbano” e destoam do conjunto, como “E daí” e “Capuz”. (Outros escritores muito conhecidos têm se perdido nessas ruelas, como Dalton Trevisan.) Outros relatos de Caio se abeiram da brincadeira literária, como “Pois é”, construído à maneira de peças teatrais. “A travessia” segue esta linha. O melhor do livro está no pintar a alma do homem, perdidos em si mesmos. Seres angustiados, desiludidos (ou ainda iludidos) com sonhos, amores, novidades. Homens velhos à procura do passado. Ou de mulheres que somem, desaparecem, se esfumam nas ruas.

E o que dizer da linguagem, sempre esmerada, tratada com cuidado de ourives, como se cada frase surgisse após longo alisamento manual, como o fazem os artesãos de pequenas peças de barro? Dedicação de artista, de escultor, de apaixonado pela própria obra. Quem escreve com raiva, ódio, vontade de ferir, maltratar, não alcança a arte. Mas falar disso não cabe aqui, pois muito já foi dito a respeito do que seja arte.

Caio Porfírio Carneiro escreve com arte. Até quando brinca, ele brincalhão por natureza, quase menino ainda aos 80 anos. Escreve certo por linhas retas, sem parecer jornalista. Sua linguagem é clara, como se conduzisse o leitor, lado a lado, em conversa franca, por caminhos estreitos ou largos, sob sol forte ou chuva. Ou ao luar. Não quer enganar o leitor, levá-lo a atalhos que vão dar em abismos. Não se embrenha pelos cipoais ou pela caatinga. Não é um regionalista típico. Também não é discípulo cego dos antigos. Caio é Caio. Pra todo tipo de leitor.

Fortaleza, 15 de agosto de 2009.

Fonte:
http://www.niltomaciel.net.br/node/205

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 7)


Trova do Dia

Se acaso seu filho abusa,
diga-lhe um “não”, que faz bem.
Muita vez uma recusa
salva o futuro de alguém.
A.A. DE ASSIS/PR

Trova Potiguar

Chuvas de estrelas cadentes,
luzindo em toda amplidão,
emergem, sonhos latentes,
secretos, no coração.
FABIANO WANDERLEY/RN

Uma Trova Premiada

2006 > Fortaleza/CE
Tema > RUA

A noite, pela cidade...
coração triste e alma nua,
eu sempre encontro a saudade
me procurando na rua!
ROBERTO RESENDE VILELA/MG

Uma Trova de Ademar

Traz alentos, novas vidas,
muda a cor da plantação;
a chuva sara as feridas
que a seca faz no sertão.
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram

Janela, a bem da verdade,
teu ranger, esse chiado,
são gemidos de saudade
na voz rouca do passado.
ERNESTO TAVARES DE SOUZA/SP

Uma Poesia livre

Jeanette De Cnop/PR
SEGREDO

Foram docemente intermináveis
os momentos em que seu rosto querido
repousou sobre meu peito...
Extasiada,
eu me ausentei tão longamente
de mim mesma,
habitando,
enquanto isso,
algum espaço inimaginável
- provavelmente a morada
da tal felicidade -,
que eu só queria muito
saber agora
o que foi que meu coração
segredou ao seu ouvido!

Estrofe do Dia

Ao sol sair eu senti
O frescor da madrugada
O riacho em enxurrada
Leva meus sonhos a ti
O canto da juriti
Anuncia o novo dia
Meu sertão é alegria
Este lar que Deus me deu
Hoje o dia amanheceu
Com cheiro de poesia.
PETRONILO FILHO/PB

Soneto do Dia

Dorothy Jansson Moretti/SP
T E M P O

O tempo apaga um sonho já desfeito
na aridez de uma vida mal traçada,
uma paixão que se evolou do peito
como essência do frasco evaporada.

Tudo finda, como água já passada
que não retorna nunca mais ao leito:
do tempo que se foi não resta nada,
é verbo no pretérito perfeito.

Mas no incontido caminhar dos anos,
paciente, a transportar os desenganos,
ele ameniza o nosso sofrimento.

Lava que esfria e se transforma em rocha,
se algum desgosto ainda nos arrocha,
o tempo é o óleo bom... do esquecimento.

Fonte:
O Autor

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Gustavo Dourado (Cordel para Fernando Pessoa)

Pintura de João Beja
Pessoa enigmático:
No dia 13 nasceu...
Lisboa, mês de junho:
Sua mãe o concebeu...
Ano 1888:
O fato assim se deu...

Pessoa heteronímico:
Em Lisboa renasceu...
Ano 1888:
O fato assim sucedeu...
Fernando Antônio Nogueira Pessoa:
Germinou e floresceu...

Fernando Pessoa é:
Poeta-mor de Portugal...
A 13 de julho fluiu:
É poeta magistral...
Poeta que frui magia:
Vate quintessencial...

Na terra dos navegantes:
Registrou-se o surgimento...
De um dos maiores poetas:
Que se tem conhecimento...
O grande Fernando Pessoa:
Vanguarda do pensamento...

Na Igreja dos Mártires:
Foi Fernando, batizado...
No dia 21 de julho:
O vate foi consagrado...
Dentro do Cristianismo:
Logo foi Iniciado...

Joaquim e Maria Magdalena:
Foram os seus genitores...
Fernando ainda menino:
Padeceu algumas dores...
Aos cinco anos de idade:
Conheceu os dissabores...

Joaquim Seabra Pessoa:
Era o nome do seu pai...
Ano 1893:
O genitor se esvai...
Foi visitar outras plagas:
Chega o dia a alma vai...

Fernando Pessoa, infante:
Perde o seu pai Joaquim...
A tristeza o atormenta:
Parece que é o fim...
O Chevalier de Pás:
Heteronímia, enfim...

Foi-se o pai de Pessoa:
E deixou muita saudade...
O poeta bem criança:
Deus asas à liberdade...
O Chevalier de Pás:
A sua alma invade...

A mãe Maria Magdalena:
Contrai novo casamento...
Une-se a João Miguel Rosa:
Renova o sentimento...
Vai residir em Durban:
É a vida em movimento...

Ao sete anos Pessoa:
O Atlântico navegou...
Vai para a África do Sul:
Um novo tempo começou...
Contato com a língua inglesa:
O poeta se transfigurou...

Depois da morte de Joaquim:
A mãe casou novamente...
Durban na África do Sul:
O poeta segue em frente...
Estudos e poesia:
Literatura na mente...

Ano 1895:
Flui o poeta ligeiro...
Para a sua amada mãe:
Faz o seu verso primeiro...
A poesia jorra nalma:
De um poeta verdadeiro...

Era 26 de julho:
Poeta na dianteira...
A poesia de Pessoa:
Tranbordou-se por inteira...
Ofereceu a sua mãe:
Dona Maria Nogueira...

"À minha querida mamã":
É sua poesia primeira...
Escrita em forma de quadra:
Inspiração verdadeira...
Pessoa tornou-se vate:
Deu início à carreira...

Convento de West Street:
E depois na High School...
A Universidade do Cabo:
Numinoso como um sol...
Prêmio Rainha Vitória:
Uma conquista de escol...

Cursa o Secundário:
Desperta o escritor...
Na Universidade do Cabo:
Desvela novo pendor...
Tem poesia na alma:
Essência de criador...

Por muitos influenciado:
Camões, Shakespeare e Byron...
Baudelaire, Homero, Keats:
Mallarmé, Goethe e Milton...
Dante, Shelley, Poe e Pope:
Cesário Verde e Tennyson...

Poetas de língua inglesa:
Pessoa bastante leu...
Poe, MIlton, Byron, Shelley:
Pesquisou, leu e releu...
Retornou a Portugal:
Um novo homem nasceu...

No Curso Superior de Letras:
Pessoa é matriculado...
Por pouco tempo estuda:
Na carreira de letrado...
Dexou o curso no começo:
Tendo-o abandonado...

Disseca os bons sermões:
Do Padre Antônio Vieira...
Jesuíta erudito:
Sapiência brasileira...
Que viveu na Boa Terra:
Quase a sua vida inteira...

Depois de estudar Vieira:
Cesário Verde buscou...
Adentrou em sua obra:
Muito leu e pesquisou...
Foi grande a influência:
Que Cesário lhe passou...

Tradutor de cartas comerciais:
Dáva-lhe vital sustento...
Em cafés, na boemia:
Extravasava o talento...
No Brasileira do Chiado:
Revelava o pensamento...

Ano 1912:
Mário de Sá-Carneiro...
Conhecimento, amizade:
Criação o dia inteiro...
Elo da Literatura:
Luminoso candeeiro...

Grande amizade com Mário:
Diálogo e poesia...
Revista Orpheu e luzes:
Transcendência e magia...
Mário, Almada e Luís:
Além da Ontologia...

Revista Orpheu, um marco:
Modernismo em Portugal....
Crítica e admiração:
No ambiente cultural...
Antinous and 35 Sonnets:
Em inglês bem literal...

Anos de obscuridade:
Ocultismo e magia...
Revistas, poemas, ensaios:
Estudos de astrologia...
Cabala, esoterismo:
Quintessência dalchemia...

O Guardador de Rebanhos:
Versos de Alberto Caeiro...
Álvaro de Campos criou:
Um universo inteiro...
Ricardo Reis na poesia:
Foi farol e candeeiro...

Cria Bernardo Soares,
O Livro do Desassossego...
Pessoa sempre desperto:
Poesia...o seu emprego
Criou vários heterônimos:
O verso era seu apego...

Caeiro sem misticismo:
Tinha lógica, coerência...
De expressão natural:
Simplicidade na essência...
Um poeta camponês:
Em busca da consciência...

Ricardo Reis erudito:
Era semi-helenista...
Valores tradicionais:
Jesuíta, latinista...
Do Porto para o Brasil:
Médico...Mitologista...

Álvaro de Campos de Tavira:
Foi poeta simbolista...
Estudou engenharia:
Fez poética futurista...
Viviu a desilusão:
Amargura, pessimista...

Pessoa no Cancioneiro:
Auto psico grafia...
Métrica, Rima, Lírica:
Fluente simbologia...
Mensagem do pensamento:
Sentimento da poesia...

A mensagem de Pessoa:
Saudade e Messianismo...
A missão de Portugal:
Poesia e misticismo...
TerraMar e Quinto Império:
Língua...Sebastianismo...

Ano 1934:
Surge o livro Mensagem...
Com dinheiro emprestado:
Sobrevivia à margem...
Prêmio Antero de Quental:
Revelou-se a linguagem...

Mensagem em português:
Flui sebastianismo...
Epopéia portuguesa:
Místico nacionalismo...
Mar português:Brasão
Encoberto messianismo...

Mistérios em sua obra:
In.coerência...Ilusão...
Sonhos e passividade...
Dúvida e hesitação...
Temor do Dês.conhecido:
A busca da trans.mutação...

Ano 1935:
A morte o arrebatou...
Cirrose hepática letal:
O poeta nos deixou...
Foi-se para o além-mundo:
Bela Mensagem ficou...

Fernando Pessoa não teve:
Em vida o reconhecimento....
Nos trouxe a modernidade:
E a luz do pensamento...
Dois livros publicados, vivo:
Pouco, para o seu talento...

O sistema é tirano:
Não gosta de poesia...
Ultraja, mata, oprime:
Reprime a rebeldia:
Só quer saber de dinheiro:
De lucro e de mais valia...

Fernando Pessoa, múltiplo:
Poeta da heteronímia...
Plural personalidade:
Metafórica metonímia...
Muitos nele habitava:
Para além da pantonímia...

Alberto Ricardo Álvaro Bernardo:
Fernando Antônio conhecido...
Pessoa poeta do Ser:
É bom tê-lo sempre lido...
"Saudação a Walt Whitman":
Naarca do desconhecido...

Ode de Coelho Pacheco
"Para Além Doutro Oceano",
Antônio Mora, pagão:
Malouco...Um tanto insano...
No manicômio de Cascais:
Um delírio sobrehumano...

Pluralidade em Pessoa:
Mágica diversidade...
Paganismo...Astrologia:
Panacéia...Novidade...
Poiesis...Cosmologia:
Ás da multiplicidade...

Até um Barão de Teive:
Há na obra pessoana...
Mitos e cosmovisão:
Sob a máscara humana...
Signos da natureza:
Imaginação...Persona...

Objeto psicanalítico:
Metafísica...Quintessência...
Antíteses e Alchemia:
Graal da clarividência:
Onipresença do Ser:
Luzes da onisciência...

Fingir...Teatralizar:
Dramatizar a poesia...
Inexistir...Encadear:
A verve da fantasia...
"Bicarbonato de Soda:
Ecos da philosofia...

Atlântico...Tejo...Portugal:
Mar revolto...Calmaria...
Para além do Bojador:
Navega-a-dor da poesia...
Pessoa transborda o verso:
Autopsicografia...

Pessoa eternizou-se:
É patrimônio mundial...
Poesia de infinitude
Luminar de Portugal...
Navegador do Ser:
Poeta universal...

Fonte:
Portal Vânia Diniz

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 6)

Trova Potiguar Mais do que fadas e mitos, num cenário encantador, tenho sonhos tão bonitos, que viram lendas de amor! JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN Uma Trova Premiada 2010 > Curitiba/PR Tema > PIJAMA > M/H Celular ao pé do ouvido, nem ouve se alguém o chama, de tal modo distraído... vai trabalhar de pijama! VANDA FAGUNDES QUEIROZ/PR Uma Trova de Ademar Os devaneios sem fim e felizes que eu vivo a esmo são produzidos por mim para enganar a mim mesmo... ADEMAR MACEDO/RN ...E Suas Trovas Ficaram Nós somos tão um do outro, que fico, às vezes, pensando que em nossos abraços loucos sou eu que estou me abraçando! ADRIANO CARLOS/RJ Uma Poesia livre Lúcia Helena Pereira/RN DÓI Dói bem dentro de mim Uma ausência querida De um calor já distante Afagos negados E sussurros. Dói bem dentro de mim Essa dor tão pungente Reabrindo feridas Machucando pancadas E magoando esperanças. Dói bem dentro de mim Esse grito calado Despertando angústias E medos sem fim. Dói bem dentro de mim Essa dor excitante Gestos contidos Mãos que se omitem Às carícias completas De um amor tão complexo! Estrofe do Dia Quero o tempo de menino Eu, fazendeiro afamado, Tinha o rebanho formado Pelos bois de Vitalino. A calça boca de sino Pelo São João, mamãe fez Eu parecia um francês Mesmo todo amatutado. Quero voltar ao passado Pra ser criança outra vez. WELLINGTON VICENTE/PE Soneto do Dia Francisco Macedo/RN MINHA LUA DE MEL. Soberana no céu, ela flutua, inspirando o poeta em seu clarão... - se “Nova”, ele a vê com o coração, - se “Cheia” o meu amor, se perpetua! Seja “Quarto Minguante”, minha Lua, seja “Quarto Crescente”, de paixão! Minha Lua que vai à imensidão, conduz este poeta pela rua. A Lua poetisa, tão mulher! Se apodera de mim, sempre que quer... Aceito na maior cumplicidade! Contemplando teu céu, te vejo calma, deixo nascer os versos dentro d’alma. - Nossa Lua de Mel... Felicidade! Fonte: O Autor

José Feldman (Simplesmente Sentindo)


Quando sentir o vento tocar seus ouvidos,
sou eu
sussurrando o meu amor por você.

Quando sentir as gotas da chuva sobre seu rosto,
são as minhas lágrimas
que te encharcam com meu amor.

Quando sentir o calor de um dia de verão,
imagine que é o meu corpo
te abraçando e
te dando o calor de meu coração.

Quando olhar pela janela de seu quarto e vir as estrelas piscando,
são meus olhos
que piscam aos milhares
as palavras
“Eu te amo!”

Quando passear pelo parque e vir uma árvore,
abrace-a e feche os olhos,
estará abraçando a mim,
meu corpo, meu coração
junto a si.

E se olhar para o alto desta árvore
ouça o farfalhar das folhas
É minha voz dizendo:
Eu sou teu para todo o sempre,
Volta para mim!

Fonte da Imagem =

Ana Paula Maia e Paulo Sandrini (O Futuro do Mercado Editorial)



Ana Paula Maia (1977)

Nasceu em 1977, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Publicou seu primeiro romance, O habitante das falhas subterrâneas, aos 26 anos (2003) pela 7 Letras, editora que sempre deu espaço para jovens escritores. Depois investiu no universo que já domina, o da internet, e lançou Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (aqui), em 2006, que agora em 2009 saiu impresso pela editora Record.

Com uma prosa que procura escrutinar a violência social, Ana Paula vem conquistando espaço no meio literário. Está em algumas antologias de novos talentos da ficção brasileira, entre elas 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira / organização Luiz Rufatto (editora Record, 2004); Todas as guerras - Volume 1 (Tempos modernos) / Org. Nelson de Oliveira – (editora Bertrand Brasil, 2009); 90-00 - Cuentos brasileños contemporáneos / org. Nelson de Oliveira e Maria Alzira Brum – (Peru) - 2009
Seu blog é: http://www.killing-travis.blogspot.com/

Paulo Sandrini (1971)

Paulo Sandrini nasceu em março de 1971, em Vera Cruz, São Paulo. Vive em Curitiba desde 1994. É Designer gráfico, mestre e doutorando em Estudos Literários [UFPR], autor de O estranho hábito de dormir em pé [2003], Códice d’incríveis objetos & histórias de lebensraum [2005], ambos de contos, e Osculum obscenum [2008], novela. Participou das coletâneas Contos cruéis, as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea [2006], 15 cuentos brasileros/15 contos brasileiros [Argentina, 2007], 90-00 Cuentos brasileños contemporáneos [Peru, 2009] e Futuro Presente [2009]. Ministrante de oficinas de criação literária desde 2007. Editor da Kafka Edições. Mantém o blog http://paulosandrini.blogspot.com/.

Vicência Jaguaribe (Lançamento de Dois Livros: infantil e adulto)


BRINCANDO NO RITMO DA POESIA

Vicência Jaguaribe publica pela Editora Protexto (Curitiba) livro de poemas infantis, intitulado Brincando no ritmo da poesia. A obra reúne 33 poemas que misturam a realidade atual com as recordações de tempos idos. A autora revisita a fábula A Cigarra e a Formiga; brinca com os sons e o ritmo em A menina na roda; leva as crianças a penetrar Na terra do faz-de-conta; conta a história do galo Faraó, em Cocoricócócócócócó!!! ; solta Os meninos na chuva e liberta o pássaro prisioneiro, em O passarinho foi embora:

O passarinho foi embora

O passarinho acordou
Quando o galo cantou.
Esticou as asas
E também bocejou.
Soltou um trinado
Para a dona da casa.
Mas como haviam deixado
Aberta a gaiola
O passarinho frajola
Disse addio!
Good-bye!
Adiós!
Adieu!
Adeus! Mariolas,
Estou indo embora.

O livro é bem ilustrado, diverte e sensibiliza. Preço: R$30,00.
Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br
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ANCORAGEM EM PORTO ABERTO

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Ancoragem em porto aberto é um livro de contos (adultos), da contista Vicência Jaguaribe, publicado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. São 36 pequenas narrativas que resgatam lembranças e histórias ouvidas, fatos dos tempos passados e dos tempos atuais. Mas a invenção recobre o espectro do real, de modo que os contos, como toda obra de ficção, não podem ser tomados como a representação do real empírico. O título do livro remete à ideia de que a vida não é um porto seguro, e viver implica ficar à mercê das intempéries — dos ventos e das marés. Afinal, a vida é a protagonista subjacente a todas as histórias.

Preço: R$25,00.
Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

José Feldman (Descoberta)


Hoje eu descobri que ser uma pessoa boa não é um dom, mas uma maldição.

Hoje eu descobri que não importa o quanto você queira se dar a alguém, este alguém tem medo desse dar, e foge.

Hoje eu descobri que a felicidade só é perfeita quando somos dois, pensando como um só, mas as pessoas tem medo de repartir.

Hoje eu descobri que não importa que existam milhões de momentos felizes, se houver um que provoque mágoa, ele é muito maior que estes milhões.

Hoje eu descobri que contos de fadas, são apenas contos de fadas, e o “foram felizes para sempre” só existe em livros, pura ficção.

Hoje eu senti o que é você obter glórias além de seus sonhos, e não ter com quem dividir.

Hoje eu descobri que estas glórias são apenas grãos de areia que o vento espalha, e se perdem no ar.

Hoje eu descobri que quando um coração se parte, ele sangra sem parar.

Hoje eu descobri que um novo amanhecer tão lindamente cantado não existe, e dias e noites são um só.

Hoje eu descobri que a bondade não leva a nada e nem traz nada, somente dor.

Hoje eu descobri que quando se ama, não importa o sacrifício que se faça, sempre poderá haver uma segunda chance. O amor é se dar.

Hoje eu descobri que a amei e o amor é tão presente hoje como quando eu a amei pela primeira vez.

Hoje eu descobri que a felicidade é ilusão, quando se está sozinho e não se tem com quem dividir.

Hoje eu descobri que as pessoas vêm e vão, e a única coisa que é fiel a vida inteira é a dor, é a saudade, é o sofrimento.

Gislaine Canales (Livro de Trovas)


A minha vida é uma Trova,
trova de ilusão perdida,
pois a vida é grande prova,
que prova a Trova da vida!

A minha vida é um romance,
pois sonhando sou feliz...
Eu deixo que o vento trance
os sonhos que eu sempre quis!

A mistura de mil cores
e toda a luz do universo,
mais o perfume das flores,
desejo pôr no meu verso!

A noite recebe a tarde
num momento de magia...
No pôr-do-sol, o céu arde
e tudo vira poesia!

A paz mundial é utopia
dizem uns...Não é verdade,
se buscarmos na Poesia
as armas da Humanidade!

A saudade da saudade,
varreu, de mim, a alegria,
levando a felicidade
que eu pensava que existia!

As eternas madrugadas
me encontram sempre a chorar.
A vida, cheia de nadas,
não me deixa mais sonhar!

A vida é renovação,
(é amor, é sonho e alegria),
é feita só de emoção,
recomeça a cada dia!

Cada livro é uma vitória
na memória de um País,
pois nos diz de sua glória
e é, da história, a geratriz!

Canto as estrelas nos versos,
com minha alma apaixonada...
Vou acendendo Universos...
"Criando luzes...do nada!"

É contrastante a ironia,
nesta verdade contida:
lindo o entardecer do dia,
triste o entardecer da vida!

É de ternura o momento
em que o Sol sorri do espaço,
se faz vida e sentimento
e lança ao mar seu abraço!

Em meu coração alterno
as estações...todo o dia,
tornando, assim, meu inverno,
lindo verão de poesia!

"Enganam-se os ditadores"
que pensam poder tirar
do mundo, nós, trovadores
e o nosso jeito de amar!

Era noite e a escuridão
pensou que raiava o dia,
ao sentir com emoção
a luz da tua poesia!

Eu prossigo o meu caminho,
procurando um grande amor,
que me envolva com carinho
e me aqueça com calor!

Eu quero poder cantar
meus versos aos quatro cantos,
talvez possa transformar
em risos, todos os prantos.

Eu tenho um sonho bonito:
Caminhar por sobre as águas
e ao chegar ao infinito,
esquecer todas as mágoas!

Hoje estou triste, alquebrada,
sem amor, sem alegria,
mas prossigo a caminhada...
Amanhã é um novo dia!

Lutemos pela conquista
da paz mundial no universo,
numa guerra pacifista,
usando as armas do verso!

Me envolve com mil abraços,
com mil beijos de afeição,
esse mar, de doces braços
com seus lábios de paixão!

Meu interior é risonho,
e posso a todos dizer
"que trago um mundo de sonho"
no meu modo de viver!

Meus lábios apaixonados
bebem o orvalho dos teus,
desses teus lábios molhados,
que sonham com os lábios meus!

Meu verso é meu companheiro
no cenário da ilusão
e o universo, imenso, inteiro,
se torna pequeno, então!

Não lembro de ti, passado,
pois, consegui te esquecer,
agora, só tenho ao lado
os sonhos que vou viver!

Nosso romance de amor
começou bem diferente...
Foi nosso Computador
que aproximou mais a gente!

Nosso romance virtual
é tão doce e verdadeiro
que se torna o mais real
romance, do mundo inteiro!

Novo tempo, nova história,
nova era, novo amor!
Antiga, só a memória
que, aos poucos, perde o valor!

Numa oração, com carinho,
eu peço a SAN VALENTIN:
Coloque no meu caminho
um amor real pra mim!

Nunca mais fiquei sozinha,
pois na Internet eu namoro,
e essa solidão que eu tinha
não mora mais onde eu moro!

O amor é pura magia
e a ternura da emoção
traduz-se nessa alegria
plantada no coração!

O mar é o mais doce amante
pois não cansa de beijar,
num lirismo alucinante,
toda a praia que encontrar!

O prazo que nós tivemos
para o nosso amor viver,
foi pouco. Nos esquecemos
antes do prazo vencer!

O sol dourado se espraia
tão lindo.com seu calor,
por toda a areia da praia
em doces beijos de amor!

Quando existe amor sincero
é forte a emoção que traz,
e ele mostrará, austero,
a grande força da paz!

Que a paz mundial, que sonhamos,
não seja mera utopia...
Para alcançá-la, vivamos
com muito amor cada dia!

Quero cantar pelo espaço
e, nas estrelas, rever
todas as trovas que eu faço.
Trova é prece em meu viver!

Realizando utopias
meu coração quer amar,
no crepúsculo dos dias
da minha vida a findar!

Sendo a vida embriagante
devemos vivê-la bem.
"Há sempre um mágico instante,"
há sempre um mágico alguém!

Sinto as mãos da solidão
num carinho de verdade,
trazendo ao meu coração,
das tuas mãos, a saudade!

"Somos os dois um só mundo",
somos um só, na verdade,
e esse nosso amor profundo,
é mais que amor, é amizade!

Sou feliz ao relembrar
que realizei meu desejo...
Como foi bom te beijar!
Como foi bom o teu beijo!

Sou tão triste e tão sozinha,
que o eco do meu lamento,
desta saudade tão minha,
escuto na voz do vento!

Sozinhas nas madrugadas,
donas do mundo e da lua,
nossas mãos entrelaçadas
seguem juntas pela rua!

"Teu beijo pela Internet"
traz amor, traz alegria,
é sempre a melhor manchete
acarinhando o meu dia!

"Tua idade não importa,"
se feliz quiseres ser,
pois ao amor, não comporta
ter idade pra nascer!

Tudo é tão encantador,
nosso amor é tão bonito,
"que, em cada noite de amor"
ultrapasso o infinito!

Um mundo melhor...queria,
para deixar aos meus netos,
onde imperasse a alegria
numa transfusão de afetos!

Vem amor, vamos embora,
de mãos dadas pelo mundo,
"vamos viver vida afora,"
esse nosso amor profundo!

Vivemos juntos, mas sós,
nossa solidão somada,
fez de ti, de mim, de nós,
a soma triste do nada!

Vou vivendo meus agoras,
entre sonhos e utopias,
vou transformando em auroras
"as minhas noites vazias."

Fonte:
http://gislainecanales.com.br/trovas.html

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 5)


Trova do Dia

Não te peço, Deus amigo,
igual multiplicação:
basta o milagre do trigo,
que a gente o transforma em pão!
ARLINDO TADEU HAGEN/MG

Trova Potiguar

Poeta, não perca o encanto,
que o seu verso, noite e dia,
guarda o riso sobre o manto
da mais singela alegria!
MARA MELINNI/RN

Uma Trova Premiada

Quem quer fugir de um suplício
e, no abismo, não se joga,
diz NÃO à droga do vício
que torna a vida uma droga!
MARIA NASCIMENTO/RJ

Uma Trova de Ademar

A chuva é para o sertão
como se fosse um troféu.
Deus abre com um trovão
a caixa d’água do céu!
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram

Com o sonho e a fantasia
levar a vida normal,
nem chega a ser utopia,
para o poeta é normal
MIGUEL RUSSOWSKY/SC

Uma Poesia livre

Jania Souza/RN
AMOR PERDIÇÃO.

Minh’alma em fogaréu
é um grito de amor
eco em meus fartos seios
úmidos de pranto clamor.
Só calo meu desvario
no céu que é tua boca
unção à minha perdição.

Estrofe do Dia

No ano de estiagem
O sol é incandescente
Não tem torres no nascente
Chuva parece miragem.
Na época da invernagem
Quando se ouve um trovão
Parece anunciação
Dessas que ninguém aceita,
Um arco íris se deita
Na paisagem do sertão.
DAMIÃO METAMORFOSE/RN

Soneto do Dia

Gilson Faustino Maia/RJ
MADRUGADA.

Naquela inesquecível madrugada,
quando o amor era rima principal
de um poema envolvente, sensual,
escrito a dois na sala envidraçada,

a lua espionava enciumada,
a cena de um fascínio sem igual.
Não era apenas um amor carnal,
também de uma ternura inusitada.

As rendas cor da paz daquela blusa
as minhas mãos tentavam afastar
dos frutos da paixão que a minha musa

queria, a contra gosto, resguardar.
E eu via em seu olhar, não a recusa,
mas um desejo enorme de se dar.

Fonte:
O Autor

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Trova 176 - José Feldman (PR)

Nei Garcez (Livro de Trovas)

Abarcar a transcendência
entre Deus e a Criação,
mesmo com toda ciência,
foge à nossa compreensão.

Amizades que são boas,
e atitudes tão singelas,
é gostarmos das pessoas
bem assim como são elas.

A nossa fisionomia
revelada no facial,
de tristeza ou de alegria,
é um idioma universal!

As pessoas nunca morrem,
simplesmente elas encantam,
vivem sempre, e nos socorrem
com as obras que aqui plantam.

Borboletas não persigo,
eu cuido do meu jardim.
Só assim delas consigo
que venham atrás de mim.

Cantagalo se enaltece
pelo filho que nos deu,
cuja história até enriquece
“Os Sertões” que ele escreveu.
(TEMA: EUCLIDES DA CUNHA)

Com a trova se diz tudo
em fração de oito segundos,
e seus temas, sobretudo,
são precisos e fecundos.

Desta vida eu devo o brilho
por você ter me ensinado.
Hoje, pai, com o meu filho,
sou você no meu passado.

Escrever é um simples conto,
que não é grande epopéia:
maiúscula, mais o ponto,
e no meio, só a idéia!

Luiz Otavio, no infinito,
em sua estrada já traçada,
nos ensina quão bonito
é uma trova declamada!

Na escalada de um edifício,
num mergulho mais profundo,
seu trabalho é um sacrifício
pra salvar vidas no mundo.
(DIA DO BOMBEIRO)

Neste mundo, eu vivo aqui,
é meu pai, meu grande amigo;
das lições que eu aprendi
tua imagem vem comigo!

No calor do ensinamento
você sempre esteve certo.
Hoje, o arrependimento...
Você não está por perto!

Nossas feridas externas
curam-se rapidamente,
mas as da alma, internas,
demoram dentro da gente.

O arquiteto e o engenheiro
vivem guerra contumaz,
pois quem cria é o primeiro,
e o segundo é quem faz.

O direito nos ensina
o equilíbrio que ele deu:
o teu direito termina
bem onde começa o meu.

O melhor amigo, em tudo,
de atitude sempre pronta,
nos quer bem, e não é mudo:
nossos erros nos aponta.

O namoro é uma viagem
que nos leva ao paraíso;
mas quem for comprar passagem...
na bagagem leve juízo.

O trabalho que é um ofício
de uma nobre profissão
já revela o benefício
no progresso da nação.

Parabéns, ó trovador,
deste solo e céu anil,
que com trova e muito amor
abençoa este Brasil!

Quando eu vejo, nesta vida,
tanta briga, com vingança,
a saudade me convida
pra voltar a ser criança.

Quem recorda os trovadores
com suas trovas de então,
oferece aos seus autores
a prova de gratidão!

Quem trabalha com grandeza
gera emprego no país;
põe comida em cada mesa...
Faz um povo mais feliz!

Sempre ao ver que a bola rola
guie o carro em segurança,
porque sempre atrás da bola
vem correndo uma criança.

Todo dia eu digo adeus
para a minha mocidade.
São felizes dias meus
que eu conservo na saudade.

Uma dor que me angustia,
e que eu guardo na lembrança,
é saber que um certo dia
eu deixei de ser criança.

Um país bem planejado,
com trabalho construído,
tem seu povo já educado
e um poder fortalecido.

Vejo sempre uma faceta
no processo que estimulo:
ora sou uma borboleta,
ora volto a ser casulo.

Você sempre foi meu guia
nos abismos desta vida,
e eu jamais o percebia,
ó meu pai... Que linda lida!

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 4)


Trova do Dia

Quanta inspiração me causa,
o entardecer morno e rubro.
Faz na vida doce pausa,
e com sol quente eu me cubro.
CARMEN PIO/RS

Trova Potiguar

Adotando os bons conselhos
das faculdades morais,
os filhos serão espelhos
da retidão de seus Pais.
DJALMA MOTA/RN

Uma Trova Premiada

1999 > Amparo/SP
Tema > VÍCIO

Tantos jovens, sem carinhos,
desprotegidos da sorte,
se perdem pelos caminhos
do vício que leva à morte!...
HERMOCLYDES S. FRANCO/RJ

Uma Trova de Ademar

Nenhuma ciência explica
as satisfações da mente.
O prazer não se fabrica,
ele nasce simplesmente...
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram:

Entre o orgulho e a solidão,
no meu mundo, hoje pequeno,
guardo um “sim” de prontidão,
esperando o teu aceno!
ULYSSES CARVALHO JÚNIOR/RJ

Uma Poesia livre

Daufen Bach/MT
"CRISPARES – POEMA-INÍCIO”

Entre um verso para teus olhos
e uma fantasia para os teus lençóis,
transfiguro-me
para um renascer contínuo.

inauguro o absoluto,
o verbo fluente,
fixado,
nunca acabado.

inauguro em mim
o sentir do amor.

Estrofe do Dia

Hora que o sentenciado
nas grades da detenção,
por todo mundo humilhado
sente mais recordação,
sonha com a liberdade
mas por infelicidade
não sai daquela enxovia;
a Deus eleva uma prece,
baixa a face a lágrima desce,
ao som da Ave Maria.
CANHOTINHO/PB

Soneto do Dia

Francisco Macedo/RN
DESISTIR, JAMAIS!

Escalava a montanha novamente...
E, alpinista de amor enlouquecido,
chegaria a um lugar desconhecido,
jamais imaginado pela mente.

Eu sentia o infinito a um batente,
e, jamais eu teria desistido!
Mas, por forças humanas, impedido...
- E a chegada tão perto, um pouco à frente.

Um grande sonhador, não fica triste,
de alcançar o ideal, jamais desiste,
quer sempre ir mais à frente, e, se cansado...

Ele tenta vencer o seu limite,
buscando o inalcançável, ele admite,
que se jamais chegar... Terá tentado!

Fonte:
O Autor

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Trova de Aniversário por Nei Garcez (Curitiba/PR)


Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 3)


Trova do Dia

Fiel aos sonhos vassalos,
qualquer grande sonhador
guarda o medo de guardá-los
escondendo sua dor!
NILTON MANOEL/SP

Trova Potiguar

Meu pai, menino crescido,
brinca mais que meus irmãos...
Meu coração, comovido,
vê os calos em suas mãos...
CLEVANE PESSOA/RN

Uma Trova Premiada

2008 > Caicó/RN
Tema > ESTRADA > 4º Lugar.

Na estrada, outra pedra imensa,
mas, nem assim titubeio:
- não há revés que não vença
quem crê em Deus, como eu creio...
DARLY O. BARROS/SP

Uma Trova de Ademar

Sem pai, sem mãe, nem parente,
sente o mais triste desgosto,
não tem a quem dar presente
nos meses de maio e agosto.
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram:

Romance da mocidade
eu quis, um dia fazer;
tomou-me a mão a saudade
e então se pôs a escrever...
LUIZ RABELO/RN

Uma Poesia livre

Flauzineide Machado/RN
EU SOU APRENDIZ

Entre versos e rimas,
Eu escrevo poesias
Histórias contadas
Para serem sentidas.
Entre versos e rimas,
Eu escrevo emoções
Para serem vividas
Entre corações.
Entre versos e rimas,
Saio a caminhar
Para aprender,
Para ensinar.
Entre versos e rimas,
Canto feliz
A reviver

Estrofe do Dia

Até parece mentira
Certas coisas deste mundo:
Numa fração de segundo
A roda do tempo gira;
Um instante se retira,
Outro pula no tablado;
O tempo é tão apressado
Que passa pisando a gente...
Futuro é quase presente,
Presente é quase passado.
JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN

Soneto do Dia

João Justiniano da Fonseca/BA
O SONETO MODERNO.

O soneto renasce, e a todo pano,
transita pelos mares da poesia.
é clássico ou moderno, em confraria,
navega ao vento norte ou ao minuano.

É discriminação e puro engano,
dizer que a rima é velha e sem valia.
O belo é sempre belo, na poesia,
na pintura, na música... E que dano

causa o antigo teatro, o enceno, a mímica,
que afaga o espírito e ilumina a química,
do riso alegre, da tranqüilidade?

Renascendo o acadêmico soneto,
traz um sentido novo, e, em branco e preto,
tem gosto e aroma de modernidade!
----

Fonte:
O Autor

domingo, 26 de setembro de 2010

Nilto Manoel (C O R D E L - Jornal do Povo )


1
O cordel tem por ofício
quase a vida de um jornal.
Tem notícia, história, anúncio
e reportagem em geral.
Presente no dia a dia,
quer na prosa ou na poesia,
é cartilha nacional.
2
Na feira ou folheteria
e nas bancas vai em frente
reportando ao povo imenso
as coisas de nossa gente
do bóia fria ao doutor
do mestre ao construtor
no comércio refulgente.

3
O escritor é jornalista
lavra a terra e vê no chão
a semente que germina
o progresso da nação.
Como profeta, feliz
refloresce no que diz
letra por letra a lição.
4
O progresso pouco a pouco
no sertão faz-se infinito
e leva a mão primitiva
todas as cores do infinito
revelando com altivez
que o povo unido tem vez
quando há irmandade no grito.
5
O meu irmão cordelista
da Bahia de Brasília,
de Goiás Mato Grosso,
Rio e São Paulo, em vigília
tem do trabalho alegria,
pois da prosa ou da poesia
ganha o sustento da família.
6
Tenho muito viajado
e nos trechos por onde piso
vejo com satisfação,
que do lápis mais preciso
ou das cordas de um repente,
nasce o encanto auri-fulgente,
de gente que tem juízo.
7
No folheto ou no improviso
o pensamento do autor
tem colorido de paz
quando semeia com amor
que povo unido é mais forte,
e do progresso o suporte
da nação seu esplendor.
8
O Cordel está presente
no acampamento operário
no escritório do doutor,
no metrô pelo itinerário
e no salão de barbeiro...
No teatro brasileiro
ganha chão pelo cenário.
9
Saiba que o poeta reporta
dos tempos toda finura
que até um pesquisador
defende a sua fartura.
Sempre existe um zombeteiro
que para não gastar dinheiro
diz: - Cordel? Não é cultura!
10
No entanto a escola da vida
demonstra o que é patente
que o Cordel é popular
e na cultura da gente
na mais terna galhardia
é folheto e antologia,
e tem magia patente.
11
Muito aprende quem é feliz
e quer da escola da vida
sua turma de trabalho
pois o círculo da lida
tem força quando une a gente
sem discriminar nem na mente
qualquer rota percorrida.
12
O Cordel está presente
na capital, no sertão,
na rede, na palafita,
no barco e no avião.
Anda até de bicicleta,
pois na sina do poeta
tem nobre motivação.
13
Só querendo ser sequência
sem jamais encher linguiça,
com imagem momentânea,
- no cinzento sem preguiça-
busco rima para cacto
e o assunto dá impacto...
O sertão quer mais justiça.
14
O Cordel é céu estrelado
na cultura tem primor,
pelos sertões do nordeste
ou nas cidades em flor
não teme a voz do ranzinza
nem o carregado de cinza
que seu brilho tem valor.
15
O Cordel fala gostoso
para o ouvido do Senhor,
senhora ou senhorita,
porque pinta em sua cor
celestial e bendita
sem precisar fazer fita
no mundo ganha vigor.
16
Sou andarilho, valente,
meu arco-íris é a estrada
por onde o sonho é constante.
Na realidade dourada
de um mensageiro fiel
desempenho o meu papel
com fala mais sublimada.
17
Coloco a lauda na máquina
e dedilho um violão,
produzindo num repente,
o que vai na imaginação,
... e no folheto gravado,
vai do forno ao mercado
porque do espirito é o pão.
18
Quando pinto minha tela
não descuido da tintura
porque sei que meu freguês
não vive só de amargura,
Sonha com amor e com a vida
e com o salário da lida
quer o direito de fartura.
19
Em qualquer rua gostosa
pelas mãos do próprio autor
no comércio sem mistério,
o Cordel é bom cantor,
tem o espaço que merece
conversa com voz de prece
pois sempre é bom orador.
20
Por isto leitor amigo,
Pelo chão preto, Mocinho,
A festa dos papagaios,
são folhetos meus onde alinho
mensagens ao seu alcance,
e espero que não se canse
com a embriaguez do meu vinho.
21
De poeta e louco há quem diga
que um pouco tem todo mundo.
Nesta pátria de poesia
o sonho é belo e profundo
quando há esperança no sonho,
o medo é menos risonho
quem luta não é vagabundo.
22
Todos nós somos irmãos
e de Deus a terra é nossa.
Quem faz boa semeadura
com paz e amor não há fossa,
tem sempre unida a família
se trabalha sem quizília
com a vida não se faz troça.
23
A temática ganha espaço
no mundo constantemente,
porque o poeta inspirado
consegue ver no repente,
até o sexo de micróbio
e se o tempo o faz macróbio,
fica antigo e experiente.
24
O cordelista é eterno
Nunca vive a vida em vão
é simpático tem mestria
com seu folheto na mão
semeia a boa feitura
do cordel que é cultura
na riqueza da nação.

Vila Tibério. 3/1/1979.

Fonte:
O Autor

Literatura de Cordel no Ponto de Cultura do Maurílio Biagi, em Ribeirão Preto


O “Ponto de Cultura”, nas dependências do Parque Maurílio Biagi, localizado nas proximidades da Câmara Municipal, teve programação especial no domingo, dia 19, quando, além da troca de livros, contadores de histórias, com Adriana Paim e Cassiana Freitas, haverá participação de autores e autoras lendo seus textos e um espaço dedicado à literatura de cordel.

Para isso, segundo Edwaldo Arantes, presidente do Instituto do Livro, o projeto convidou todos os escritores cordelistas para que inaugurem suas participações neste espaço democrático, por sugestão do vereador Cícero Gomes da Silva, que há anos realiza a feira de mangaio, que comercializa diversos produtos nordestinos, e que já acontece na cidade há anos. O trovador Nilton Manoel e seu grupo mostraram essa tendência literária aos frequentadores do Maurílio Biagi.

De acordo com ele, Ribeirão Preto tem na vida cordelista a presença feminina, destacando boas histórias romanceadas. “Cordel é cultura e merece vida longa”, emenda Nilton Manoel, que compõe o Movimento Poético de Ribeirão Preto.

Fonte:
http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/ccs/snoticias/i33principal.php?id=15890

Renata Paccola (Cristais Poéticos)


TROCADOS

No afã de conquistar algum trocado,
há quem entregue o corpo e venda a alma
pelo seu dinheirinho abençoado
que o faz ganhar o pão perdendo a calma.

Abra as mãos para ver, maravilhado,
que uma fortuna cabe em sua palma,
porque nem sempre o rico é afortunado
e nem sempre a fartura nos acalma.

Há quem ganhe dinheiro por esporte...
Contudo, neste mundo tem mais sorte
quem conquista os amigos verdadeiros,

mas chegando aos momentos derradeiros,
faz um pedido a todos os herdeiros,
que, por favor, esperem sua morte!

LIBERDADE

Liberdade, meu sonho mais distante!
Caminho com as pernas amarradas,
e com a realidade, de mãos dadas.
Liberdade, conceito conflitante!

Meu mundo de ilusões acorrentadas
tem a felicidade num instante
e, no outro, a tristeza mais cortante...
Sou um pássaro de asas arrancadas.

Liberdade, vital contradição:
até um escravo é livre quando alcança
a liberdade do seu coração.

Contudo, chegará aquele dia
pelo qual sobrevive uma esperança
da liberdade, ainda que tardia!

INDIFERENÇA

Passo por ti, e nem sequer me notas,
embora eu vá seguindo tua vida.
Sei de tuas vitórias e derrotas,
acompanho de perto tua lida.

De tuas fãs, eu sou a preterida.
Em teu meio, sou alvo de chacotas,
e me sinto como uma nau perdida
(busco em vão encontrar as próprias rotas).

Passas com jeito de quem não me quer,
usas palavras vãs, idéias turvas,
ao passo que eu te espero sem perder a calma.

Mas se pensas em mim como mulher,
enquanto vais olhando minhas curvas,
eu fico retratando tua alma.

DOM

De todos os meus dons, o que mais prezo
está na minha mente poderosa.
Por ser, antes de tudo, misteriosa,
nunca sei se gargalho ou se me enfezo.

Deixo-me dominar e sou teimosa.
Se tento fazer bem, é quando leso.
Sou profana, descrente, e sempre rezo.
Quando perco, sou mais vitoriosa.

Defendo a tese em que não acredito.
Quando minto, estou sendo verdadeira.
Por tudo o que vivi, eu já sou pura.

O espaço em que viajo é o mais restrito.
E tudo o que ganhei na vida inteira
é meu dom de assumir toda a loucura.

FOGO

Ao entregar meu corpo e minha vida
àquele que tomou conta de mim,
numa ação pelos céus reconhecida
vou revelando meu amor sem fim.

Contudo, para o mundo, estou perdida
por ter no corpo o fogo do carmim.
Vou carregando, embora perseguida,
em minha alma, a pureza do marfim.

Se o amor é belo para quem o vê,
é mais sublime para quem o faz.
Se a experiência pode ser bem vasta,

continuo na busca de um porquê
da existência, que com loucura traz
um corpo impuro numa alma ainda casta.

GIRA-MUNDO

Eu sei que não nasci para este mundo
repleto de tensão e violência,
avesso ao sentimento mais profundo,
em cujo solo impera a delinqüência.

Prossigo com um sonho de decência,
e neste sonho às vezes eu me afundo,
até chegar à beira da demência
e em meu espelho ver um vagabundo.

Mas da revolta o meu maior motivo
é que, apesar de tudo, ainda vivo
tentando ter o mundo a meu favor.

Seguindo o movimento de um pião,
eu giro pelo mundo em contra-mão
se o mundo gira contra nosso amor.

SOBRAS

Sobras
são sombras.

Sobras do passado,
saudades,
sombras que ainda se movem,
embora estendidas no chão.

Sobras,
quebras
dos grilhões de vidro que já não prendem,
mas seus cacos ainda cortam.

Sobras,
retalhos,
tijolos,
que foram e serão
partes de uma construção.

Sobras,
lembranças que podem se deteriorar
se não forem bem conservadas.

Saudosismos,
sobras inúteis
de fatos perfeitos.

Uma lágrima rola,
sobra de tantas derramadas.

Frases que poderiam ser ditas,
páginas ainda não escritas
da história que juntos vivemos
e que deixamos por terminar;
sobras úteis
de pratos malfeitos.

Sobras,
restos imortais
do passado que se confunde com o presente.

As sobras de hoje
serão o prato de amanhã,
quando a sombra partirá
e as lágrimas
não sobrarão.

Sobras de uma paixão,
um resto de sol
e uma poça no chão.

FEITIÇO

Se eu tivesse os poderes de uma fada
Estaria contigo o tempo inteiro
Iluminando tua madrugada
Como se fosse a luz de um candeeiro.
Seria teu bordel e teu mosteiro,
Seria teu refúgio e tua estrada
Do nascer ao momento derradeiro,
Da hora da partida até a chegada.
Eu te seduziria qual sereia,
Então, nos amaríamos na areia;
Depois, te afogaria com meus beijos.
E no final eu me transformaria
Numa estrela repleta de magia
Que pudesse atender aos teus desejos!
-----

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 2)

A pintura na imagem abaixo é de Fábio Pinheiro
(Casinha no Interior de Santana de Matos)
Trova do Dia

Aquele olhar triste e ardente,
que na partida me deste,
foi muito mais eloquente
que as palavras que disseste.
CONCEIÇÃO A. DE ASSIS/MG

Trova Potiguar

A terra inteira secou!...
E, a dor me fez sofrer tanto,
que quando a chuva voltou,
tinha secado o meu pranto!
PROF. GARCIA/RN

Uma Trova Premiada

1999 > Amparo/SP
Tema > VIRTUDE > Venc.

Nos mais difíceis momentos,
tuas virtudes revelas:
quando o barco enfrenta os ventos,
mostra a beleza das velas!
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA/SP

Uma Trova de Ademar

Descobri no envelhecer
que a musa que me enaltece
não deixa o verso morrer,
pois musa nunca envelhece!
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram:

Vejo na tarde tristonha,
pelo vento solto ao léu,
o lenço branco das nuvens
limpando o rosto do céu.
CESAR COELHO/CE

Uma Poesia Livre

CECÍLIA MEIRELES/RJ
MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Estrofe do Dia

MOTE: “o teu amor de mentira,
Me fez sofrer de verdade.”


Despertou a minha ira
me lançando ao ostracismo,
pois veio em tom de cinismo
o teu amor de mentira.
Meu “eu” de angústia delira
retroajo à puberdade;
meu peito dói de verdade
ao sentir com vil tormento
que teu ego fraudulento
me fez sofrer de verdade.
NIZARDO AMÉRICO/RN

Soneto do Dia

GERSON CESAR SOUZA/PR
EXTREMOS.

Somos assim, estranhamente extremos,
gostos opostos, sonhos discrepantes,
somos canção de acordes dissonantes,
há divergência em tudo o que queremos...

Só defendemos pontos concordantes
até entender que não nos entendemos,
e esclarecendo aquilo que dissemos,
dizemos sempre coisas conflitantes...

Tu, me querendo, dizes que eu não presto,
e ao te querer, sempre de ti reclamo,
mas tu me chamas, disfarçando o gesto,

e entre protestos eu também te chamo,
pois, mesmo amando tudo o que eu detesto,
tu és na vida aquilo que eu mais amo!
------
Fontes:
- O Autor
- Imagem = montagem por José Feldman