Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Joaquim Evónio (Carta-Poema do Amor Universal)

foto de Martos Ribeiro

Não invoque meus poderes soberanos... depois não os poderá controlar... nem a eles, nem aos efeitos que provocam sobre nós!

Deixe-os descansar na concha em que dormem desde épocas remotas...

Vamos brindar aos tempos antigos em que nossas almas desnudas passeavam por entre as flores do paraíso... e os corações revoltos ansiavam asas para ganharem eternidades...

Momentos em que o mais ligeiro e efêmero afago epidérmico era um vulcão de primavera florida, transpondo almas e corações para o apex do universo...; numa transmutação que já não se sabia onde começava ou acabava, exatamente porque não tinha princípio nem fim...

Também não tinha morada, era mudança em andamento perpétuo, órbita estelar em movimento, beijos caídos do espaço e recolhidos nas taças quentes dos seios sequiosos...

Vôos sem pássaros ou borboletas dentro, apenas harmonia ou música sem pauta ou instrumento, melodia ou som flutuante sem apoio material, beijo sem lábios ondulantes caído nas mãos seduzidas duma amante amada para sempre abraçada ao seu amor...

Sem braços, sem corpo, só alma... chuva na ausência de tempestade sobre o sensível orvalho brotante em gotas de gineceu... à espera do fecundo néctar vindo do sidério, puro e filtrado pelas nuvens caprichosas de todos os céus, para descansar finalmente naquelas pétalas abertas, quase receosas mas abertas, altar iluminado à espera do amor...

Aproveita o silêncio da campina e faz dele o sino desta noite, bebamos o maná que brota de nós e trocamos de forma só nossa e profunda, transforma toda a canção em emblema de amor... E voa... Voemos como prosélitos que somos, por entre as nuvens de flocos brancos ou cinzentos, qualquer côr serve à limpidez dos sentimentos que nos enlevam e transportam por esse espaço etéreo...

Não fales, deixa selar de beijos esses lábios cansados da vida de mágoas, guardá-los num recôndito espaço do meu coração grande e forte, ali ficarão para sempre como recordação de toda a ternura da vida, até que a vida dure...

E enquanto formos capazes de voar, haverá juventude nestes corações ágeis e turbulentos, criadores e aventureiros, navios nos desertos dos ares ou gigantes contra todas as agruras que se lhes deparem....

Navegadores somos para sempre, objetivos temos e os buscamos com ardor, havemos de descobrir todas as terras por descobrir, e os céus também, e os espaços... e o que para além deles porventura ficar...

Somos os argonautas da amanhã porque já de ontem viemos e construímos um ninho de amor donde nasceram estes pássaros viandantes capazes de descortinar futuros inesperados e de lançar olhares de fogo sobre as madrugadas receosas de amanhecer para os corações apaixonados...

Viajaremos à vela ou apenas impulsionados pelo vento do amor... chegaremos ao nosso Shangri-lá e aí repousaremos e meditaremos para continuar a viagem eterna a que nos propusemos a bem da humanidade que acreditou em nós!...

Lá em baixo, aquela aldeiazinha é cada vez mais pequena, liliputiana, quase tão ridícula como as disputas dos homens, e aqui vamos nós, supernos e viajantes, nautas de hoje e de sempre, espargindo pelo universo o que somos e o que queremos...

A missão é grande mas ao nosso alcance, precisa de força, de muita força, daquela que só as sinergias do amor podem recolher para distribuir por todos quantos dela precisam para nos acompanharem nesta navegação de rumo certo e decidido!

Deram-se as mãos, entrelaçaram-se os corações, a humanidade ficou mais forte! Que poderá recear? Está mais do que nunca pronta para enfrentar o futuro. Este é o desconhecido e o desconhecido é o amanhã. Para lá chegar é indispensável ter aprendido o ontem e dissecado o hoje... Temos a certeza, porque não estamos sós, de que lá chegaremos....

O nosso objetivo, qualquer forma que revista do ponto de vista formal, só pode ter um nome, pois foi prosseguido e consolidado por nós. Esse nome só pode ser VITÓRIA!
Março de 2006

Fonte:
Site Varanda das Estrelícias
http://www.joaquimevonio.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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