Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Anônimo (Contos do Tio Emmett: Bella de Neve)

Era quarta-feira à noite. Podia ser quinta também, eu nunca fui muito bom com dias da semana. Estava chovendo e o cachorro não podia entrar em casa. Às vezes eu gostava da presença dele aqui, mesmo com aquele fedor que ele exalava, mas era divertido ver a luta travada entre ele e Rose para conseguir a atenção de Nessie. Sério. Rose, por incrível que pareça, podia ser bem agressiva quando queria, mas na maioria do tempo ela é a criatura mais doce da face da Terra… (Na verdade estou com medo que ela me desmembre igual à última vez. Edward também, então ele me comprou um caderninho para escrever todas as minhas historinhas.) Mas, voltando, era uma noite de Sábado… Eu tinha dito Sábado antes? Bom, era noite e não havia ninguém em casa com exceção de uma criança meio humana, meio vampira que estava assistindo desenhos comigo. Branca de Neve tinha acabado. Cara, eu adoro aquele desenho. Sério, aquelas coisinhas pequenininhas me lembram a Alice. Principalmente aquele Feliz. Alice era bem empolgada quando queria. Ela comprou os preparativos de Natal e acabamos de celebrar o 4 de Julho…

Aparentemente, minha sobrinha não pareceu muito feliz com a história da Branca de Neve.

- Que coisa chata, tio Emmett. – ela disse.- O príncipe veio, deu um beijo e ela acordou. Esperava mais desse final.

Sabia que era a deixa. Quando Renesmee começava com “que coisa chata, tio”, é porque ela queria um toque especial na história.

- Olha a hora, hora de dormir. – Eu disse a ela, olhando para o relógio.

Seus olhinhos brilharam quando eu disse isso. Sabia que com seu pai, sua hora de dormir era baseada em melodias de ninar. É CLAAAARO que uma criança vai dormir com aquilo. Sonífero não funcionaria melhor. Se eu pudesse dormir, com certeza dormiria toda vez que Edward decide tocar a música de Bella. Esse negócio de piano é muito chato. Eu prefiro bateria… Mas Carlisle me proibiu de tocar… Só porque eu quis destruir aquela cruz de madeira pra fazer baquetas… Pra que ele quer lembrar do pai? O velho nem gostava de vampiros… Se soubesse que o filho tinha virado um teria expulsado ele de casa. Ou caçado até a morte… Mas isso não vem ao caso agora. Eu a coloquei na cama e sentei-me na cadeira de costume.

- E se eu contasse a verdadeira história da Branca de Neve? – eu perguntei.

- Desculpe tio, não entendi. A verdadeira história de quem? – ela rebateu. – … Da Bella de Neve?

- Bem melhor. – Ela sorriu.

- Então está bem. Era uma vez, num reino distante chamado Forks, uma humana desengonçada chamada Bella. Sua pele era quase tão branca,mas tão branca e os hematomas de suas quedas apareciam tão claramente que os demais a apelidaram de Bella de Neve. Bella de Neve ia num castelo chamado Forks High, controlado por uma rainha má. A rainha Jéssica. – Aí Renesmee fez uma careta. – O que foi?

- Não gosto desse nome… Não gosto dessa menina.

- Você não gosta dela, de Tanya, de Mike Newton. Alguém mais que você não goste na cidade ou nos arredores?

- Hum… Não que eu lembre…

- Bem… Acho que só.

- Tem certeza? Eu não quero ficar parando minha história o tempo inteiro para você ficar dando nomes aos personagens.

- Está bem. Mas a rainha se chamará Jéssica e ponto. – eu disse. Minha história não teria sentido sem uma rainha do mal e ninguém melhor para ser uma rainha do mal dentro de Forks que a própria “gossip girl”. Ela concordou e eu prossegui. – Bom, como eu dizia, a rainha controlava tudo e todos, então quando seu espelho mágico, loiro frustrado de cabelos espetados-que-tentavam-imitar-os-de-um-certo-vampiro revelou que Bella de Neve era a menina mais linda do reino, ela se enfureceu e chamou seu capataz Eric para que desse um sumiço na coitada. Então, ele chegou para Bella de Neve e perguntou. “Vamos para La Push, Baby? La Push.”

- Quer parar de falar assim? – Renesmee me perguntou.

- Eu tenho que entrar no personagem, dá licença? – eu respondi. E Eric estava certo, falar La Push era bem legal! – Então, Bella de Neve, ingênua como só, saiu atrás do capataz nipônico pelo bosque de La Push. Ao chegar ao bosque, antes dos limites de La Push eles…

- Viram um lobo? – ela me perguntou.

- Nessie, quantas vezes eu tenho que te explicar que não existem contos de fadas com lobos?

- Mas tia Alice me contou Os Três Porquinhos e…

- Sua tia Alice só sabe de roupas, de reinos longínquos e como destruir O Anel. – eu disse. – Ela não entende de contos de fadas. Posso continuar?

- Pode. – ela disse fechando um beicinho.

- Então, ta. QUANDO ELES CHEGARAM AO BOSQUEEE… – eu falei mais forte para ver se ela iria me interromper mais uma vez. – Bella de Neve caiu uma centena de vezes. O Capataz, ciente que a menina acabaria morrendo sozinha a qualquer hora, poupou-se de qualquer esforço físico e resolveu ir embora, deixando-a na floresta. “Vai ser como se eu nunca tivesse existido”…

- Tio Emmett?

- Ah, sim, história errada, desculpe. Dessa vez Bella só foi deixada na floresta, sem choros, sem policiais a procura dela… Ela caminhou por um bom tempo e achou estranho não ter encontrado animais silvestres ao decorrer do caminho. Foi aí que ela avistou uma grande casa branca. Ela tocou a campainha e ninguém atendeu. A porta estava aberta e curiosa como ela só, Bella de Neve resolveu entrar. Aparentemente estava vazia. Foi o que ela pensou. De repente surgiram sete figuras e uma disse: Quem é você?

- Sete figuras? Os Sete anões?

- Não, puff, claro que não. Sete vampiros vegetarianos.

- Ah. – ela disse.

- O mais velho deles se chamava Carlisle e era o líder do grupo.

- Isso. A mais tímida e carinhosa se chamava Esme. A mais ranzinza se chamava Rose. O mais feliz chamava-se Alice. O dorminhoco e imprestável que não fazia nada de útil além de dormir se chamava Jasper.

- Ei, não fale assim… – ela cruzou os bracinhos e me olhou feio.

- Hum… Tá. O mais quieto e na dele chamava-se Jasper. Melhorou? – ganhei um sinal de aprovação. – O praticamente mudo porque ninguém deixava falar absolutamente nada chamava-se Emmett.

- E o papai? – ela perguntou.

- Seu pai é o que espirra sempre que chega perto da Bella de Neve.

- Por quê?

- Pois ele tem alergia ao sangue dela. Satisfeita?

- Mais ou menos… Mas continue.

- Ok. Bella de Neve ficou encantada com a beleza dos sete vampiros, principalmente com a força do vampiro Emmett.

- Mentira. Ela ficou encantada por Edward. – Renesmee falou.

- Você se apega muito aos detalhes…

- É para isso que estou aqui. – Ela sorriu.

- Se quiser, eu paro de contar… – Eu ameacei…

- Não, por favor continua…

- Sem interrupções… Pois bem, Rose perguntou mais uma vez: “Não se faça de sonsa, menina, responde logo o que Carlisle perguntou. Quem é você?” “Eu sou Bella de Neve. Eu estava tropeçando pela floresta quando eu vim parar aqui”. Alice, a menor deles implorou para Carlisle para que Bella de Neve vivessem com eles. Ele concordou, apesar de Rose e Edward discordarem. A vida com ela não se tornou mais fácil, na verdade. Mas com certeza se tornou mais divertida. Principalmente pra Emmett, que ria sempre que Bella de Neve tropeçava em suas próprias pernas.

- Não vejo muita graça em alguém ficar tropeçando por aí.

- É porque você não viu sua mãe humana caindo por aí. Era divertido. Eu deixava as coisas de propósito no caminho. Certa vez eu joguei cera no corredor da escola. Alice estava caçando mais Edward nesse dia, então ninguém pra ler meus pensamentos ou impedir que eu fizesse isso.

- E qual foi o propósito? – ela me olhou, cruzando os bracinhos.

- Filmar, é claro. – eu disse, lembrando da cena de Bella caindo pelo corredor da Forks High. Renesmee não aprovou. – Você vai tocar no rosto de seu pai amanhã e mostrar nossa conversa, não é mesmo?

- Com certeza.

- Se eu continuar a história você pode amenizar minha situação?

- Vamos ver…

- Então… Tudo bem. Onde paramos?

- Você dizia que Bella de Neve tinha ido morar na dos sete vampiros vegetarianos.

- Pois é. Só que aí a Rainha Jéssica descobriu…

- Como?

- Ela tinha um perfil falso no Twitter e viu quando o Emmett twittou “Bella de Neve está morando conosco agora. Acho que a Rose devia pintar seu cabelo igual ao dela, ficaria mais bonito…” Mas como Alice tinha esta coisa chata de ver o futuro, eles decidiram irem embora antes que a bruxa viesse.

- E o que eles fizeram?

- Entraram no Guarda-Roupa, é claro.

- No Guarda-Roupa?

- É… E foram parar em Nárnia.

- Onde fica isso? – ela me perguntou.

- Não sei. – Eu respondi. Ela não sabia como era frustrante. Quantas vezes eu já entrei no guarda-roupa pra poder ir a Nárnia? Eu sempre quis um amigo igual ao Sr. Tumnus. – Só sei que eles foram parar lá. Aí eles encontraram um grande coelho branco e Alice saiu correndo atrás dele.

- E por que ela fez isso? – Renesmee me perguntou.

- Aff… E precisa justificar os acessos de loucura de Alice? Ela saiu correndo atrás do coelho branco e todos os vampiros (e Bella de Neve um pouco mais atrás, tropeçando) foram atrás dela. O coelho entrou em uma toca e eles caíram… caíram…caíram…caíram…caíram…caíram…(meia hora depois)…caíram…

- A intenção era me fazer dormir? Estou quase dormindo.

- É pra dar mais ênfase ao tamanho do poço dentro da toca…

- Sim, mas não bastava falar “caíram por meia hora?” – ela me perguntou.

- Hum…lembrarei disso na próxima vez. Então, eles chegaram ao fundo do poço… Literalmente, sabe, não como sua mãe ficou quando seu pai a abandonou e…

- Vamos esquecer essa história? – ela me lembrou, erguendo sua mãozinha… Sabia que era chantagem, era seu jeito de falar: “Não fale sobre coisas que meus pais fizeram ou eu mostro a eles e você vai passar um mês sem os dedos das mãos”.

- Então eles chegaram ao fundo do poço. “Como sair daqui?!” Esme perguntou. “Não tema senhora, eu sei por onde sair”, Disse o coelho.

- Coelho fala? – ela colocou as mãozinhas na cintura.

- … Você vive numa casa com vampiros, seu melhor amigo é um lobo e você vem me questionar UM COELHO QUE FALA? Por favor, hein? “Que bom, o coelho vai nos ajudar e…” BUUUUURP.

- Que som foi esse? – ela perguntou.

- Sonoplastia…

- Sim, mas parecia um arroto.

- Mas foi a sonoplastia de um arroto.

- E quem arrotou? – ela perguntou.

- … Emmett…

- Ele comeu o coelho, não foi?

- …

- Não fooooi?

- … Foi! Mas em sua defesa, era um coelho muito gordinho e apetitoso e ele estava com sede. “Oh não, e agora, o que vamos fazer?” Bella de Neve perguntou, enquanto os outros seguravam Rose que se enfureceu com o pobre “mudinho”. Nesta hora apareceu um gato sorridente e disse que sabia o caminho de volta para sua casa. “Mantenham Emmett afastado do gato!” Carlisle gritou. “Vocês devem seguir a trilha de rosas até o palácio da rainha.” O Gato disse, sumindo no ar. “Como ele fez…” Emmett perguntou. “Cala a boca, Emmett, vamos!” Rose saiu na frente. À medida que o caminho ia se estreitando, eles viram uma plantação imensa de rosas até o castelo. Mas algo ruim aconteceu: Rose teve uma crise.

- Por quê?

- Havia uma placa na entrada dizendo “*these roses belong to the queen and the king.”

- E o que aconteceu?

- Rose começou a espumar pela boca… “King… Rosas… King…Rosas… King… King… ROSE…? EU VOU MATAR TOOOOOODAS!”E saiu arrancando uma por uma, destruindo, despetalando, pisando, massacrando, triturando… Uma verdadeira “roseficina”.

- Hum… Isso não deve ter terminado bem.

- Puff, e como… A rainha era louca por suas flores. Quando ela viu o que Rose fez com suas flores começou a gritar “Corrrrrrrtem a cabeça”. Jasper se meteu: “Corta a minha também? Primeiro os pulsos, depois a cabeça”, ele pediu, mas foi impedido por Alice. “A looooira, cortem a cabeça delaaaaaa”. A rainha gritou. “Eu vou cortar a sua, seu inseto insignificante”, Rose disse, indo para cima da rainha. Quando a rainha viu o olhar enfurecido de Rose, ela ficou com medo… Escondeu-se atrás de um dos seus guardas e disse… “Ah, meu bem, o que são umas florzinhas… Né? Não precisamos nos exaltar… Na verdade, hoje é o dia do ‘Cortem a cabeça’… Preciso de uma cabeça para ser cortada.” Rose pensou e logo em seguida disse “Por mim, usa da humana aí”. Bella de Neve, que estava distraída olhando para Edward, nem se deu conta que sua vida estava em risco. Um dos guardas a puxou para longe do seu amado e só aí ela se deu conta deque algo estava acontecendo. “Han, o quê, estão me levando para longe de Edward? Não, Edwaaaard, Edward?!” “Não tema Bella de Neve, sol da minha existência, luz da minha vida, cometa da minha galáxia, água da minha lagoa, amora da minha árvore… Eu vou te salv… opa, um piano! Irei te salvar depois de compor esta sinfonia em sua homenagem.” Bella de Neve parou, olhou incrédula para o vampiro de cabelos bronze sentado ao grande piano branco da rainha tocando uma melodia. “O quê? EEEEEEEEEdward”. Então, ela acordou e descobriu que tudo era um pesadelo e que na verdade estava na casa do seu pai, Chefe Swan, abraçada a Edward que estava cantando sua canção de ninar para afastar seus pesadelos. E fim!

Olhei a criaturinha deitada na cama, dormindo igual a um anjinho. Caramba, de novo? Eu aqui me matando para poder inventar esta história e Renesmee dorme? Fui procurar o que fazer. Não estava passando nada de legal na TV, aí me lembrei do vídeo que tinha feito de Bella ainda humana. Caí na besteira de assistir na televisão da sala. Estava tão entretido, vendo Bella escorregando e descendo corredor abaixo de bunda que nem senti a presença de Edward atrás de mim.

- Divertido isso, Emmett? – ele perguntou.

- Você não tem noção, precisa ver o que eu fiz do último aniversário dela quando Jasper pulou em ciii… Ops.

- Emmett…

- Calma, cara, foi só brincadeira.

- Emmett… – ele disse um pouco mais firme.

- Calma, mano, Não precisa ficar tão nervoso comigo.

- EMMETT!!!!!!!!!!!!!!!

A última coisa que eu lembro foi do vulto de Edward pulando em cima de mim. Bella estava logo atrás e Alice, com uma câmera de vídeo na mão. Já é a sexta vez que eles assistem à fita de como Edward arrancou meus braços… Ele disse que só vai devolvê-los quando eu estiver realmente arrependido. Porém Renesmee acordou. E isso piorou um pouco minha situação. Em casa nós temos dois assuntos proibidos: Royce King e o dia em que Edward deixou Bella. Então incluir isso na historinha de dormir da filha deles não foi aceitável. Agora estou eu, aqui, uma cabeça flutuante no meio da sala… Ainda bem que eu aprendi a escrever com a boca! Mas esta não será a última vez que vou colocar Renesmee para dormir. Mas para isso vou precisar ler mais… Rose trouxe alguns livros para eu ler… Tem um estranho, com a capa preta, uma maçã nas mãos de uma pessoa… Deve ser chato, não vou ler… Então, meus queridos monstrinhos, vejo vocês na próxima hora de dormir.

Com amor,
Tio Emmett!
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Quem se lembra, o noivo de Rose (Rosa) se chamava Royce KING… e lhe enviava rosas todos os dias… entendeu a implicância?

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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