Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 13 de abril de 2013

Lino Mendes (Baú de Memórias: Quinta-Feira da Ascenção)

É uma “data” que ainda se festeja em várias terras do País, creio  que há dois anos em Lisboa, os “ raminhos de esperança”, assim lhe chamavam, eram vendidos a um euro e meio.”Trata-se de um ritual pagão e religioso, que tem como objectivo benzer os primeiros frutos primaveris e levar para casa um ramo florido que simboliza a fartura e a harmonia para a família”(DN).

Em tempos idos, também por aqui a “Quinta-feira da Ascensão” era tempo de festa com piqueniques e bailaricos, sendo o Pinhal das Lourenças um dos lugares de que me falam. E, claro , na parte da tarde toda a minha gente ia apanhar a espiga. Hoje, alguém se lamentava, é que tudo acabou…

Este dia de quinta-feira, corresponde ao da Ascensão de Cristo aos Céus quarenta dias após a ressurreição, por isso o dito popular de que “ da Páscoa à Ascensão quarenta dias vão”. Não se sabe no entanto, quando a mesma passou a coincidir com o “dia da espiga”, determinando que ao fator litúrgico se aliasse a componente pagã. Litúrgico , porque então e nesse dia, nos templos católicos e do meio dia à uma se celebrava a reza da hora; pagã, por toda uma série de actividades ligadas ao campo e ao camponês para quem, segundo Mircea Eliade (antropólogo e historiador) a terra era entendida como a Grande Mãe.

Há hábitos que se vêm perdendo com o decorrer dos tempos e funcionavam mesmo com um sentido apelativo à protecção, como colocar ramos de oliveira por cima das portas e das janelas para dar sorte, para combater as trovoadas. Hábitos que hoje seria interessante recordar e manter como tradição, acredite-se ou não, por exemplo, que” quem tem trigo da Ascensão todo o ano terá pão”.

“Tradicionalmente, no Alentejo deve-se colher o Ramo da Espiga do meio-dia à uma hora da tarde e consta que o ramo seja constituído por cinco folhas de oliveira, cinco espigas de trigo e o maior número possível de flores amarelas e brancas. Por vezes, e segundo as devoções de cada um, esta “apanha” era acompanhada pelo rezar de cinco Pai-Nossos, cinco Avé Marias e cinco Glórias, ”sendo “ que o número e a espécie de elementos constituintes do Ramo varia de terra para terra, de grupo para grupo, de família para família”. (Rui Arimateia—Diário do Sul-7/5/97).

Em MONTARGIL, e tanto quanto sabemos, para dar sorte, para não se acabar o dinheiro, era feito um ramo com três ou cinco espigas de centeio , trigo e cevada, um raminho de oliveira e flor do campo (papoila e malmequer), que depois se guardava em casa, pendurado até ao ano seguinte.

Fonte:
O Autor

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to