Um amigo de longa data já passado dos 60, depois das mensagens triviais de sempre quis saber minha opinião sobre o provável vencedor do BBB 2021. Respondi que não dou audiência a esse tipo de programação televisiva por apresentar características peculiares, que destoam completamente dos valores que considero primordiais no núcleo familiar e na vida de um cristão. A resposta veio na lata: “Você está se tornando um velho rabugento. Aqui em casa até meus netos assistem. Aquilo tudo é apenas um jogo”. Apaguei imediatamente o agora ex-amigo de meus contatos e espero realmente que não venha mais me incomodar com coisas fúteis. Fico imaginando o nível de educação oferecido pelos avós aos pirralhos, uma vez que, aparentemente, o atrativo maior é a libertinagem que acomete a maioria de seus “descolados” integrantes.
Libertinagem que frequentemente sou obrigado a aturar por conta da nova vizinhança. Dos ocupantes do lote rural ilegalmente fracionado que se acham no direito de submeter os moradores de propriedades adjacentes a intermináveis e constrangedoras sessões de pancadões recheados de besteirol pornográfico. Em volume equiparado a um show de rock pauleira, os debiloides psicodélicos imaginam, do alto de sua reconhecida ignorância, ter o direito de invadir os lares das famílias de bem, incluindo-se nesse rol crianças, adolescentes e idosos, com uma poluição sonora das mais degeneradas possíveis. Como não se pode contrariar a legislação penal brasileira sob o risco de ser devidamente enquadrado, o jeito é solicitar muito gentilmente aos protagonistas da insensatez contumaz, para que pelo menos diminuam o volume de suas audições pestilentas. Coisa que geralmente, a paciência permite fazer apenas uma única vez.
É por essas e por outras que nosso País continua marcando passo. Foram-se os bons tempos em que a educação e o respeito eram considerados itens de porte obrigatório no cotidiano das pessoas. Nesse Brasil de tantas contradições, são cada vez mais escassos os exemplos de seriedade, de honestidade, de retidão de caráter. As pessoas gradativamente se tornaram imediatistas, egoístas e individualistas. Deixaram de exercitar diariamente as palavras mágicas que têm o poder de abrir as portas do mundo: “Bom dia, por favor, obrigado”. Segundo os “entendidos” no assunto, esse é o “novo normal”. Menos para mim, que sem perceber, me tornei um velho rabugento.
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JOSÉ LUIZ BOROMELO é um importante cronista, escritor, músico e agricultor brasileiro. Ele ganhou notoriedade regional e nacional por sua capacidade de traduzir a simplicidade, os costumes e a cultura da vida no campo por meio da literatura de opinião e da crônica contemporânea. Nascido no ano de 1963 e Marialva (PR) É nessa mesma cidade (conhecida como a "Capital da Uva") onde vive, mantém sua propriedade rural e desenvolve suas atividades. Antes de se dedicar inteiramente às letras e à terra, Boromelo construiu sua carreira profissional na segurança pública, atuando como Policial Rodoviário Federal aposentado. Como agricultor, ele gerencia sua propriedade rural na área de Marialva. Sua vivência prática na roça — que já foi inclusive destaque em programas de televisão como o Caminhos do Campo da RPC/Rede Globo — serve como sua principal fonte de inspiração lírica.
Destaca-se como um escritor de crônicas, contos e artigos de opinião. A sua escrita é caracterizada por um tom saudosista, humanista e reflexivo, resgatando as memórias da infância, os valores éticos e a rotina do trabalhador rural. É um autor muito ativo na plataforma literária Recanto das Letras, onde soma mais de 200 textos publicados e milhares de leituras. Seus textos e crônicas são frequentemente publicados em jornais proeminentes do Paraná, como a Folha de Londrina e portais jornalísticos de Maringá, como o Maringá News e blogs políticos regionais.
Diferente de autores acadêmicos tradicionais, a trajetória de Boromelo é fortemente ligada à literatura independente e regional. Embora grande parte de sua obra esteja dispersa em formato de crônicas diárias e artigos de imprensa, ele participa ativamente de movimentos culturais regionais. Um exemplo é sua colaboração com círculos universitários, como o Sarau Cultural da UniCV (Centro Universitário Cidade Verde), onde atua palestrando e estimulando o lançamento de livros e coletâneas de poesia. Não integra os quadros das academias de letras clássicas nacionais, focando sua atuação em grêmios culturais, orquestras de preservação musical (como a Orquestra Raiz Sertaneja de Marialva) e na Academia do cotidiano — o contato direto com o leitor de jornal.
A relevância de José Luiz Boromelo para a literatura nacional reside no fortalecimento da crônica de interior e na preservação da identidade caipira. Em uma época de literatura massificada e urbana, Boromelo funciona como uma espécie de guardião da memória coletiva. Seus textos dão voz ao homem simples do campo, denunciam injustiças sociais com sensibilidade e mostram que a roça e a agricultura também produzem intelectualidade de alto nível. Ele descentraliza a literatura dos grandes eixos capitais, provando o valor das narrativas regionais.
Fontes:
Biografia = Prefeitura de Marialva, Recanto das Letras, Angelo Rigon, Folha de Londrina, O Diário de Maringá.
