sexta-feira, 3 de julho de 2026

Renato Benvindo Frata (Entre a têmpera e a temperança)


Não se confunda têmpera com temperança.

A primeira é o tratamento térmico que torna o aço mais duro e resistente.

Torna o metal bruto, forte, resistente. Quando inoxidado, blinda-se às impurezas. Por isso o usamos até nos talheres domésticos.

Lavou, tá novo! E nos servirão a vida inteira e mais um tempo, se lhe dermos cuidado. A têmpera o deixa forte, e a inoxidação facilita sua limpeza. Encontrar o ponto exato entre calor e resfriamento é o desafio do bom siderurgista. É desse equilíbrio que nasce o aço resistente.

Tudo depende da medida exata: calor, tempo, resfriamento e composição da liga. O bom aço, assim, se compõe de atos singelos, sem os quais a liga metálica desanda.

Já, a temperança é virtude humana. Nada tem a ver com metal, mas com comportamento. Está descrita desde os tempos bíblicos. E não se sujeita à transformação por temperatura.

Ela se faz pelo autocontrole emocional, digamos a meio-fogo, ou fogo-baixo, como se posta a cozinhar lentamente, a envolver os desejos, os impulsos e as paixões.

Como os temperos que, postos aos poucos num bom guisado, fazem nascer o sabor sem jamais dominar o prato.

Esses que nos levam a bem viver.

Assim, a temperança atua como domínio da razão sobre a voluntariedade dos atos. Ela cuida do autodomínio. Isso é, evita tanto os excessos quanto a escassez. Bem assim.

Representa a prudência e a pudicícia nos nossos atos. Em casa ou na rua. No trabalho ou na praça. Independentemente da existência ou não dos limites da lei.

A temperança dispensa a coerção. Não nasce do medo da punição, mas do governo da própria consciência. Circunscreve-se no recato, na modéstia e na reserva, que se configuram em pudor, decência, honestidade, respeito. Integridade moral.

Talvez por isso a temperança seja hoje a virtude mais rara. Que lástima! As exceções, infelizmente, tornaram-se raríssimas.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
RENATO BENVINDO FRATA, nascido em Bauru/SP é um dos principais pilares contemporâneos da cultura de Paranavaí (onde se radicou) e de todo o Noroeste do Paraná. Paranaense por adoção, ele consolidou uma trajetória sólida que une o rigor do ambiente acadêmico e jurídico à sensibilidade das crônicas e contos do cotidiano. A atuação profissional de Renato Frata é marcada por múltiplas frentes técnicas e intelectuais: Atua firmemente como advogado na região; Também possui formação e exerceu atividades como contador; Dedicou grande parte de sua vida ao ensino superior como professor universitário, encontrando-se atualmente aposentado das salas de aula.
O interesse de Frata pela literatura surgiu "desde moleque" por influência direta do pai e do irmão, que eram grandes leitores. Começou arriscando versos ao se apaixonar na adolescência, migrando mais tarde para a prosa, gênero no qual se consagrou. Sua caminhada é pontuada por conquistas institucionais e premiações: Na década de 1990, seu conto A Pá de Polenta foi premiado no renomado FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí), dando um impulso definitivo à sua carreira pública de escritor. Fundador e presidente de honra da ALAP (Academia de Letras e Artes de Paranavaí), instituição que já presidiu por diversas gestões e onde continua engajado na promoção cultural local. O autor escreve de forma disciplinada, utilizando crônicas e contos para registrar memórias da infância e observações do dia a dia. Suas crônicas circulam frequentemente em veículos de imprensa da região, como o Diário do Noroeste (https://diariodonoroeste.com.br/).
Principais obras publicadas: A Pá de Polenta (Conto expandido focado em memórias de infância); Reflexão dos Cinquenta (Contos); O Sapo Chorão e Rosso Saladete, o Intrépido Tomate (Obras voltadas ao público infantojuvenil); Fragmentos (Livro que reúne 102 crônicas e excertos lançado originalmente em 2022/2023); Crepúsculos Outonais (Coletânea de contos e crônicas lançada em 2025)
A relevância de Renato Benvindo Frata transcende as páginas de seus livros, gerando impactos profundos no ecossistema cultural do Paraná: Seu livro Reflexão dos Cinquenta carrega o marco histórico de ser a primeira obra literária solo publicada por um escritor radicado em Paranavaí, abrindo as portas do mercado editorial para outros talentos locais. Cronista do cotidiano do interior. Suas narrativas capturam a sensibilidade da vida no campo, as tradições familiares e a evolução urbana do Noroeste do estado. Ao fundar e capitanear a ALAP, ele ajudou a tirar Paranavaí do isolamento literário, integrando a cidade em encontros estaduais de academias e promovendo o intercâmbio de novos autores com o público universitário e escolar.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
Biografia = Diário do Noroeste; Sesc Parana e UCPPARANA.EDU