Ela verte impulsionada pela dor ou pelo amor. Um ou outro sentimento saído por impulso, em volúpia. Não há como evitá-la.
Não importa que aflore rasa, e fique a se equilibrar. Nem que se acumule e se inche, a engrossar. Ou que se multiplique em duas, ou mais, a umedecer o interno das pálpebras e olhos, ou que escorra se desgastando pela face.
Suas dimensões, que são abstratas mas sensíveis, prevalecerão sobre a extensão física do rosto. Um risco, ou dois no máximo. O tempo? Segundos de imensidão!
É o tempo dela, que não pode ter sua profundidade comparada à de um poço, ou à intangibilidade das profundezas e nem da extensão da mais escura caverna.
A sua profundidade e dimensão enquanto porção de líquido, estão na gota salgada que a perfaz. Pequena. Esférica. Brilhante. Transparente. Translúcida.
Se a emoção é grande, nasce às pencas, a escorrer. Se a emoção é cândida, faz-se em filamento. Forma-se e fica, como se a alma a ajudasse a se equilibrar entre a esclera e a conjuntiva. Silenciosamente estática. A viver momentos de intensa emoção.
Lágrima, apenas.
Sem força ou intenção de sair. É a emocional que brota motivada como resposta a sentimentos dali brotados. De tristeza profunda. De alegria contagiante. De frustração dolorida. De estresse.
Não é, entretanto, somente esse o caminho da lágrima. Há as basais e as reflexas, não menos importantes, mas não tão significativas quando as emocionais. Nascem cada qual em proteção aos olhos. Para mantê-los lubrificados e como curativos.
Elas, as lágrimas, porém, nem sempre nascem de um choro. Mas do ambiente seco e até de um cisco, num borrifar ardente. Todas, embora compostas de maneiras distintas, possuem a mesma conformação estética, límpida, pura e bela.
Seu segredo, no entanto, se esconde na profundidade do âmago ao mostrar amor, tristeza, saudade; também a intensidade da fé, a existência ou a mística. Sentimentos ocultos que afloram. Até no simbolismo de um poema, a dramaticidade de um romance, os conflitos do inconsciente.
Há lágrimas e lágrimas. Para o gosto, ou, para o desgosto.
Todas, porém, carregam na gota mínima a profundidade inteira do que sentimos.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
RENATO BENVINDO FRATA, nascido em Bauru/SP é um dos principais pilares contemporâneos da cultura de Paranavaí (onde se radicou) e de todo o Noroeste do Paraná. Paranaense por adoção, ele consolidou uma trajetória sólida que une o rigor do ambiente acadêmico e jurídico à sensibilidade das crônicas e contos do cotidiano. A atuação profissional de Renato Frata é marcada por múltiplas frentes técnicas e intelectuais: Atua firmemente como advogado na região; Também possui formação e exerceu atividades como contador; Dedicou grande parte de sua vida ao ensino superior como professor universitário, encontrando-se atualmente aposentado das salas de aula.
O interesse de Frata pela literatura surgiu "desde moleque" por influência direta do pai e do irmão, que eram grandes leitores. Começou arriscando versos ao se apaixonar na adolescência, migrando mais tarde para a prosa, gênero no qual se consagrou. Sua caminhada é pontuada por conquistas institucionais e premiações: Na década de 1990, seu conto A Pá de Polenta foi premiado no renomado FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí), dando um impulso definitivo à sua carreira pública de escritor. Fundador e presidente de honra da ALAP (Academia de Letras e Artes de Paranavaí), instituição que já presidiu por diversas gestões e onde continua engajado na promoção cultural local. O autor escreve de forma disciplinada, utilizando crônicas e contos para registrar memórias da infância e observações do dia a dia. Suas crônicas circulam frequentemente em veículos de imprensa da região, como o Diário do Noroeste (https://diariodonoroeste.com.br/).
Principais obras publicadas: A Pá de Polenta (Conto expandido focado em memórias de infância); Reflexão dos Cinquenta (Contos); O Sapo Chorão e Rosso Saladete, o Intrépido Tomate (Obras voltadas ao público infantojuvenil); Fragmentos (Livro que reúne 102 crônicas e excertos lançado originalmente em 2022/2023); Crepúsculos Outonais (Coletânea de contos e crônicas lançada em 2025)
A relevância de Renato Benvindo Frata transcende as páginas de seus livros, gerando impactos profundos no ecossistema cultural do Paraná: Seu livro Reflexão dos Cinquenta carrega o marco histórico de ser a primeira obra literária solo publicada por um escritor radicado em Paranavaí, abrindo as portas do mercado editorial para outros talentos locais. Cronista do cotidiano do interior. Suas narrativas capturam a sensibilidade da vida no campo, as tradições familiares e a evolução urbana do Noroeste do estado. Ao fundar e capitanear a ALAP, ele ajudou a tirar Paranavaí do isolamento literário, integrando a cidade em encontros estaduais de academias e promovendo o intercâmbio de novos autores com o público universitário e escolar.
Fontes:
Texto e imagem da crônica enviados pelo autor.
Biografia = Diário do Noroeste; Sesc Parana e UCPPARANA.EDU


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Solicito que coloque o seu nome após o comentário, para que o mesmo seja publicado. Somente serão aceitos comentários relativo às publicações, outros que sejam políticos, pessoais, chulos, etc. serão excluídos. Veja política de conteúdo na página inicial.