segunda-feira, 13 de julho de 2026

Mensagem na Garrafa 195 = O velho e o neto

AUTOR ANÔNIMO

Era uma vez um velho muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo. Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher. Derramava sopa na toalha e, quando, afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.

O filho e a nora dele achavam que era uma porcaria e ficavam com nojo. Finalmente, acabaram fazendo o velho se sentar num canto atrás do fogão. Levavam comida para ele numa tigela de barro e - o que era pior - nem lhe davam bastante.

O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.

Um dia, suas mãos tremeram tanto que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou. A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou.

Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha e era aí que ele tinha que comer.

Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o neto do velho, que era um menino de oito anos, estava brincando com uns pedaços de pau.

- O que é que você está fazendo? - perguntou o pai.

O menino respondeu:

- Estou fazendo um cocho para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer.

O marido e a mulher se olharam durante algum tempo e caíram no choro. Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa. Desde então passaram a comer todos juntos e, mesmo quando o velho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada.
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Desta história, há uma música sertaneja, da dupla Teddy Vieira e Palmeira:

Couro de Boi

Conheço um véio ditado desde do tempo do Zagai
Um pai trata dez fio, dez fio não trata um pai
Sentindo o peso dos ano sem poder mais trabalhar
O véio peão estradeiro com seu fio foi morar
O rapaz era casado e a mulher deu de implicar
Vancê manda o véio embora se não quisé que eu vá
E o rapaz, coração duro, com o véinho foi falar

Para o senhor se mudar, meu pai, eu vim lhe pedir
Hoje, aqui da minha casa o senhor tem que sair
Leva este coro de boi que eu acabo de curtir
Pra lhe servir de coberta aonde o senhor durmir

O pobre véio, calado, pegou o coro e saiu
Seu neto de oito ano aquela cena assistiu
Correu atrás do avó, seu palito sacudiu
Metade daquele couro, chorando, ele pediu

O véinho, comovido, pra não ver o neto chorando
Cortou o coro no meio e pro netinho foi dando
O menino chegou em casa, seu pai foi lhe perguntando
Pra que você quer esse couro que seu avô ia levando?

Disse o menino ao pai: Um dia vou me casar
O senhor vai ficar véio e comigo vem morar
Pode ser que aconteça de nós não se combinar
Essa metade do coro vou dar pro senhor levar