terça-feira, 14 de julho de 2026

Renato Benvindo Frata (Sorriso de sol)


Quem se levantou mais cedo hoje e teve a curiosidade de olhar para o céu, por certo sorriu.

Eu sorri. De boca alargada, na completa expansão dos músculos a esticar até os olhos. Isso, claro, me deu sensação eufórica de prazer.

Porque a beleza do sol, ao pintar as últimas nuvens da madrugada no instante em que o vento as levava aos confins, fez do céu um magistral painel pintalgado.

Não, não se incomode com o termo.

Ele significa salpicado, sarapintado, mosqueado, e se dá quando o sol garimpa nuvens esgarçadas, colocando-as sobre uma grande peneira, como faz com cascalho o garimpeiro.

Nessa manhã, era esse o trabalho do sol: peneirar as nuvens esgarçadas e colori-las de vermelho escarlate.

Foi essa a impressão que me veio à mente.

O sorriso foi consequência. As mãos e as orelhas geladas, também, nesse inverno.

E, como nada é perfeito, obriguei-me logo a me recolher.

Não sem antes bem dizer bom-dia ao dia. E, com esses pensamentos positivos, dar seguimento às tarefas programadas desde ontem.

Relógio e folhinha são peças que nos comandam. A carteira no bolso de trás é o complemento. Ela sempre precisará de algumas folhas no recheio.

Dali para a rua, um pulo.

Do pulo aos afazeres, eis que a vida pede movimento.

Uns e outros vizinhos faziam o mesmo e, com acenos aqui e ali, o dia ganhou corpo.

Nesse transitar, notei que mais pessoas olhavam para o céu. Claro, cada qual com sua percepção. E sorri de novo. A mania de bem observar a natureza não é só minha.

Isso quer dizer que, embora o tempo se faça ligeiro em sua passagem, certas paradas nossas cá embaixo, para olhar o céu, garantem, a quem tiver olhos para ver e coração para sentir, um dia cheio de boas promessas.

Então, bom dia! Que o sorriso que o sol pintor me brindou nesta manhã continue a iluminar o seu dia.
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RENATO BENVINDO FRATA, nascido em Bauru/SP é um dos principais pilares contemporâneos da cultura de Paranavaí (onde se radicou) e de todo o Noroeste do Paraná. Paranaense por adoção, ele consolidou uma trajetória sólida que une o rigor do ambiente acadêmico e jurídico à sensibilidade das crônicas e contos do cotidiano. A atuação profissional de Renato Frata é marcada por múltiplas frentes técnicas e intelectuais: Atua firmemente como advogado na região; Também possui formação e exerceu atividades como contador; Dedicou grande parte de sua vida ao ensino superior como professor universitário, encontrando-se atualmente aposentado das salas de aula.
O interesse de Frata pela literatura surgiu "desde moleque" por influência direta do pai e do irmão, que eram grandes leitores. Começou arriscando versos ao se apaixonar na adolescência, migrando mais tarde para a prosa, gênero no qual se consagrou. Sua caminhada é pontuada por conquistas institucionais e premiações: Na década de 1990, seu conto A Pá de Polenta foi premiado no renomado FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí), dando um impulso definitivo à sua carreira pública de escritor. Fundador e presidente de honra da ALAP (Academia de Letras e Artes de Paranavaí), instituição que já presidiu por diversas gestões e onde continua engajado na promoção cultural local. O autor escreve de forma disciplinada, utilizando crônicas e contos para registrar memórias da infância e observações do dia a dia. Suas crônicas circulam frequentemente em veículos de imprensa da região, como o Diário do Noroeste (https://diariodonoroeste.com.br/).
Principais obras publicadas: A Pá de Polenta (Conto expandido focado em memórias de infância); Reflexão dos Cinquenta (Contos); O Sapo Chorão e Rosso Saladete, o Intrépido Tomate (Obras voltadas ao público infantojuvenil); Fragmentos (Livro que reúne 102 crônicas e excertos lançado originalmente em 2022/2023); Crepúsculos Outonais (Coletânea de contos e crônicas lançada em 2025)
A relevância de Renato Benvindo Frata transcende as páginas de seus livros, gerando impactos profundos no ecossistema cultural do Paraná: Seu livro Reflexão dos Cinquenta carrega o marco histórico de ser a primeira obra literária solo publicada por um escritor radicado em Paranavaí, abrindo as portas do mercado editorial para outros talentos locais. Cronista do cotidiano do interior. Suas narrativas capturam a sensibilidade da vida no campo, as tradições familiares e a evolução urbana do Noroeste do estado. Ao fundar e capitanear a ALAP, ele ajudou a tirar Paranavaí do isolamento literário, integrando a cidade em encontros estaduais de academias e promovendo o intercâmbio de novos autores com o público universitário e escolar.

Texto enviado pelo autor.