Elias Pescador (São Paulo/SP)
Manhãs são novos começos,
festas da vida, alvorada,
da fé que não vê tropeços,
mas a luz no fim da estrada...
Existe um otimismo invencível escondido no tilintar da xícara de café logo cedo. Enquanto o resto do mundo ainda se espreguiça sob os lençóis da dúvida, a manhã se levanta com a petulância de quem ignora os erros de ontem. A trova que celebra o amanhecer como uma "festa da vida" não fala de um evento de gala, mas dessa celebração silenciosa que acontece quando a luz rasga a cortina e nos convida para o baile da existência.
A manhã é o rascunho em branco que o destino nos entrega todos os dias. É o momento em que a alma se calça de uma fé teimosa, aquela que, como diz o verso, "não vê tropeços". Não é que os buracos no caminho tenham sumido durante a noite; é que, sob o brilho da alvorada, a nossa visão se ajusta para focar no destino, e não nos calhaus que tentam nos deter. A luz da manhã tem esse poder de higienizar o espírito, lavando o cansaço da véspera com o orvalho da esperança.
Viver cada amanhecer como um "novo começo" exige uma certa inocência. É preciso esquecer, por um instante, as estatísticas, os boletos e as notícias cinzentas, para acreditar piamente que hoje as coisas podem ser diferentes. A luz no fim da estrada, mencionada pelo poeta, não é um farol distante e inalcançável; é o sol que já está batendo no rosto, provando que a caminhada vale a pena simplesmente porque a estrada continua ali, aberta e convidativa.
Se a vida é uma sucessão de tropeços, a manhã é o mestre que nos ensina a levantar. Ela nos lembra que o tempo não é uma linha reta que se esgota, mas um ciclo de renascimentos. A cada alvorada, recebemos o alvará de soltura das nossas próprias falhas.
Que saibamos honrar essa festa diária. Que ao abrir a janela, a gente não veja apenas o trânsito ou a rotina, mas a oportunidade monumental de ser uma versão mais luminosa de nós mesmos. Afinal, para quem tem a luz no fim da estrada como guia, o caminho deixa de ser um fardo e passa a ser, ele próprio, a recompensa.
Qual é o pequeno ritual da sua manhã que mais te ajuda a sentir esse "novo começo" e renovar a sua fé para o dia?
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca.
Nasceu em São Paulo (SP), sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar.
Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importante veículo de informação literária, o seu blog Singrando Horizontes já alcançou a marca inédita de 5 milhões de leitores e 20 mil publicações. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título de mérito das Letras, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.
É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.
(José Feldman. Caleidoscópio da Vida. vol. 2. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine., 2026)

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