sexta-feira, 31 de julho de 2026

Renato Benvindo Frata (Qualidades)


Há homens que deixam pegadas. Há outros que deixam rastros.

Entre ambos está o aspecto das marcas. Umas profundas e seguras. Outras são riscos disformes, com aparência de arranhões, mas que maculam.

O interessante é que essas marcas não são feitas por esse ou aquele com uso de ferramenta. Nem as diferenciam a roupa, a profissão ou a cifra do saldo bancário. O que as define são as personalidades e os atos na sociedade: perante a família, os amigos e até junto ao Estado, enquanto cidadãos.

Exemplos? Basta ligar o rádio, ver a televisão, rolar as redes, abrir o jornal pela manhã, folhear a revista na banca.

Esses meios indicarão os nomes em evidência, os feitos e os defeitos que garantem olhares curiosos. E furiosos, conforme o caso. E de desconsolo também, quando o fato é desvio daquilo que deveria ser cuidado.

Um punhado dessas notícias aparece na primeira olhada. Se aprofundar a pesquisa, encontra uma carroceria delas. Tão grandes e fortes serão os rastros em linha vacilante.

O barro pisado acumula pequenas cristas. Suas bordas, ainda em processo de desmoronamento, denunciam a travessia recente. Porque quando se faz o que não se deve, por mais leve que se tente pisar, a marca fica.

Nomes importantes não só da política, mas do empresariado e até do judiciário — incluindo-se consortes, apaniguados, parentes e afins — transformam-se por esquemas financeiros e relações nebulosas com o poder.

Tudo isso associado a termos como compra de influência, lavagem de dinheiro, corrupção, monitoramento de pessoas, mesadinhas, jatinhos de luxo, farras gigantescas, coação e outros expedientes como os “empréstimos sem obrigação de pagamento”.

No fim, a indignação. Mesmo que se tente apagar essas pegadas, a memória as preserva. Porque não há fortuna, cargo ou influência capazes de encobrir, para sempre, a verdadeira natureza de um homem.

As qualidades não se proclamam em discursos nem se penduram como medalhas. Revelam-se na honestidade dos pequenos gestos, na palavra cumprida, no respeito, na correção de atos mesmo quando ninguém está observando.

São elas que fazem das pegadas um caminho digno. E impedem que a vida se transforme em rastro de lama, como nos tempos vistos, dos quais os sensatos, com a sensação de asco, desviam o olhar. E se repugnam.
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RENATO BENVINDO FRATA, nascido em Bauru/SP é um dos principais pilares contemporâneos da cultura de Paranavaí (onde se radicou) e de todo o Noroeste do Paraná. Paranaense por adoção, ele consolidou uma trajetória sólida que une o rigor do ambiente acadêmico e jurídico à sensibilidade das crônicas e contos do cotidiano. A atuação profissional de Renato Frata é marcada por múltiplas frentes técnicas e intelectuais: Atua firmemente como advogado na região; Também possui formação e exerceu atividades como contador; Dedicou grande parte de sua vida ao ensino superior como professor universitário, encontrando-se atualmente aposentado das salas de aula.
O interesse de Frata pela literatura surgiu "desde moleque" por influência direta do pai e do irmão, que eram grandes leitores. Começou arriscando versos ao se apaixonar na adolescência, migrando mais tarde para a prosa, gênero no qual se consagrou. Sua caminhada é pontuada por conquistas institucionais e premiações: Na década de 1990, seu conto A Pá de Polenta foi premiado no renomado FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí), dando um impulso definitivo à sua carreira pública de escritor. Fundador e presidente de honra da ALAP (Academia de Letras e Artes de Paranavaí), instituição que já presidiu por diversas gestões e onde continua engajado na promoção cultural local. O autor escreve de forma disciplinada, utilizando crônicas e contos para registrar memórias da infância e observações do dia a dia. Suas crônicas circulam frequentemente em veículos de imprensa da região, como o Diário do Noroeste (https://diariodonoroeste.com.br/).
Principais obras publicadas: A Pá de Polenta (Conto expandido focado em memórias de infância); Reflexão dos Cinquenta (Contos); O Sapo Chorão e Rosso Saladete, o Intrépido Tomate (Obras voltadas ao público infantojuvenil); Fragmentos (Livro que reúne 102 crônicas e excertos lançado originalmente em 2022/2023); Crepúsculos Outonais (Coletânea de contos e crônicas lançada em 2025)
A relevância de Renato Benvindo Frata transcende as páginas de seus livros, gerando impactos profundos no ecossistema cultural do Paraná: Seu livro Reflexão dos Cinquenta carrega o marco histórico de ser a primeira obra literária solo publicada por um escritor radicado em Paranavaí, abrindo as portas do mercado editorial para outros talentos locais. Cronista do cotidiano do interior. Suas narrativas capturam a sensibilidade da vida no campo, as tradições familiares e a evolução urbana do Noroeste do estado. Ao fundar e capitanear a ALAP, ele ajudou a tirar Paranavaí do isolamento literário, integrando a cidade em encontros estaduais de academias e promovendo o intercâmbio de novos autores com o público universitário e escolar.

Fonte:
Texto enviado pelo autor.

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