segunda-feira, 27 de julho de 2026

Asas da Poesia * 206 *

Imagem criada com IA Microsoft Bing

Trova de
LUIZ POETA
(Luiz Gilberto de Barros)
Rio de Janeiro/RJ

Fazer trova? Que alegria!
É poesia que se injeta
na veia da fantasia
da inspiração do poeta.
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Poema de
JOSÉ FELDMAN
Floresta/PR

Vivendo um Mundo de Ilusões

Viver num mundo feito de quimeras,   
onde o real não pode me alcançar,   
é construir castelos e esferas,   
que o vento insiste em sempre derrubar.   

Os olhos veem o que o coração deseja,   
a vida veste o ouro que não tem,   
e cada sonho, ainda que fraqueja,   
transforma a dor em algo que vai além.   

No palco falso de brilhos e miragens,   
eu danço, leve, sem medo de cair,   
pois, mesmo sendo frágeis as paisagens,   
há liberdade em poder fingir.   

As ilusões são doces, mas traiçoeiras,   
prometem tudo e nada vão deixar,   
e quando caem, deixam suas poeiras,   
que um coração ferido vai guardar.   

Mas, se o real é duro e tão escasso,   
prefiro a máscara que posso usar,   
pois, entre enganos, vivo e faço o passo,   
de quem só quer o sonho habitar.   
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Poema de
ÓGUI LOURENÇO MAURI
Catanduva/SP

Vigie seu verbo!

Precavenha-se da ação irrefletida,
deixe de maledicência contumaz;
esta, tão danosa no marchar da vida,
de você um mau-caráter ela faz.

Policie o pensamento com rigor,
analise o que você tem a dizer.
Por palavras, que não seja um infrator;
tenha calma, Deus ajuda a proceder.

Fale manso quando for dialogar, 
que seu tom de voz não seja uma barreira;
se a concórdia sempre nos cabe buscar,
por que não o fazer da melhor maneira?

Não se inflame e se contenha na eloquência,
o silêncio muitas vezes ganha a luta;
vencedor sai quem, com múltipla frequência,
fica mudo no calor de uma disputa.

Persevere com seu gênio agradável,
pois má índole só causa desatino.
Tenha em conta que um caráter responsável
traz sadia formação em seu destino.
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Trova de
PAULO CEZAR TÓRTORA
Rio de Janeiro/RJ

O meu tristonho poente
transformou-se em paraíso,
quando encontrou, de repente,
a aurora do teu sorriso.
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Soneto de
JERSON BRITO
Porto Velho/ RO

Mágico portal

Cintilam fagulhas na grande cortina 
que tem pendurado vistoso pingente
e bailam chumaços, a brisa envolvente 
desenha nos ares moldura divina.

A luz que atravessa a vidraça ilumina 
o riso marcado no rosto inocente,
transforma a janela em portal novamente,
o quadro resplende envolvido em neblina.

Assim, o bordado de estrelas e lua
enfeita o infinito, fascina, flutua,
profundas veredas do espírito alcança.

A noite celebra a ternura da imagem:
os sonhos alegres, pedindo passagem,
aos poucos, dominam o olhar da criança...
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Soneto de
LUCIANO DÍDIMO
Fortaleza/CE

As pedras no meio do caminho

As pedras que aparecem no caminho,
tentando atrapalhar meus pobres passos,
muitas vezes se tornam descompassos
e furam os meus pés igual espinho.

Mas não serão a causa de fracassos
as pedras desviadas com jeitinho,
se todos os percursos, esquadrinho,
eu consigo pisar em bons espaços.

Entre as pedras, encontro alguns regalos,
por isso a cada passo louvo e brindo,
são triunfos, preciso celebrá-los.

E assim, saltando pedras, vou seguindo,
calçado nas feridas e nos calos,
pois sei que no final serei bem-vindo!
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Trova de
MASSILON SILVA 
Aracaju/SE

Seu porte de realeza
e este seu dom de encantar,
igualam sua beleza
à de uma aurora polar.
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Soneto de
EDY SOARES
Vila Velha/ES

Menino de rua

Seu olhar se fechou para o mundo dos vivos,
e velório não houve, e não houve lamento...
sem um nome sequer que constasse em arquivos,
sepultaram-no, enfim, sem qualquer sentimento.

Não trazia consigo os sinais delitivos,
que se pode encontrar em um mau elemento
e se aos vícios letais, em momentos furtivos
se entregou foi, talvez, por faltar o alimento.

Ah, menino, quem sabe haja mesmo um lugar
onde quem morre aqui possa rir e brincar
sem dormir ao relento e morrer flagelado!

Seu olhar se fechou para um mundo cruel;
se ganhou um brinquedo ou um lar, foi no Céu,
pois na Terra viveu, mas  sequer foi notado!
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Trova de
GIVA DA ROCHA 
São Paulo/SP

O rosicler desta aurora
e o renascer deste sol
trazem saudade de outrora,
de um lindo e antigo arrebol!
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Soneto de
SILMAR BOHRER
Itapoá/SC

Oh! Magia

Ninguém a desafinar,
a orquestra cedo cantando,
corruíras, tico-ticos, sabiá,
joão-de-barro, bem-te-vi vibrando.

Uma sabatina em festa
então cá(aqui) amanheceu,
os passarinhos na sua gesta
dão ao mundo o que Zeus lhes deu.

Eis-me loguinho a perguntar
nesta insólita romaria
em que vamos nós a navegar,

Que outra mágica magia
haverá que se possa igualar
aos passarinhos em sinfonia.
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Soneto de
ERIGUTEMBERG MENESES
Blumenau/SC

Uma manhã

Uma manhã nascendo de uma rosa
Iluminando a doce primavera
Do rosto é a última quimera
A granjear minha alma ansiosa.

Dois sóis em vibração harmoniosa
Suspensos pelos ramos de uma hera
Do paraíso dá toda atmosfera
Dessa manhã de classe radiosa.

Um anjo incendiou-se em vertigem
E humanizou-se neste corpo virgem
A se render impávida a meus cortejos?

Em minhas mãos decai o anjo e tenho
De uma mulher em gozo todo o empenho
Da manhã orvalhada de desejos.
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Trova de
OLGA MARIA DIAS FERREIRA 
Florianópolis/SC

Albores da juventude
traçam a aurora da vida;
lentos passos, senectude
preconizam a partida.
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Bem assim…

Daquele “ontem” sem vida,
restou a  triste saudade!
Essa maldita que me invadiu
o coração... num salto...
Bem sei, ele não suportará, 
tamanha e degradante 
se fez a adversidade
que dentro em  breve 
e, aos goles poucos, 
me aniquilará…
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Poema de
TELMA BRILHANTE
Recife/PE

Outono

não me sinto aquela
que se mirou no espelho
e se viu menina
as rugas precipitaram
o ocaso nebuloso
cinzento
de folhas murchas

quisera que o tempo
desvendasse todos
os segredos
e me devolvesse a paz
de que minha alma
necessita
para flutuar em mim
e me dizer aqui estou
– sempre estive -
maturando incertezas.
= = = = = = = = = = = = = =  

Soneto de
RICARDO CAMACHO
Rio de Janeiro/RJ

Vigília eterna

Enquanto vago numa escura bolha,
Sob o estelário deste céu profundo,
Conclamo "ó luz de prata" que me acolha,
Imerso pela insônia do meu mundo.

É madrugada! Cai mais uma folha
No chão que espelha a treva, o abismo fundo
Chamando o meu olhar sem luz e escolha,
Refém do imaginário astral, fecundo.

Acorrentado na vigília eterna,
Não sinto os passos nem a minha perna
Na escuridão que nunca vai embora...

E enquanto, no horizonte, a flor dourada
Não despontar no palco da alvorada,
Aumenta o meu desejo pela aurora.
= = = = = = = = = = = = = =  

Poema de
TELMA REGINA DA SILVEIRA NOGUEIRA 
Juiz de Fora/MG

Saudades da terra

Meus pensamentos viajam,
Ao longe vão te encontrar.
Sonhos que pela vida ecoam,
Sonhos que vou buscar

Casa pequena, mas um lar,
onde se vê o Sol nascer.
Floresta de perfume a rodear,
É essa casa que quero ter.

Meus pensamentos e ais
procuram te alcançar,
O cheiro das flores e dos currais,
cheiro da terra a cultivar

Minhas lembranças vagueiam
E me levam a escutar
Canto de pássaros e de carros de bois
Canto do caboclo a meditar.

Tudo isto são saudades.
Saudades que c bom lembrar.
E por senti-las tão forte
Pra terra eu quero voltar.
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Poema de
NELCI LOURDES BACK OLIVEIRA
Porto Xavier/RS

Aviãozinho de papel

Dentro da mochila
Meu aviãozinho prateado
Se torce e retorce
Com uma asa dobrada.

Desamassei a asa
Falei do luar
O aviãozinho agora
Só quer voar.

Encheu-se de alegria
Meu aviãozinho de papel
E num impulso
Subiu para o céu.

O aviãozinho prateado
Não quer mais voltar.
Para a Lua sorriu!
— Meu aviãozinho eu quero pilotar.
= = = = = = = = = = = = = =  

Poema de
MAURILIO TADEU DE CAMPOS
Santos/SP

Poeta

No exílio branco
das folhas brancas
a escrita disforme
distorce, levemente,
a pena.

As dores corroídas,
contidas no silêncio,
mantidas em cada verso,
escondem a dor do poeta,
embora esteja
a descoberto, relevado
pelas forças desarmadas,
inúteis e gastas,
mantidas no cerne carcomido,
encarceradas nos porões
do coração descompassado
do trovador envelhecido.
= = = = = = = = = = = = = =  

Soneto de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR

Discreta madrugada

Horas intensas… Quando o labor se atenua,
a tarde lenta, pouco a pouco, traz benesse,
na trégua… E o pôr do sol, que encanta e desfalece,
põe noite na cidade e campo… estrada e rua.

Vestida em véu de prata, abraça a luz da lua;
nublada ou estrelada, induz à grata prece.
Na madrugada fria o orvalho se intumesce,
mas o silêncio impera e a calma se acentua.

O sono, um bem previsto e envolto em parcimônia,
às vezes, foge e deixa atrás de si a insônia
que atrai a angústia, o pranto e a mágoa, noite afora…

E a saudosista, triste e longa madrugada 
– do amor, a testemunha, “in loco,” e a mais calada –
se desvanece, toda, ante o irromper da aurora!
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Poema de
MÁRCIA MARIA RODRIGUES LOPES RIGATO
Promissão/SP

Deu no que deu

Embriaguei o tempo. Ou ele me embriagou?
E ficamos revirados, desmontados um sobre o outro,
Na noite que não terminou.
E rimos, rimos muito, gargalhadas de embebedados,
Sobre as trapalhadas todas, crises de identidade,
Crises sobre a idade, saudade.
Tiramos sarro na cara um do outro,
Baforadas de álcool, atiramos,
Insuportável cheiro de álcool.
Estômago e íntimo revirados,
Depois, ressaca. Arrependimento.
Fui brindar com o tempo.
Fui brincar com o tempo.
Mas ele não brincou.
Aproveitou-se do meu momento de fragilidade,
E passou sobre minhas vontades,
Dei muita chance ao tempo, muita liberdade,
Muito tempo ao tempo.
= = = = = = = = = = = = = =  

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