quarta-feira, 29 de julho de 2026

Raquel Pivetta (A família do século XXI)


A sociedade mudou. As famílias que eram tradicionalmente formadas pelo modelo nuclear (casal com filhos) estão ganhando novas configurações. É casal que não quer ter filho, é filho que não quer casar, é casal sem filhos que adota um animal de estimação, é família monoparental, é família reconstituída, é casal de pessoas do mesmo sexo, e assim são formadas as famílias modernas.

Atrelada a essa variedade de arranjos, uma realidade inevitável: famílias cada vez mais enxutas. Segundo o Censo do IBGE de 2022, a família brasileira encolheu, em média, para menos de três pessoas por domicílio.

Diante desse novo cenário de diversidade e flexibilidade, não dá para continuar com a mesma mentalidade de décadas atrás. Já deu para perceber que a sociedade está em constante movimento. É dinâmica. Muda em virtude de uma interação complexa de fatores econômicos, sociais, políticos, tecnológicos. É a mulher conquistando o mercado de trabalho, é o aumento do custo de vida, é a mudança nas normas e nas legislações de família, é a facilidade de acesso a informações.

Então, é preciso estar atento e adaptável às mudanças de tempo, às marés de transformação que movimentam a sociedade. É preciso compreender e aceitar esses fenômenos, sob pena de ser arrastado pelas ondas enquanto está mergulhado na inércia; ou, o que é pior, enquanto espera na fila do orelhão, impaciente, como este sujeito aí:

— Mas que canseira… — murmura seu Constantino. — Essa fila que não anda!

O tempo não para, o tempo corre, o tempo muda, o sol ressurge, e o seu Constantino se mantém estático na fila do orelhão, esperando a sua vez.
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RAQUEL MACHADO PIVETTA é uma cronista, revisora de textos e analista de sistemas contemporânea. Diferente de nomes canônicos e históricos do Modernismo (como Cecília Meireles), ela representa uma vertente de autores independentes que conciliam com maestria carreiras na área de tecnologia e exatas com a sensibilidade da escrita literária e o amor pela língua portuguesa. Vive e atua em Brasília. Graduou-se em Análise de Sistemas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Especializou-se em Sistemas Orientados a Objetos pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Possui ampla experiência prática na área técnica, trabalhando com ferramentas de Business Intelligence (BI), Data Studio e Power BI. Unindo a lógica da tecnologia à paixão pela linguagem, buscou formação especializada e concluiu pós-graduação em Revisão de Texto também pelo UniCEUB. É a idealizadora e fundadora do portal e perfil intelectual Viva Gramática. O espaço nasceu do desejo de criar um ambiente digital leve para discutir a norma culta, compartilhar artigos, dicas de português e crônicas autorais fora dos moldes rígidos das gramáticas tradicionais.
Dedica-se predominantemente à crônica e a contos curtos. Sua escrita é marcada pelo tom confidencial, pelo uso de ironias finas e pela observação minuciosa do cotidiano, abordando a maturidade, as relações humanas e dilemas modernos. É vinculada ao ecossistema da Plataforma de Escritores iniciativa ligada ao programa Formação de Escritores e Oficinas de Escrita Criativa). Por ser uma autora contemporânea focada em publicações digitais, jornalísticas e independentes, Raquel não pertence às academias tradicionais de letras (como a ABL) e não possui registros de prêmios literários institucionais de grande porte históricos. Sua validação ocorre diretamente por meio de leitores digitais e coletividades literárias modernas.
É autora da obra Crônicas agudas, café sem açúcar e outras ironias, coletânea que sintetiza seu estilo literário focado em extrair humor e verdades das rotinas cotidianas; Crônicas Notórias: Entre seus textos amplamente divulgados em seu portal e redes estão: "A sina de Sara" (uma releitura contemporânea do clássico conto "Um homem célebre", de Machado de Assis); "Fogacho coletivo" (uma reflexão bem-humorada sobre a chegada aos cinquenta anos e a quebra de tabus femininos); "Ele tem suas virtudes"; "Só se for...".
A relevância de Raquel Pivetta reside em mostrar que as barreiras entre a lógica da computação e a sensibilidade da escrita criativa são perfeitamente transponíveis. Ela representa a nova geração de produtores de conteúdo que utiliza plataformas digitais para democratizar o acesso à boa literatura e ao uso correto da língua. Sua contribuição literária se dá na preservação da crônica — um gênero tipicamente brasileiro — adaptado aos tempos de redes sociais, provando que reflexões profundas e humor inteligente ainda encontram espaço em meio ao imediatismo da internet.

Fontes:
Viva Gramática. 09.12.2023
https://vivagramatica.com.br/a-familia-do-seculo-xxi/
Biografia: Viva Gramática, Plataforma de Escritores, Escrita Criativa, etc.

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