FERREIRA GULLAR (José de Ribamar Ferreira) foi um dos maiores e mais influentes intelectuais brasileiros do século XX., que marcou a história cultural do país como poeta, crítico de arte, tradutor, ensaísta e dramaturgo. Nasceu em 1930, na cidade de São Luís/MA, e faleceu em 2016, aos 86 anos, no Rio de Janeiro/RJ, em decorrência de problemas respiratórios causados por uma pneumonia.
Trabalhou em diversas frentes da comunicação e das artes Começou na juventude como radialista na Rádio Timbira, em São Luís. Atuou como jornalista, cronista e revisor em veículos de prestígio, como o Diário de São Luís e o Jornal do Brasil. Consagrou-se internacionalmente como crítico de arte, defendendo as vanguardas plásticas no país. Foi um engajado ativista político filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que provocou sua perseguição e posterior exílio (na União Soviética, Chile e Argentina) durante a ditadura militar. A trajetória literária de Gullar foi marcada por profundas transformações estéticas. Iniciou sua poesia dentro dos moldes clássicos da geração de 1945. Na década de 1950, integrou e rompeu barreiras estéticas com a poesia concreta. Descontente com o excesso de rigidez racional do concretismo paulista, liderou e redigiu em 1959 o famoso Manifesto Neoconcreto, priorizando a subjetividade e o dinamismo da palavra. A partir dos anos 1960, uniu o rigor de suas experimentações estéticas a uma forte consciência social, voltada à realidade do povo brasileiro.
Principais Livros Publicados: Um Pouco Acima do Chão (1949); A Luta Corporal (1954) — Poesia de vanguarda que abriu caminho para o Concretismo; Dentro da Noite Veloz (1975) — Coletânea de forte tom lírico e engajamento político; Poema Sujo (1976) — Escrito na clandestinidade em Buenos Aires, é considerado a sua obra-prima máxima; Muitas Vozes (1999) — Reflexões maduras sobre o tempo, a memória e a própria linguagem; Em Alguma Parte Alguma (2010) — Último livro de poesia lançado em vida.
Foi eleito em outubro de 2014 para a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira nº 37. Recebeu também o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Letras da UFRJ. Ganhou o prestigiado Prêmio Camões em 2010 (o maior reconhecimento da língua portuguesa). Conquistou também múltiplos prêmios Jabuti (incluindo Livro do Ano por Em Alguma Parte Alguma) e o Prêmio Machado de Assis concedido pela ABL. Em 2002, chegou a ser formalmente indicado ao Prêmio Nobel de Literatura.
A relevância de Ferreira Gullar reside na sua capacidade única de equilibrar a inovação estética radical com a emoção humana e a denúncia social. Ele tirou a poesia do plano puramente acadêmico e a levou para as ruas, integrando-a ao debate político do país sem abrir mão do rigor técnico. O seu Poema Sujo se tornou o ápice da literatura de resistência contra a ditadura militar, traduzindo a dor coletiva do exílio e as memórias brasileiras em versos viscerais e inovadores. Gullar transformou a palavra em um organismo vivo, garantindo que o fazer poético estivesse sempre em simbiose com as transformações culturais e históricas do Brasil.
Fontes = Wikipedia, Academia Brasileira de Letras, Colégio Recanto, Ebiografia, Universidade Federal do Paraná (acervo digital), Brasil Escola, etc

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