Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ialmar Pio Schneider (Homenagens Póstumas em Soneto) 1


SONETO A RALPH WALDO EMERSON
poeta e pensador

Faleceu em 27.4.1882 – In Memoriam


Sendo filósofo e poeta nobre
cantou a natureza das herdades;
soube, também, como o escultor descobre
a estátua mais perfeita e nas verdades

que perquiriu, percebeu desdobre,
aos seus momentos de perplexidades…
Afirmou que nossa leitura é pobre
e que viajar são simples veleidades…

Mas no rol da genial Filosofia
que abrange seus escritos e a poesia
que nasce de permeio aos pensamentos,

qual um gigante americano, Emerson,
foi como um construtor neste Universo,
que soube demonstrar os seus talentos !

SONETO A MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - In Memoriam
Morte em Paris em 26.4.1916

Dedicou-se a poetar sobremaneira;
deixa Coimbra e busca ser feliz
na França e na fantástica Paris,
tem a poesia como companheira…

Na vida breve, sua lida inteira
foi de poeta um céptico aprendiz;
e tanto persistiu e tanto quis
o ser, até na hora derradeira.

Cultuou o soneto, foi moderno,
e a Fernando Pessoa, seu amigo
e confidente, escreve cartas duras…

Outras vezes, porém, foi homem terno,
e sem explicação levou consigo
à tumba sepulcral, as desventuras…

SONETO AO POETA ÁLVARES DE AZEVEDO - IN MEMORIAM
Falecimento em 25.4.1852

Tua formosura cândida e mimosa
que me deslumbra os olhos e fascina,
é a luz esplendorosa entre a neblina
de minha vida triste e tenebrosa.

A face levemente cor-de-rosa,
os cabelos, a boca purpurina,
os negros olhos, a cintura fina,
oh que beleza de mulher formosa !

Por ti somente coroei de flores
os sonhos lindos que vivi contigo,
e suspirei em meio aos esplendores

que ornamentavam tua fronte linda.
Por ti somente, meu anjinho amigo,
- (eu vivo agora e viverei ainda) !

SONETO A WILLIAM SHAKESPEARE – IN MEMORIAM –
data do nascimento e morte do grande escritor, 23 de abril.

O fenômeno da Dramaturgia
William Shakespeare foi poeta,
cujos versos plenos de harmonia,
me suscitam a plástica de esteta…

São criações da mais alta poesia,
seus versos quais os salmos de profeta,
representam, além da fantasia,
as sublimes paixões de um´alma inquieta.

Para a Musa, a quem dedicou seu canto,
deixou a profecia que perdura
por séculos afora sem quebranto;

pois ela ficará neste Universo,
como a mais cativante criatura,
durante o tempo em que viver seu verso…

SONETO A TIRADENTES – IN MEMORIAM –
Morto em 21.4.1792

Nós estamos em pleno mês de abril,
quando reverenciamos com sapiência,
nosso Mártir maior da Independência,
o heróico Tiradentes varonil…

E demonstrando um forte amor febril,
não temeu entregar sua existência,
com denodo cabal e paciência,
querendo a liberdade do Brasil.

Há de permanecer sua memória,
com respeito de todas as nações,
porque jamais se apagará da História…

Exemplo de coragem inaudita,
representa às futuras gerações,
a imagem que será sempre bendita…

SONETO A AUGUSTO DOS ANJOS – IN MEMORIAM
Nascimento em 20 de Abril de 1884

Leio seus versos de poeta ousado,
e me comovo com a verve forte,
que se deprime qual um condenado,
a cada instante lamentando a sorte.

Mas foi um grande, embora desgraçado,
sem ter um lenitivo que o conforte,
em cada verso um passo encaminhado
rumo ao destino que o esperava: a morte !

E sendo um vândalo destruidor,
andou por “templos claros e risonhos”,
como num pesadelo com pavor…

Então, num ímpeto de iconoclastas,
“quebrou a imagem dos seus próprios sonhos”,
“erguendo os gládios e brandindo as hastas”!

SONETO PARA AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT - IN MEMORIAM
Data de nascimento do poeta em 18.4.1906

Sonetos vívidos de verso branco
trazem imagens do cotidiano,
o vate-poeta sincero e franco,
às vezes não esconde um desengano…

Seus poemas messiânicos são cânticos
que me suscitam o louvor dos salmos
evangélicos, bíblicos, românticos,
para se apreciar nos dias calmos…

“Eu vi a morta, Senhor !” Mas por que
sentir este tristor quando se vê
alguém que já partiu pra eternidade?

Foi o Poeta do Galo Branco assim
sentimental… chorava o triste fim
daquela que o deixava na saudade…

Fonte:
Colaboração de Ialmar Pio Schneider
Imagem = http://medievalegends.blogspot.com

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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