Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Roberto Pinheiro Acruche (Meus Poemas Nº 11)


SONHOS NAUFRAGADOS

Um peixinho prisioneiro
fora do seu hábitat
sofre no cativeiro
olhando as águas do mar.

Vendo a sua sombra
em outro plano a nadar
imagina não estar só
preso naquele lugar.

Ao vê-lo assim, imagino,
para onde irão levá-lo
e quantos sonhos ficaram
lá no fundo do mar.

Assim vive tanta gente
pelo mundo a lamentar
em aparente liberdade,
prisioneira... e na verdade,
sem o direito de sonhar!

A PRIMEIRA VISTA

Quando a vi, pela primeira vez,
os meus olhos traduziram: é ela...
Não havia mais dúvidas... nem talvez...
Apaixonei-me pelo seu encanto,
pelo porte, pela alegria que irradiava.

Foi o amor que deflagrou, como um raio
que se arroja durante a tempestade;
invadindo-me o peito,
se alojando no coração.

Procurei viver esse amor... e vivi!
Nele encontrei a explosão da felicidade.
Era como ver toda a beleza do universo
ao mesmo tempo; sonhar o sonhos mais lindos,
descobrir todos os mistérios da magia,
mergulhar num mar de flores,
de poesias e fascinação.

Agora, tudo está acabado,
estou pagando os meus pecados
e o que detona dentro do peito,
é a saudade!

INDAGAÇÕES

Por que chora em meus braços
perdida nos abraços
quando mais intenso
é o nosso enlace?

Por que esta lágrima sentida,
sofrida, que encharca o seu rosto
precisamente no momento
que o prazer atinge e
invade todo o seu ser?

Por que arrasta o lençol
se cobrindo parcialmente
e anda para disfarçadamente
continuar a enxugar
as lágrimas incontidas?

De maneira dissimulada
esboçando um sorriso,
volta a me abraçar
e responde: Nada não, bobagem!

IPÊ AMARELO

Postado na janela
da casinha onde morava,
de longe eu olhava
para uma árvore seca,
morta, entre tantas outras
de folhagem espessa e exuberante.
Admirava cada uma daquelas
com seus contornos e ramagem multiverde
que instituíam um quadro fascinante,
primorosamente desenhado pela natureza...
E apiedava daquela cujo tronco,
aparentemente infecundo
e galhada totalmente desfolhada,
feia, desfigurada,
que certamente seria cortada,
em lenha transformada,
para alimentar o forno de alguma bolandeira.
Outro dia,
quando voltava à vista para a mesma direção,
um novo visual me chamou a atenção;
deparei-me com uma aquarela;
e aquela árvore de galhada seca, estava florida,
unicolorida, totalmente amarela...
Encantadoramente bela!
Os meus olhos em princípio,
diante da admiração,
ficaram nela fixados;
depois buscavam em todas as direções
algo que pudesse ser comparado
com tamanha perfeição.
O seu brilho parecia reluzir
como se fosse ela
uma estrela entre as outras espécies.
A sua cor destacava-se,
a beleza refletida era tão fascinante e divina,
que por bucólica sina
acreditei, entre os devaneios meus,
estar assistindo mais do que uma obra prima da natureza;
e que ali, só poderia estar repousando,
a sublime luz de Deus!

Fonte:
Colaboração do Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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