Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 22 de dezembro de 2012

Antonio Brás Constante (Acredite, Você Também é uma Bomba)


A diferença entre você e uma bomba atômica é que você (até onde se sabe) não dispõe dos mecanismos necessários para partir ou unir os átomos que compõe este seu corpinho de primata com ares de inteligente, fazendo com que eles estourem (independente da quantidade de batata-doce ou repolho que você tenha comido) gerando toda aquela conhecida onda de devastações já apresentada ao mundo durante a segunda guerra mundial e em alguns filmes adorados pelo público e odiados pela critica entendida (composta por alguns poucos e pretensos iluminados que acreditam ter um gosto tão refinado e crítico, que parecem aos nossos olhos leigos como sendo um bando de chatos metidos a intelectuais).

De vez em quando aparece na história de nossa própria história humana algum indivíduo (geralmente ditador, rico e maluco) que, não satisfeito com a impossibilidade de utilizar seus próprios átomos para explodir as coisas, resolve dar ouvidos a sua megalomania interna e começa a brincar de fazer testes com seu arsenal nuclear de estimação, antes que as tais bombinhas percam a validade e tenham de ser jogadas fora, algo que poderia ser encarado com um desperdício do dinheiro público, seja ele ditatorial ou não.

Na teoria louca deste aprendiz de escritor, para poder unir seus átomos e gerar uma poderosa explosão, você teria que ser primeiramente recheado com isótopos de hidrogênio (deutério e trítio) e depois socado dentro de uma bomba atômica (cercado de urânio por todos os lados), e talvez quando ocorresse à explosão da bomba, devido aos fatores que causam a fissão nuclear do urânio, seu recheio de átomos poderia vir a se confundir e se fundir, buscando o caminho inverso da fissão, entrando nessa dança de destruição, desencadeando explosões do mesmo modo que fazem os átomos de hidrogênio digamos “tradicionais” de uma bomba H.

Um átomo de hidrogênio normal (daqueles que não apresentam distúrbios neurológicos por não terem neurônios) tem um próton e nenhum nêutron, já o seu similar, também conhecido como Deutério (que é na verdade um isótopo do hidrogênio), conta com um mesmo próton, porém, já vem equipado com um nêutron, e quanto ao trítio melhor você mesmo buscar informações sobre ele na internet. É justamente estes isótopos que, quando esmagados como se fossem uma banana com canela se unem gerando bem mais energia do que a da tal banana em nosso organismo. E o que sobra desta união, além da colossal energia liberada? Apenas o bom e pacato Hélio (ou algo parecido com isso), que quando utilizado para encher balões de aniversário faz a alegria da gurizada.

Mas quando digo que somos uma bomba, não quero dizer no sentido literal, mas sim no sentido comportamental. Criamos nossas crianças com pensamentos de segregação religiosa, patriótica, e social, entre outras, e ainda chamamos a isto de cultura?

Não nos contentamos em sermos todos terráqueos, temos que nos manter divididos, com divisões dentro de outras divisões, chamando-as de continentes, nações, estados, cidades, municípios, ruas, lares, indivíduos. Achamos-nos superiores as galinhas, vacas e porcos entre tantos outros animais, que sacrificamos todo dia para comer, vestir, caçar, testar medicamentos, de forma atroz e inconseqüente, levando muitos a derradeira extinção. Matamos florestas, pois somos os donos do planeta, ou seria melhor nos chamarmos de parasitas, que se mantêm vivos graças às insignificantes bactérias que residem aos milhares dentro de nós e nem percebemos sua salvadora existência.

Sequer admitimos a hipótese de vida em outra parte do universo, mas ao contrário, acreditamos piamente em reinos do além, feitos para nosso total prazer e felicidade, desde que consigamos fingir uma bondade que não combina com a quantidade de miséria e violência existente neste mundo.

Parece ser mais fácil acreditar em anjos com asas, que libertar dos grilhões da ignorância as asas de nossa própria imaginação, abrindo os olhos para entender o fato que somos filhos da evolução. Nossos átomos já existiam antes de nós e vão continuar imortalizados como poeira das estrelas muito depois de nossa morte.

Algumas religiões acreditam na imortalidade da alma, eu prefiro acreditar na imortalidade do átomo. Talvez você não tenha se dado conta, mas os átomos que compõe seu corpo existem desde os primórdios dos tempos. Lembra da frase: “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, ela também diz respeito à matéria que compõe seu corpo. Parte desses átomos podem já ter estado presentes dentro do olho de um dinossauro, nas correntes marítimas, no tronco das árvores, nas patas de um albatroz. Você não foi o primeiro ser vivo a ter estes átomos e muito provavelmente não deverá ser o ultimo.

Enfim, seus átomos estão unidos de tal forma a garantir sua integridade física, se eles simplesmente se soltassem você se desintegraria, se dissolveria como se deixasse de existir, mas seus átomos mesmo pairando totalmente livres da influência do restante de você, ainda existiriam. Eles acabariam se misturando ao ar, as rochas, a relva. Flutuariam ao espaço, voltariam a ser poeira das estrelas.

Fonte:
Blog do Autor
http://abrasc.blogspot.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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