Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 29 de dezembro de 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 769)



Uma Trova de Ademar  

A minha sogra, assanhada, 
no barracão da mangueira, 
foi muito mais apalpada 
do que laranja na feira!... 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  

É sovina a minha amiga:
se vai à feira gastar
não compra nem uma briga
sem primeiro pechinchar!
–Arlindo Tadeu Hagen/MG– 

Uma Trova Potiguar  

Tudo sobe!... A carestia
na feira já me derruba.
Só não sobe todo dia
o que eu preciso que suba!
–Clarindo Batista /RN– 

Uma Trova Premiada  

2008   -   Nova Friburgo/RJ 
Tema   -   FEIRA   -   1º Lugar 

Na feira, o “seu” Manuel:
– Não vendo nada... Pois, pois!
Mas se esgoela: – Olha o pastel,
pague três e leve dois!
–Lizete Johnson/RS– 

...E Suas Trovas Ficaram  

A minha sogra endiabrada, 
– onça que o diabo me deu, 
devia estar “empalhada” 
na vitrine de um museu! 
–P. de Petrus/RJ– 

U m a P o e s i a  

Minha mulher tem ciúme, 
roga praga e se maldiz; 
desconfia da vizinha, 
tem raiva da meretriz, 
mas, quando eu tiro o pijama, 
esquece tudo o que eu fiz! 
–Domingos Tomás/RN– 

Soneto do Dia  

REFORMA DO ENSINO. 
–Bastos Tigre/PE– 

Mal o Congresso arranja uma reforma 
da Instrução malsinada e miseranda, 
outra já se prepara; e desta forma 
ela de Herodes a Pilatos anda. 

Da mania reinante segue a norma 
(pois que da glória os píncaros demanda) 
e de um grande projeto o esboço forma 
o fecundo doutor Passos Miranda. 

A nova lei ordena que os pequenos 
trilhem com aplicação e com cuidado 
seis anos de científicos terrenos. 

Um parágrafo seja acrescentado: 
— O saber ler é obrigatório; a menos 
que o rapaz se destine a deputado...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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