Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 23 de dezembro de 2012

Olivaldo Junior (Ao Fim de Mais um Ano)


“Mais um ano chega ao fim. Chego também. Mesmo que o tempo seja uma ilusão, é a mais verdadeira que conheço.”

Faltava um ano para o fim deste ano, e estou ao fim de mais um ano. Um ano não é nada na clepsidra, no relógio d’água, de Deus, mas no meu, todo técnico e ilógico, um ano é muito, o muito pra se pensar na vida.

Ao fim de mais um ano, vê-se o povo de volta às calçadas, colegas e amigos na mesma toada: comprar e pagar, contando com o décimo terceiro sal diário. Rio de gente, para um mar de lojas, ninguém à margem, luz.

Mas, no meu peito, ao fim de mais um ano, não é isso que existe. O que existe é um pensar na vida, um viver de andar e ter que usar um pé depois do outro, caminhar. Trabalhei, trabalhei e cumpri o que de mim esperavam. Esperei o que não tive. Tive o que não quis. Não, ainda não há ninguém para fazer a trilha por que meu som passeie. Não consigo achar quem toque para que eu cante. Parece um sonho tão simples, mas todos estão ocupados, com uma vida de que não faço parte. Parte de mim não se conforma. E a outra se revolta. Volta e meia, vivo a dar com os burros n’água. Cada um desses burros sou eu. Burros sem corpo, sem forma, só de ideia. Os ideais nem sempre se realizam. A brisa nem sempre traz sementes.

Tenho muitos conhecidos, muitos contatos, mas ainda não tenho amigos que me cheguem a qualquer hora, sem que seja preciso ligar para saber se estou em casa, sem as tais formalidades que só desfazem as surpresas.

Um violão, que não é meu, me olha dia a dia e me questiona sobre quando vou cantar. “Amanhã, amigo, depois, rapaz...”, digo eu, mas sem saber quando é que vou deixar que o canto se desencante em mim, soando a todos sem parar. Parar. Como é que a gente faz para parar de esperar pelo que não vai acontecer? Acontece de eu fazer mais um poema, e eu já me vejo lá, estou cantando.

Cantar é o que quis fazer desde menino. O ninho não é sempre o mundo afora. Fora de mim, minha mãe, meu pai e meu irmão. Houve uma vida que eu tinha e que não vive mais, mas eu não morro. Morte é sonho?

Sonhava tanto... Mas tenho sonhado mais dormindo do que acordado. Os dados de Deus nunca param, e eu paro para ver se saiu o meu número. Romeu só não morre na história que eu mesmo criar. Criar-se-á 2013.

Fonte:
O Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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