Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 23 de dezembro de 2012

Jornais e Revistas do Brasil (Diário de Minas)


Período disponível: 1866 a 1875 
Local: Ouro Preto, MG 

Lançado em 1º de junho de 1866, o Diario de Minas é considerado o primeiro jornal informativo da província de Minas Gerais, o que lhe confere lugar especial na história da imprensa mineira. O primeiro jornal desta província, de 1823, foi o Compilador Mineiro, publicação voltada para o apoio ao governo imperial. 

Jairo Faria Mendes, na tese “O Silêncio das Gerais: O nascimento tardio e a lenta consolidação dos jornais mineiros”, baseia-se na periodização da história da imprensa brasileira proposta por Nelson Werneck Sodré: Colonial (1808 a 1822) , Publicista (1823 a 1885), Informativa (1885 a 1927) e Grande Imprensa (a partir de 1927). Mendes insere a imprensa mineira nessa divisão da seguinte forma: Imprensa Colonial – fase que Minas não viveu; Imprensa Publicista – fase de interiorização da imprensa mineira e fortalecimento do publicismo; Imprensa Informativa e Literária – fase em que ocorre o surgimento de uma imprensa mineira informativa consistente; e Grande Imprensa – fase em que surge em Belo Horizonte o Diário da Manhã, considerado a primeira grande empresa jornalística do estado. 

Observa-se, assim, que o Diario da Manhã, embora considerado o primeiro jornal informativo de Minas Gerais, não inaugurou a fase chamada de Imprensa Informativa (inaugurada pelo jornal O Pharol), mas sim surgiu em uma fase que a imprensa mineira era basicamente publicista, ou seja, as notícias eram mais de interesse comercial e político, como informações sobre chegada e partida de navios nos portos, sobre guerras ou revoluções e, principalmente, com frequentes artigos escritos pelos próprios editores, que comandavam o jornal segundo suas opiniões ou dos grupos políticos a que estavam ligados. 

Considerado informativo por fugir do publicismo, o Diario de Minas trazia informações diversas, além das de caráter político e opinativo, e também empresarial. O proprietário, J. F. de Paula Castro, contou com ajuda do governo provincial, então ligado ao Partido Liberal, para comprar a tipografia onde era impresso, no Rio de Janeiro, uma vez que em Minas os prelos que existiam estavam em mau estado. Segundo Mendes,

Com os novos equipamentos foi possível fazer um jornal em um formato bem maior dos que circulavam na Província. Assim começou a circular o Diario de Minas, com quatro páginas standard diárias, que continham as seguintes sessões: a Parte Oficial (que era paga), Diário de Minas (o editorial), Exterior (notícias internacionais, que eram tiradas de jornais do Rio de Janeiro, principalmente o Jornal do Commercio), Interior (notícias locais), Noticiário (notas e informações variadas), Publicações a Pedido (textos literários, cartas, etc.), editais e Folhetim. Era comum algumas sessões ficarem de fora nas edições, assim como serem criadas outras. Também havia muitos anúncios, alguns bem trabalhados graficamente e com textos bem apelativos. Eles ocupavam de uma a duas páginas, ou seja, grande parte do jornal, e eram em sua grande maioria de produtos farmacêuticos. (...)
 Com o decorrer do tempo ganhariam mais espaço os anúncios de compra e venda, além dos de escravos fugidos. Também surgiam esporadicamente anúncios de peças teatrais, perfumes (...), cosméticos (...).
 A primeira edição do jornal dedicou dois terços da 1ª e 2ª páginas para falar de seu compromisso liberal.” (pág. 102 – 104)

Embora dedicado principalmente a informar, o jornal dependia das receitas provenientes das publicações oficiais, o que o levou a mudar a linha editorial quando o Partido Conservador assumiu a frente do governo provincial em 1868, dessa forma garantindo o recebimento de receitas advindas das publicações oficiais. Dez anos depois, no entanto, o Partido Liberal retornou ao poder e rescindiu o contrato com o Diario de Minas. 

Em boa parte por essa razão, gradualmente o jornal diminuiu sua periodicidade, deixando de ser diária, e os anúncios diminuíram. Em março de 1878, circulou o último número. A tipografia foi vendida e nela passou a ser impresso, no ano seguinte, A Província de Minas (1879 a 1889). 

Fonte:
http://hemerotecadigital.bn.br/artigos/diario-de-minas

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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