Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 17 de novembro de 2013

Héron Patrício (Caderno de Trovas)

Adeus, meu sonho perdido,
belo, imponente, palpável!",
disse a mulher ao marido
e ao seu "lixo reciclável"!

A família, reunida,
num projeto de futuro,
cultiva o amor, cria a vida,
põe clarões no mundo escuro!

A gente vê, de manada,
estrela...lua...e planeta...
Basta uma boa topada
numa quina de sarjeta!

A alvorada, em grande gala,
tece a rica fantasia
que faz do Sol, mestre-sala
na passarela do dia.

A minha trova sem ela
– a musa que eu sempre quis - 
é uma trova tagarela,
rima...rima.., e nada diz…

Angustiado, o olhar baço,
ele ao sono não se entrega
porque lhe falta o cansaço
que o desemprego lhe nega!

Antes de uma despedida,
que haja razões de verdade...
- Quem planta um adeus na vida,
um dia colhe saudade.

Antes um "não" que amargura,
antes um "não" que maltrata,
do que a terrível tortura
do teu silêncio - que mata!

Ao criar seu falso drama
o pessimista parece
aranha que tece a trama
e se enreda no que tece!

Ao sentir que a solidão
Vai comigo, em meu caminho,
Tenho a estranha sensação
De que nunca estou sozinho!

Apago as luzes...invento...
e faço tudo o que posso
quando a insônia é meu tormento
no quarto que já foi nosso!

“Apitando” mais que flauta,
- e com sonora potência -,
O Zé nem olha na pauta,
Vai de cor... na “flautulência”!

A quem luta com vontade,
tendo amor no coração,
Deus – a suprema bondade –
dá o problema... e a solução!

A saudade é um passarinho
em teimosa migração...
vem do passado, e faz ninho
nos beirais do coração.

As folhas, feito um tapete,
assoalhando o jardim,
são um tímido lembrete
de que a vida tem seu fim!

A tristeza é uma senhora,
minha velha conhecida,
que me rouba a luz da aurora
e põe noite em minha vida!

Botox... “sarada’... Aos setenta,
com silicone e requinte,
feito uns troféus ela ostenta
seus namorados de vinte.

Cai o luar, transparente,
sobre uma gota de orvalho
e cria um lindo pingente
que dá vida a um velho galho...
 
Cano curto. Olho cansado...
Assim, não foi por acaso
que o velho ficou molhado
quando foi regar o vaso.

Certos corações, fechados,
a bater no isolamento,
têm mais mistérios guardados
do que um cofre de avarento!

Cidadania é um perfeito
e amplo acordo natural
em que o peso do direito
tem, no dever, peso igual!

Coitadinha da infeliz,
com marido gordo, esférico,
arranjou amante, e diz:
- É meu marido... genérico!

Com a dentadura bamba,
que nem “Corega” grudava,
os dentes dançavam samba
cada vez que ele cantava!...

Com seus tons de cinza e neve
a garoa é um manto enorme
aconchegando, de leve,
a São Paulo que não dorme...
 
Desde os tempos de criança
conheço a grande verdade:
jovem vive de esperança,
velho vive da saudade!

Em nossas carícias quentes,
não pesa a idade, nem nada,
porque somos dois poentes
que explodem numa alvorada!

Em ofertório sagrado,
no altar da terceira idade,
com as rimas do passado
rezo em trovas de saudade.

Ergo um brinde... e faço a festa
aos que, honrando o seu dever,
caminham, de forma honesta,
nas vielas do poder!

Eu maldigo a madrugada
que joga luz nos espaços
e manda a rubra alvorada
tirar você dos meus braços!

Eu me recuso, tristeza,
a conviver com teu mundo:
-Vida que tem correnteza
não cria lodo no fundo!
 
Faz-se noite se te soltas
dos meus braços, indo embora..
- és meu sol! Só quando voltas
é que volta a luz da aurora!...

Foi-se a chuva... e a Lua cheia,
que no espaço azul flutua,
põe diamantes na bateia
da poça de água na rua!

Frutos de velhos fracassos,
nossos medos são um muro
limitando novos passos
nos caminhos do futuro.

Hoje, ao reler tuas cartas
com teu perfume marcadas,
vi que todas eram fartas
de mentiras perfumadas!

"Infiéis, os meus cabelos !",
saudoso, o careca chora ...
"Dei carinhos... tive zelos ...
mas foram todos embora!"

Luar... ourives de fama
que, pela mata orvalhada,
faz o engaste, em cada rama,
de uma gota iluminada!
 
Malandro, quando elegante,
detém qualidades raras:
tendo apenas um semblante
consegue ter duas caras.

Mesmo sem assinatura
o bilhete me revela
tanta meiguice e ternura
que eu sei que o bilhete é dela!

Minha saudade é defeito
que outra saudade requer,
pois, sempre que abro o meu peito,
encontro a mesma mulher...

Minha sogra me visita...
Dou-lhe beijinhos melosos...
- Ela finge que acredita...
Que dois grandes mentirosos!

Mulher nova me apetece,
cinco ou seis... nunca é demais.
Se mais saúde eu tivesse...
mentiria muito mais!

Não há ciência que possa
dar receita mais completa:
a ternura é mel que adoça
o coração do poeta!
 
Não ponham fogo na cana
- peço ecologicamente –
pois “cana boa” e bacana
é que põe fogo na gente!

Na sedução ninguém sabe
se há vencido ou vencedor,
que ao sedutor também cabe
ser escravo ou ser senhor!

Nas trovas de amor que eu teço
no meu tear de ilusão,
só faltam nome e endereço
de onde vem a inspiração...

Na voragem da procela
do combate interior
é que o homem se revela
se é escravo ou é senhor!

No jardim, junto ao meu quarto,
o silêncio é tão profundo
que se pode ouvir o parto
das rosas chegando ao mundo!

Nó na vida?... - Não me abalo,
desfazê-lo não me cansa,
pois consigo desatá-lo
com dois dedos de esperança!
 
Nos caminhos do Universo
eu sou caçador de estrelas,
e jogo o laço do verso
na esperança de prendê-las.

Nos momentos cruciais
em que o pranto é represado
o silencio fala mais
do que um discurso inflamado!

O balouçar da folhagem
- pequenas mãos dando adeus –
é a chuva, em sua passagem,
trazendo as bênçãos de Deus.

O cientista é poeta,
é trovador inspirado
que a pesquisa só completa
quando encontra o seu "achado".

O forró, diz meu amigo,
me esbraseia e deixa quente:
o esfrega-esfrega de umbigo
é um perfeito antecedente.

O forró ia animado;
de briga, nenhum perigo...
- Gostoso, que só pecado:
Era umbigo contra umbigo!…
 
O forte nó da saudade
amarra o tempo num laço
e aprisiona a mocidade
nas trovas de amor que eu faço.

O meu desejo transborda,
feito um rio ardendo em chama,
quando a saudade me acorda
sem você na minha cama!

O poeta é um ser aflito,
um eterno insatisfeito,
por ter um mundo infinito
no exíguo espaço do peito!

O sol parece fornalha
queimando tudo o que existe.
O chão, seco, a fome espalha...
mas, nordestino, resiste!

O sucumbir da virtude
ante o poder, é fatal:
é furo rompendo o açude
por onde escorre a Moral.

O tempo, pastoreando
nos sertões da mocidade,
foi, pouco a pouco, juntando
meu rebanho de saudade...
 
Pela ameaça da fome,
quando a seca teima e avança,
a chuva ganha outro nome,
passa a chamar-se... esperança!

Pondo bom senso no meio
quando surge a indecisão,
o medo parece um freio
a pedir calma e atenção...

Quando a folhagem fenece,
cobrindo o verde de luto,
o outono, em troca, oferece
a recompensa do fruto

Quando foi dada a partida,
com mil gametas brigando,
eu lutei por minha vida ...
e continuo lutando!

Quem casa com mulher feia,
um “bolo gordo”... um “canhão”,
anda atrás de um “pé de meia”
ou adora assombração!

Ratinho.. lobo... leão...
- mais alguns irracionais -
fazem da televisão
um reduto de... animais!
 
Se o mundo inteiro sorrisse
tão fácil como as crianças,
talvez não fosse tolice
sonhar e ter esperanças!

Sob um manto de neblina,
o sol, que o dia conduz,
aos poucos abre a cortina
e enche o seu palco de luz!

Sou poeta! O meu destino
é manter enclausurado
um coração de menino
num corpo velho e cansado!
 
Tecelã de ricas prendas,
a Lua, no seu tear,
com brilhantes tece rendas
no manto azul do luar!

Temos certeza da idade
quando as rugas do sol-posto
passeiam com a saudade
na tarde do nosso rosto.

Tempo é moinho rangendo
aos ventos da eternidade,
trigais de sonhos moendo
para o meu pão de saudade!
 
Uma estrela no infinito,
é recado que os ateus
recebem, com luz escrito,
sobre a existência de Deus!

Um coração vencedor
não perde, nunca, o combate...
- Quanto mais lhe bate o amor,
com mais amor ele... bate!

Fontes Principais:
http://www.ubtnacional.com.br/
http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/
http://ubtrova.com.br/
Boletins da UBT – Nacional
Revista Virtual de Trovas Trovia
Boletins de vários Concursos.
Imagem obtida na internet

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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