Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 17 de novembro de 2013

Nilto Maciel (Contistas do Ceará) Introdução

Um dos mais completos e, ao mesmo tempo, sintéticos estudos da narrativa breve no Ceará intitula-se “Evolução e natureza do conto cearense”, de Braga Montenegro, incluído na revista Clã n.º 12, de 1952, e reeditado como apresentação de Uma Antologia do Conto Cearense, em 1965. O ensaio contém 35 páginas e é composto de oito partes. Inicia-se assim: “A evolução do conto cearense, durante a fase romântica e naturalista, se processou com bastante lentidão. Poder-se-ia mesmo afirmar que nada realizamos, no curso desse longo período, relativamente à arte de contar, não fosse uma que outra manifestação de talento logo sepultada na poeira do tempo”.

Outro estudo valioso se intitula “O Conto Cearense, de Galeno ao Grupo Clã”, de Sânzio de Azevedo, do livro Dez Ensaios de Literatura Cearense, de 1985. Contido em 31 páginas, este ensaio se originou de uma aula proferida em 3 de junho de 1983, na Universidade de Fortaleza, no curso de análise literária “Panorama do Conto Brasileiro”.

Em 2005 se publicou Panorama do Conto Cearense (Brasília; Fortaleza: Ed. Códice), deste autor – estudo histórico, no qual se mencionam todos ou quase todos os escritores nascidos no Ceará ou que nele viveram durante algum tempo e escreveram histórias curtas, com menção especial aos que se dedicaram mais ao gênero conto do que a outros e se sobressaíram, na visão dos historiadores e críticos.

É chegada a vez de se deixar de lado a cronologia, a História, a simples referência a nomes de escritores e títulos de livros e se passar ao comentário. Não exatamente a crítica literária, acadêmica ou não. Entretanto, não será possível analisar um a um todas as obras. Em compensação, ao lado das observações críticas virão alguns contos.

Como seria impossível comentar num só livro todos os contistas cearenses, ou todos os que publicaram pelo menos uma coleção de histórias breves, optou-se por uma seleção. Os mais importantes em suas épocas, segundo historiadores, críticos e, logicamente, o autor deste estudo. Desse modo, das centenas de escritores, selecionaram-se pelo menos dois, por época: século XIX, início do XX, Grupo Clã e assim por diante. Acredita-se, desse modo, que os leitores, sobretudo os mais dedicados ao estudo da Literatura Cearense, não discordarão da seleção dos nomes mais antigos, como Oliveira Paiva, Adolfo Caminha, Gustavo Barroso e Herman Lima.

Quanto à seleção dos contos, foi preciso ser mais exigente, ou seja, reduzir ainda mais a quantidade de contistas, para que o livro não se tornasse um volume de difícil publicação. Assim, foram escolhidos contos de alguns dos escritores comentados.

Leitores discordarão em relação aos nomes a partir do Grupo Clã e mais ainda depois de 1970, tendo em vista que a maioria está viva e escrevendo.

É pretensão do autor desta obra dar continuidade a ela, com a elaboração do volume 2, no qual serão estudados contistas mais novos e incluídos contos de alguns que aqui não tiveram narrativas transcritas.       

E o título do livro? Nada mais simples e objetivo do que Contistas do Ceará. Por que o subtítulo D’A Quinzena ao Caos Portátil? Como informa Sânzio de Azevedo em Literatura Cearense, o Clube Literário “floresceu no ano de 1886” e foi “responsável pelo surgimento de alguns dos maiores nomes da literatura no Ceará”. E mais esclarece: “O Clube Literário teve como órgão na imprensa a revista A Quinzena, que circulou de janeiro de 1887 a junho de 1888, perfazendo 30 números.” Acrescenta: “Ao lado de poemas românticos de Juvenal Galeno e das narrativas, igualmente românticas, de José Carlos Júnior ou Jane Davy (Francisca Clotilde), surgiam os contos cientificistas de Rodolfo Teófilo; o Realismo despontava, porém, com mais força e arte através dos contos de Oliveira Paiva.” Ou seja, com ela, A Quinzena, surgiram os primeiros grandes contistas cearenses. Mas não se pode omitir aqui a história da Padaria Espiritual, fundada em 1892. Muito menos seu órgão oficial, o jornal O Pão, que teve duas fases: a primeira, com seis números, naquele ano, e a segunda, iniciada em 1895, num total de 36 edições. Nele muitos contos se publicaram. Na outra ponta da História se vê a revista Caos Portátil, criada em 2005. Em quatro edições publicou quase todos os contistas cearenses contemporâneos.

Fonte:
MACIEL, Nilto. Contistas do Ceará: D’A Quinzena ao Caos Portátil. Fortaleza/CE: Imprece, 2008.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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