Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 17 de novembro de 2013

Héron Patricio (1931)

Héron Patrício, nasceu em Ouro Fino , Minas Gerais, a 17 de junho de 1931, quando foi dado de presente ao mundo pelo Sr Salvador Santos Patrício e Dona Genoveva Cadan Patrício .
 
Era uma criança muito saudável, porém magrinha. Um amigo vaticinou: vai crescer forte, inteligente, e até se tornará gordinho e Poeta... ("Mas que trem de mineiro advinhão, sô!").
 
O comboio ía correndo entre Ouro Fino e Pouso Alegre... Estávamos na década de 30. A locomotiva espalhafatosa bufava, chiava, apitava nas curvas. E aquele garoto, deslumbrado com a viagem, e com o rosto colado à vidraça do vagão, não compreendía porque naquela terra os postes de energia elétrica, as bananeiras e todas as árvores que margeavam a linha férrea "corriam" em sentido contrário ao do trem...Mas ele "via" que corriam! E para trás foi ficando o seu doce chão onde veio ao mundo, seu mundo de brincadeiras e de folguedos inocentes...
 
A máquina chiou, bufou, deu um vasto suspiro de alívio, frenou e "solavanqueou" os passageiros. O clã do nosso amigo estava chegando na cidade que escolheria para nova residência. E Pouso Alegre foi mesmo um "pouso alegre" para todos.
 
Foi logo providenciada escola para o menino, que viria a tornar-se um ótimo aluno. Foi nessa linda cidade que Héron começou a participar do movimento poético.
 
Em 1964 mudou-se para São Paulo, mas sempre dividiu, emocionalmente, sua residência entre a capital paulista e a cidade de Pouso Alegre.
 
É casado com a Trovadora Yêdda Ramos Maia Patrício. Nasceu-lhes a filha Patrícia, que lhes deu os netos Raphael e Daniel. Patrícia é casada com Flávio dos Santos Szelbracikowski.
 
Funcionário público federal aposentado (Auditor) é Contabilista, Professor e Advogado, exercendo, atualmente, a "nobre" profissão de Poeta/Trovador.
 
Além de ter seus trabalhos publicados em Jornais e Revistas de todo País, participou de "Meus Irmãos, os Trovadores" (Luiz Otávio), "Cigarras em Desfile" (trovas), "Garimpeiros de Sonhos" (Arcádia de Pouso Alegre), "Em Prosa e Verso" (Academia Pousoalegrense de Letras), "I Antologia de Trovas" (Livro Arte-SP), etc...
 
Desde 1994 é integrante da União Brasileira de Trovadores, Seção de São Paulo, onde ocupava uma vice-presidência.
 
Ocupa a cadeira número 17  da Academia Pousoalegrense de Letras.
 
Em francês "Héron" quer dizer "garça real", mas gostaríamos que quisesse dizer uirapuru, uai, pois quando ele "trova" nós, trovadores menores, emudecemos.
 
(Lavinio Gomes de Almeida). Biografia publicada no livro do 9º Concurso Nacional de Trovas de Barra do Piraí – 1998

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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