quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Vereda da Poesia = 220


Trova de
GLÓRIA MARREIROS
Portimão/ Portugal

A verdade cheira a rosa
no jardim da liberdade,
mas a mentira piedosa
é uma santa verdade!
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Soneto de
ANÍBAL BEÇA
Manaus/ AM, 1946 – 2009

ARS POÉTICA

Nesse afago do meu fado afogado
as águas já me sabem nadador.
A rês na travessia marejada
gado da grei de um mar revelador.

Vou e volto lambendo o sal do fardo
língua no labirinto, ardendo em cor
furtiva, enquanto messe temperada,
da tribo das palavras sou cantor.

Procuro em frio exílio tipográfico
o verbo mais sonoro em melodia
o ritmo para a cal de um pasto cáustico.

Sou boi e sou vaqueiro dia a dia
no laço entrelaçado fiz-me prático
catador de capins nas pradarias.
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Trova de
IZIDORO VIEGAS CAVACO
Faro/ Portugal

Ó Terra que eu amo tanto,
oásis nos universos,
és poema, és encanto,
és a musa dos meus versos.
= = = = = = 

Poema de
SILVIAH CARVALHO
Manaus/AM

ETERNO ARGUMENTO

Já foi o refugo em minha mente
Algo ultrapassado em demasia
Que em mim aflorava livremente
Sempre que de mim, eu me perdia

Elevava-o nos pensamentos meus
Que eram Conflitantes e envolventes
Eram tudo que tinha, quando nada era teu!
Nem meu corpo, minha vida ou minha mente.

Cá estou a falar do Amor que eu maldizia
Do fiel argumento do poeta infiel
Que tira um pedaço do inferno e faz um “céu”

Cá estou a falar do que nunca entendia
Não mais o refugo, agora o bom sabor dor
Infiel e eterno argumento do poeta fiel... O amor!
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Trova de
JOÃO PEREIRA DA SILVA
Porto/ Portugal

Numa trova, canto a fama
da História de Portugal,
que guarda um Vasco da Gama
e um Pedro Álvares Cabral.
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Poema de
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ilhavo/ Portugal

O LIVRO ONDE SEPULTE O MEU SOFRER
(Fernandes Valente Sobrinho in "Poemas Escolhidos" p. 93)

O livro onde sepulte a minha dor
Não o lavro com lágrimas de tinta
Pois com medo que invente ou que eu lhe minta
Não achará jamais qualquer leitor.

Seria, com certeza, um fraco autor
E a minha mão de inspiração faminta
Daria, em pouco tempo, por extinta
Essa obra sem ter um editor.

Guardo em pasta de capa dura e preta
Essas folhas que fecho na gaveta
Como os mais crus e tristes documentos.

Um dia, quando o livro estiver feito
Com a pena que usei rasgo o meu peito
E essas páginas rudes solto aos ventos.
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Trova de
DOROTHY JANSSON MORETTI 
Três Barras/SC, 1926 – 2017, Sorocaba/SP

Somos tão bem afinados,
que, em termos gramatical,
podíamos ser chamados
"encontro consonantal"!
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Soneto de
AFONSO FREDERICO SCHMIDT
Cubatão/ SP, 1890-1964, São Paulo/SP

CARAS SUJAS

Ao longo destas avenidas,
Recordação de velhas lendas,
Cantam as chácaras floridas
Com suas líricas vivendas.

Lá dentro, há risos, jogos, danças,
Crástinas, módulas fanfarras,
Um pandemônio de crianças,
Um zagarreio de cigarras.

Fora, penduram-se na grade
Os pobre, como gafanhotos;
Têm dos outros a mesma idade,

Mas estão pálidos e rotos.
Chora a injustiça da cidade
Na cara suja dos garotos.
= = = = = = 

Trova do 
PROFESSOR GARCIA
Caicó/ RN

Nas asas de um vento brando,
na espuma branca do mar…
as ondas chegam cantando,
trazendo o sal potiguar!
= = = = = = 

Poema de
FILEMON MARTINS
São Paulo/ SP

AMOR

Amor de minha vida, amor ventura,
vem comigo seguir a nossa estrada,
vamos viver a vida simples, pura,
antes que o sol desfaça a madrugada.

E vou te amar assim com tal doçura,
com tanto amor serás a minha amada,
que meus versos repletos de ternura
vão se espalhar em tua caminhada.

Terei em minha vida o teu carinho
e nunca mais me sentirei sozinho
e tu terás o amor mais verdadeiro.

Quando o tempo passar, calmo e sereno,
verás que fui e sou, mesmo pequeno,
teu homem, teu poeta e seresteiro.
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Trova de
JUDITE RAQUEL NEVES FERNANDES
Góis/ Portugal

Usa sempre a piedade
com quem se perdeu de "amor".
Qualquer sinal de Amizade,
pra Deus tem muito valor!
= = = = = = 

Poetrix de
THOMAZ RAMALHO
Luanda/Angola

MELANCOLIA

Os cotovelos no parapeito da sacada
e o pensamento apoiado
na linha do horizonte.
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Poema de
MÁRIO A. J. ZAMATARO
Curitiba/PR

IMPOSTO

Amigo imposto?
Isso é conversa!
- de pronto, digo.
Dá até desgosto,
qual vice-versa:
imposto amigo...
= = = = = = 

Trova de
APARÍCIO FERNANDES
Acari/RN, 1934 – 1996, Rio de Janeiro/RJ

Nesta angústia indefinida,
penso, cheio de amargor:
de que vale o bem da vida,
quando falta o bem do amor?
= = = = = = 

Soneto de
BENEDITA AZEVEDO
Magé/ RJ

A VERDADE

Ó querida, quem sabe neste dia
Encontrarei u’ amor que me fascine!
E talvez uma estrela que ilumine
Esta vida cruel que me iludia.

Só tu podes me dar tanta euforia,
Sem impedir, também, que raciocine,
E com meu sentimento me destine
A dor de ser um velho, mas queria...

Coragem pra buscar esta verdade
E talvez, a esperança sem vaidade
De poder te encontrar sem levar foras.

Esperando que agora possas rir
Sem  ilusão, embora possas vir
Com essa liberdade, por quem choras.
= = = = = = = = =  = = = = 

Trova de
MANUEL JOSÉ LAMAS
Remoães/ Portugal

Noite calma, noite triste,
noite em que o sono não vem;
noite negra, nada existe,
porque é noite de ninguém...
= = = = = = = = = 

Cantiga Infantil de Roda
SERENO DA MEIA-NOITE 

É uma uma roda de crianças, com uma no centro. Cantam as da roda:

Sereno da meia-noite }
Sereno da madrugada } bis

Eu caio, eu caio }
Eu caio. sereno, eu caio } bis

Responde a menina do centro:

Das filhas de minha mãe }
Sou eu a mais estimada } bis

Eu não m'importo, }
Que da amiguinha, }
Eu seja a mais desprezada } bis
= = = = = = = = =  

Quadra Popular de
AUTOR ANÔNIMO

Coração de sapo morto,
banana não tem caroço.
Garrafão tem fundo largo,
botija não tem pescoço.
= = = = = = = = =  

Poema de
VANICE ZIMERMAN
Curitiba/PR

PANDORA

Do escuro da caixa
Voam lágrimas...
Diáfana solidão,
Silencia-se
A Esperança.
= = = = = = 

Trova de
MARIA ALIETE CAVACO PENHA
Faro/ Portugal

O Futuro e o destino
ninguém o sabe prever,
neste mundo peregrino
onde se aprende a viver.
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