quarta-feira, 25 de março de 2026

Leonardo da Vinci (A Figueira)


Era uma vez uma figueira que não dava frutos. Todos passavam por ela sem olhá-la.

Durante a primavera as folhas cresciam, mas quando chegava o verão, e as outras árvores estavam carregadas de frutos, nada aparecia em seus galhos.

- Eu gostaria tanto que me apreciassem! - suspirou a figueira - queria só produzir frutos como as outras árvores!

Tentou e tornou a tentar até que, em certo verão, viu-se carregada de figos. O Sol fez os figos crescerem e incharem, tornando-os doces e perfumados.

Todos repararam nisso. Jamais alguém tinha visto uma figueira tão carregada de frutos. E imediatamente houve uma correria para ver quem colhia mais figos. Subiram pelo tronco. Curvaram os galhos mais altos com varas compridas e o peso das pessoas fez com que alguns ramos ficassem partidos. Todos tentavam roubar os deliciosos figos, e em breve a pobre figueira viu-se toda torta e quebrada.

Moral da Estória:
Portanto, àqueles que querem chamar a atenção pode acontecer, para sua desgraça, receberem mais do que desejam.
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Leonardo de Ser Piero da Vinci nasceu em 1452 na Itália e morreu em 1519, na França, era para seus contemporâneos um personagem discutido e controvertido. Como pintor era mal visto, porque jamais terminava as obras iniciadas; como escultor despertou suspeitas por não ter forjado em bronze o monumento equestre a Francisco Sforza; como arquiteto era perigosamente ousado; como cientista era de fato um louco. Sobre um ponto, no entanto, seus contemporâneos viam-se obrigados a concordar: Leonardo era um argumentador fascinante, um polido conversador, um contador de histórias “mágico” e fantástico, um gênio da palavra acompanhada da mímica. Falando da ciência, fazia calar os cientistas; argumentando sobre filosofia, convencia os filósofos; inventando fábulas e lendas, conquistava os favores e a admiração das cortes. Sempre, e em qualquer lugar, Leonardo era o centro das atenções. E jamais decepcionava seu auditório porque tinha sempre, alguma história nova para contar. As fábulas e lendas de Leonardo têm um objetivo e finalidade moral, algumas foram traduzidas por Bruno Nardini e publicadas no Brasil em 1972. O único personagem constante dessas fábulas e lendas é a natureza: a água, o ar, o fogo, a pedra, as plantas e os animais têm vida, pensamento e palavras. O homem, pelo contrário, aparece como instrumento inconsciente do destino, e sua ação, cega e implacável, destrói vencidos e vencedores.
“O homem é o destruidor de todas as coisas criadas”, escreveu Leonardo no “Livro das Profecias”; e nunca, como hoje em dia, na longa história de nosso planeta, uma asserção foi mais verdadeira e tão tragicamente atual.

Fontes: