quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Luís Fernando Verissimo (Papos)


- Me disseram...

- Disseram-me.

- Hein?

- O correto é "disseram-me". Não "me disseram".

- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é "digo-te"?

- O quê?

- Digo-te que você...

- O "te" e o "você" não combinam.

- Lhe digo?

- Também não. O que você ia me dizer?

- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

- Partir-te a cara.

- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.

- É para o seu bem.

- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...

- O quê?

- O mato.

- Que mato?

- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?

- Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo e elitismo!

- Se você prefere falar errado...

- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?

- No caso... não sei.

- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

- Esquece.

- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.

- Depende.

- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.

- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.

- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

- Por que?

- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Luís Fernando Veríssimo (1936 – 2025)
LUÍS FERNANDO VERISSIMO (Porto Alegre/RS, 1936–2025) foi um dos mais populares, brilhantes e queridos escritores contemporâneos do Brasil. Conhecido internacionalmente como o mestre absoluto da crônica de humor, ele herdou o gênio literário de seu pai, o romancista Érico Verissimo, mas construiu uma identidade artística única, vendendo mais de 5 milhões de livros ao longo de cinco décadas de produção ininterrupta. Teve uma formação cosmopolita, tendo vivido parte da infância e juventude nos Estados Unidos devido às aulas que seu pai lecionava em universidades americanas. Antes de viver exclusivamente da literatura, sua carreira transitou por múltiplos ofícios. Iniciou a carreira na imprensa escrita no fim dos anos 1960 no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, como copidesque e repórter. Mais tarde, suas colunas semanais tornaram-se leitura obrigatória em gigantes da mídia como O Estado de S. Paulo, O Globo e a revista Veja. Atuou como redator publicitário e revisor de textos em agências de propaganda e editoras no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. O jazz era uma de suas maiores paixões. Verissimo era um exímio saxofonista e tocou por anos no conjunto Jazz 6, apresentando-se com frequência em festivais e casas de show. Trabalhou intensamente traduzindo clássicos literários e escrevendo roteiros humorísticos de sucesso para programas da Rede Globo.
Estreou tardiamente no mercado de livros, publicando sua primeira coletânea de crônicas, O Popular, em 1973, quando já tinha 37 anos. A partir dali, sua produção foi avassaladora, somando mais de 80 títulos publicados entre crônicas, contos, romances e histórias em quadrinhos. Sua vida literária ficou marcada pela criação de tipos satíricos inesquecíveis que se integraram à cultura popular: O Analista de Bagé (1981): Um psicólogo gaúcho ortodoxo e machista que tratava seus pacientes com a icônica "terapia do joelhaço", vendendo mais de 1 milhão de exemplares; A Velhinha de Taubaté (1983): Personagem icônica criada durante a ditadura militar que ficou famosa por ser "a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo"; Ed Mort: Um hilário detetive particular carioca, atrapalhado e pessimista, cujos casos sempre terminavam em confusão completa, gerando adaptações para o cinema e quadrinhos; Obras-primas do humor cotidiano como Comédias da Vida Privada (1994) e As Mentiras que os Homens Contam (2000), além de romances policiais refinados como O Clube dos Anjos (1998).
A relevância de Luis Fernando Verissimo para a literatura brasileira repousa em sua capacidade de fazer rir sem jamais abrir mão do pensamento crítico:
1. Democratização do Hábito de Leitura: Verissimo quebrou barreiras acadêmicas e levou literatura de altíssima qualidade técnica para milhões de brasileiros. Seus textos limpos, diretos e extremamente rítmicos tornaram-se as maiores referências pedagógicas para o ensino da crônica e interpretação de texto em escolas de todo o país.
2. A Crônica como Espelho Social: Seguindo a tradição microscópica de Machado de Assis, Verissimo transformou o miúdo — filas de banco, discussões de casal, o fanatismo por futebol e jantares de família — em um espelho das grandes contradições éticas e políticas da classe média brasileira.
3. Consolidação do Humor Inteligente: Ele provou que o humor não precisava ser apelativo ou agressivo. Sua escrita misturava uma ironia fina, sátira política ácida e um profundo viés humanista, mostrando que o absurdo da vida cotidiana merece ser enfrentado com inteligência e leveza.

Fontes:
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Biografia = Wikipedia; Diplomatique; Ebiografia; Revista Cândido; Academia Brasileira de Letras; Brasil Escola; Estadão; Itaú Cultural, etc.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Izo Goldman (Trovas Humorísticas)

 

A cozinha da maloca
é tão baixinha e apertada,
que, na panela, a pipoca,
não pula... fica sentada!!!
= = = = = = = = = = =

A mini saia amarela
da professora, eu bendigo...
pois, em frente à mesa dela
é que eu fiquei de castigo!...
= = = = = = = = = = = = = =  

A mulher do carvoeiro
diz que o marido é uma... "graça".
pois faz fogo o dia inteiro
mas, de noite, é só fumaça…
= = = = = = = = = = =

A noiva esconde a... "cintura"...
com as dobras do vestido;
e, na igreja, alguém murmura:
– Casório... pré concebido...
= = = = = = = = = = = = = =  

A noiva, por ironia,
na mala só vai levar
a camisola-do-dia,
que à noite... nem vai usar...
= = = = = = = = = = =

Ao galo meio inibido,
diz a pata sem recato:
–  Não tenha medo, querido,
meu marido é mesmo um... pato!!!
= = = = = = = = = = = = = =  

Ao ver um vulto suspeito,
o ciumento não poupa:
dá dois tiros bem no peito
do espelho do guarda-roupa…
= = = = = = = = = = = = = =  

Cara cheia... Perna bamba,
ele mesmo se conforta,
olha a rua e diz: – "Caramba!"
Nunca vi rua mais torta!..."
= = = = = = = = = = = = = =  

"Casamento... – alguém já disse –
é chegar à encruzilhada
onde acaba a criancice
e começa a criançada..."
= = = = = = = = = = = = = =  

"Causa mortis" de um otário:
alergia ou resfriado.
Espirrou dentro do armário,
e o marido estava armado!
= = = = = = = = = = = = = =  

Da vaidade ela se exime,
é gorda mas não se importa.
Em vez de fazer regime,
mandou aumentar a porta!
= = = = = = = = = = = = = =  

Diz a vaga-lume ordeira
ao vaga-lume estouvado:
– Não me sentes na cadeira
que me queimas o estofado!...
= = = = = = = = = = =

Diz ela, sem esperança:
– Toda noite eu armo o... "bote",
mas, quando tento a... "cobrança",
meu marido... dá o calote!
= = = = = = = = = = =

Diz o Zezinho, zangado,
do zero que recebeu:
– Não acho que escreva errado,
se escrevo, o "pobrema" é meu!...
= = = = = = = = = = = = = =  

É tão magro que de frente,
parece que está de lado,
e de lado, simplesmente,
nem pode ser avistado...
= = = = = = = = = = = = = =  

Explicava, minha amiga,
os muitos filhos que tem:
– "De dia o marido briga,
de noite... fica de bem..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Ficou rico o Zé Maria
na seca do Juazeiro,
vendendo "fotografia
de chuva"... por "dois cruzeiro"…
= = = = = = = = = = = = = =  

Foi bem no peito a pedrada!!!
E o Manoel não gostou!!!
Vira pra trás, voz zangada,
e pergunta: "Quem jogou?...”
= = = = = = = = = = =

Grita o ajudante "fiel"
ao pintor, lá na calçada:
– Se segura no pincel
que eu vou precisar da escada!
= = = = = = = = = = =

Minha sogra está doente,
e o diabo apavorado!
Se ela morre de repente,
ele está desempregado!...
= = = = = = = = = = =

Na briga que o meu cabelo
e a careca estão travando,
lamento ter dizê-lo,
a careca está ganhando...
= = = = = = = = = = = = = =  

Não melindre os portugueses!
Conte as piadas assim:
– Era uma vez dois chineses...
Manoel e Joaquim...
= = = = = = = = = = =

No paraquedas, fechado,
uma etiqueta dizia:
– "Se falhar ao ser usado,
reclame. Tem garantia..."
= = = = = = = = = = = = = =  

No seu discurso que cansa,
o candidato ao Congresso
me lembra que "a inguinorança"
é que "astravanca o pogresso"...
= = = = = = = = = = = = = =  

O genro, com voz macia,
chama a sogra de... "Charada..."
Pensando: – Quem sabe um dia,
alguém "mata" a desgraçada!…
= = = = = = = = = = =

O pai da moça, que é mau,
chega em casa e acaba o "baile"...
É que o Zé, "cara-de-pau",
tava namorando em... "braile"!!!
= = = = = = = = = = = = = =  

O parafuso anda cheio,
pois tem o corpo enrolado,
cabeça partida ao meio
e vive sendo apertado...
= = = = = = = = = = = = = =  

Pergunta o padre ao noivinho:
– "É de espontânea vontade?"
e ele respondeu baixinho:
– "Não senhor... necessidade!..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Pergunta o pai bigodudo,
com a voz meio engasgada:
– Quem foi que pôs cola-tudo
no pote da marmelada?…
= = = = = = = = = = =

"Pratos rápidos", dizia,
lá no boteco o cartaz;
e quando o prato saía,
o freguês corria atrás!!!
= = = = = = = = = = =

Pulando do nono andar,
o otimista diz a alguém
que, no quarto, o vê passar:
– Até agora... tudo bem!!!
= = = = = = = = = = =

Quando abraço mulher feia
que não seja minha amiga,
ou estou de "cara cheia"
ou separa... porque é briga…
= = = = = = = = = = = = = =  

Quando pergunta o burrinho,
diz a mula, envergonhada:
– "Tu nasceste, meu filhinho,
por causa de uma... burrada!..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Sai do museu, braço dado
com sua sogra, o Sinfrônio;
e o guarda grita, alarmado:
"Tão roubando o patrimônio!"
= = = = = = = = = = = = = =  

Se a gente fosse dar crédito
ao que diz a maioria,
só de “autor de livro inédito"
tinha uns mil na Academia!...
= = = = = = = = = = =

Se ao telefone um amigo
me pede "algum" emprestado,
eu disfarço a voz e digo:
– Senhorrr ligarrr enganado!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Se a saudade fosse pão,
eu simplesmente poria
na porta do coração
esta placa:  "Padaria"!
= = = = = = = = = = =

Tenho medo de mulher
com marido, e mesmo sem...       
– da solteira, porque quer...
– da casada, porque tem...
= = = = = = = = = = = = = =  

Todo "barbeiro" sustenta
que a batida foi assim:
– Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Tomou Viagra... Fracasso...
Foi cobrar de quem vendeu:
– E agora, como é que eu faço???
– Enterra! Que já morreu!!!
= = = = = = = = = = =

Vai bem o namoro, até
que o pai dela chega, e então,       
o garotão dá no pé
e a moça fica... na mão…
= = = = = = = = = = =

Vai haver muito freguês
no dia em que alguém disser:
– ”Pague duas, leve três!!!”
e, o “produto”, for... mulher...
= = = = = = = = = = =

"Vem aí um furacão!!!,
avisa a rádio, – Cuidado!!!"
E o genro, por precaução,
põe a sogra... no telhado!!!
= = = = = = = = = = =

Vendo alguém varrer o chão,
ele deita de comprido
e dá logo a explicação:
"Quero ser... doido varrido..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Vida de pobre é engraçada,     
ou é dura e divertida:
enquanto dança lambada,
leva “lambadas” da vida...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Izo Goldman (1932 – 2013)
IZO GOLDMAN foi um dos mais expressivos e emblemáticos nomes do movimento trovadoresco no Brasil. Considerado um verdadeiro ícone da União Brasileira de Trovadores (UBT), ele dedicou décadas de sua vida à defesa, produção e difusão da trova (poema de quatro versos heptassílabos com rimas). Nasceu em 1932, na cidade de Porto Alegre/RS, faleceu aos 80 anos, em 2013, na cidade de São Paulo/SP. Além de sua terra natal, viveu no estado do Rio de Janeiro (em [Niterói], onde descobriu a trova e, a partir de 1976, fixou residência definitiva na capital de São Paulo. Fora do meio literário, atuou por muitos anos na área corporativa e de recursos humanos, trabalhando como instrutor de dinâmicas de grupo e relações humanas. Foi justamente em um bilhete enviado a uma de suas alunas durante um desses cursos que ele compôs sua primeira trova, sem saber. 
Conheceu oficialmente a trova literária em 1972, por intermédio da trovadora Magdalena Léa, em Niterói. Ingressou na União Brasileira de Trovadores (UBT) em 1974. Ao mudar-se para a capital paulista em 1976, assumiu o desafio de reativar a Seção da UBT em São Paulo, da qual foi presidente estadual por muito tempo. Também ocupou o prestigiado cargo de Secretário da UBT Nacional. Criou o tradicional "Boletim Informativo" da UBT/SP, um periódico que editou por mais de 30 anos e que se tornou vital para conectar trovadores de todo o país.
Izo Goldman foi um dos competidores mais vitoriosos em concursos literários de trovas do país. Ao longo de sua carreira, acumulou entre cerca de 900 premiações em diversos Jogos Florais nacionais. Entre os seus títulos honoríficos de maior prestígio destacam-se: Título de "Magnífico Trovador" concedido pela UBT de Nova Friburgo (RJ); Título de "Notável Trovador" concedido pela UBT de Pouso Alegre (MG); Recebeu por duas vezes o cobiçado Prêmio "Lilinha Fernandes" concedido pela UBT de Porto Alegre.
Embora sua produção estivesse espalhada por centenas de antologias de Jogos Florais, ele organizou e publicou a sua principal obra em vida: Trovas de quem ama a Trova (Lançado originalmente entre 2007 e 2008) — Obra que sintetiza seu estilo poético lírico, filosófico e, por vezes, espirituoso. Escreveu também o Jogral em Trovas, uma composição performática que chegou a ser utilizada como aula inaugural no Curso Superior de Literatura de Bragança Paulista.
A relevância de Izo Goldman reside no fato de ter sido um dos principais batalhadores e guardiões do movimento trovadoresco brasileiro moderno. Sua contribuição vai além dos próprios versos premiados: Ao reerguer a UBT em São Paulo e fundar o informativo impresso, manteve viva a chama da poesia popular no maior centro urbano do país. Ficou conhecido por defender rigidamente a pureza técnica da trova (metrificação, rima e ritmo) com uma personalidade contundente e apaixonada. Apoiou iniciativas de renovação e inclusão da juventude na poesia, ajudando a garantir que a tradição literária das trovas continuasse viva para as próximas gerações.

Fonte:
Izo Goldman. Trovas de quem ama a trova.
Biografia = Folha de São Paulo, Recanto das Letras, Kakinet, Oceano de Letras, etc.

Silmar Bohrer (Croniquinha) * 171 *


Palavra, conjunto de letras ou sons de uma língua, nos veio do latim "parabola" com a função de representar pedaços ou partes do pensamento, sendo considerada linguagem humana. 

Na verdade nem sempre podemos delimitar uma palavra, pois podem acontecer "palavras dentro de palavras", como pé-de-moleque, por exemplo. 

Chamamos vocábulo quando denominamos o aspecto externo ou representação material da palavra. Denominamos termo quando a referência é ao aspecto interno ou representação material da palavra.  

Falando especificamente do português, temos uma língua rima em variações linguísticas, a ponto de dizerem que nossa língua é das mais difíceis do mundo. 

O assunto é tão vasto quanto variado.  E abundante. Dentre os meus devaneios e divagares no trato com o português, busco constantemente excrescências linguísticas como as a baixo. 

"De onde veio o vento, o vento dos ventos uivantes, será que veio de Abrantes, em redemoinhos ele veio?"  

Num português simplificado ou menos rebuscado, podemos bem perguntar: "Será que veio de Abrantes aquele vento uivando em redemoinhos?" 

Dir-se-ia, não sei se Dirce disse, mas o filósofo decretou que os dizeres dissipam em debandada. 

Numa bela escrita, quase filosófica, a frase acima se resume assim : "As palavras vão, os escritos ficam". 

Delícias, dadivosas digressões! 
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Silmar Bohrer (1950)
O escritor e poeta SILMAR BOHRER destaca-se na cena cultural contemporânea por sua intensa produção literária voltada para a poesia, trovas e crônicas regionais, além de sua importante atuação na liderança de instituições literárias na Região Sul do país. Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Suas primeiras produções e memórias de juventude, incluindo o serviço militar obrigatório, remetem a jornais regimentais e ao gosto pelas redações escolares. Reside atualmente no município litorâneo de Itapoá, no estado de Santa Catarina.
Bancário aposentado da Caixa Econômica Federal. Paralelamente à sua carreira profissional, sempre manteve o ofício da escrita como um sacerdócio diário. É um dos membros fundadores e exerceu o cargo de presidente da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), instituição fundada em 2014 no município de Caçador/SC, com o objetivo de fomentar a cultura local. Também possui forte vínculo associativo com entidades como a Associação dos Economiários Aposentados da Caixa em Santa Catarina. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras.
Silmar iniciou sua jornada na escrita ainda na adolescência. Possui uma produção monumental com mais de 10 mil textos publicados digitalmente em plataformas de catalogação literária, acumulando dezenas de milhares de leituras. Sua obra foca predominantemente em formas líricas curtas e descrições do cotidiano, sendo o estilo predominante trovas transcendentais, prosa poética, crônicas do dia a dia e versos livres. Suas coletâneas e antologias de distribuição independente — frequentemente distribuídas de "mão em mão" de maneira não comercial durante eventos e lançamentos — reúnem séries textuais de sucesso na internet, tais como “O Contágio do Verbo”, “Pousadinha de Trovas”, “Ninhal de Trovas” e “Poesia sem Distanciamento”. Ele também se dedica à escrita de artigos de resgate histórico e crônicas sobre outras figuras literárias sulistas. Editou os livros: Vitrais Interiores  (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).
Mais do que concorrer a premiações comerciais de grande escala, o autor foca sua trajetória no reconhecimento institucional e comunitário. Suas láureas vêm de concursos literários internos voltados a servidores e aposentados federais, além de homenagens prestadas por academias de letras municipais em Santa Catarina pelo seu papel ativo na difusão da escrita poética regional.
A relevância de Silmar Bohrer reside no seu papel de ativista e descentralizador cultural no interior de Santa Catarina. Ao liderar a fundação da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), ele contribuiu diretamente para levar oficinas, eventos e o amor pelos livros a uma das regiões socioeconomicamente mais desafiadoras do estado. Silmar defende uma literatura baseada no compartilhamento afetivo e na simbiose entre as vivências cotidianas e o lirismo tradicional, mantendo viva a tradição da trova e da crônica de costumes na era digital.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

Álvaro Posselt (Céu pela janela) * 1 *


Em visita ao amigo que mora na parte alta do bairro Pilarzinho, colocamos a conversa em dia. Após o café, vou para o quintal. Uma escada leva ao terraço, onde é possível contemplar o horizonte. Árvores e postes se misturam. O céu fica avermelhado. Também já é hora de me despedir.

Finzinho de tarde —
Com o tronco da araucária
alinha-se o sol
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  

O poeta ÁLVARO MARIEL POSSELT é um dos principais nomes da poesia contemporânea paranaense, reconhecido especialmente por sua maestria na arte do haicai. Nasceu em Curitiba/PR, em 1971. Curitibano "de raiz", nasceu, cresceu e sempre morou em Curitiba. Graduado em Letras, atuou durante anos como professor de Língua Portuguesa, trabalhando com revisões de texto, aulas particulares e ensino de português para estrangeiros. Posteriormente, deixou as salas de aula tradicionais para se dedicar integralmente à carreira literária e cultural. Atualmente, administra a Casa Posselt, seu próprio lar transformado em centro cultural independente em Curitiba. No espaço, ele acolhe o público em geral e turmas escolares para a realização de oficinas, rodas de leitura e debates. 
Embora tenha começado a escrever aos 16 anos, seu primeiro livro foi publicado quando le tinha 40 anos. Seu grande despertar para o haicai aconteceu em 2003, durante uma visita à [Biblioteca Pública do Paraná. O estilo breve e preciso da poesia japonesa tornou-se sua principal marca registrada. Na dinâmica do mercado independente onde atua, Álvaro foca sua carreira na circulação autônoma, feiras e projetos de revitalização urbana, não acumulando grandes prêmios literários institucionais de cunho competitivo, mas colecionando homenagens públicas na capital paranaense. Possui mais de uma dezena de livros publicados (vários deles focados no haicai e na literatura infantil). Entre seus principais títulos destacam-se: Tão breve quanto o agora (2012); Um lugar chamado instante (2013); Entre arranhões e lambidas — haicais & gatos (2014); Kaki (2015); Na sopa do sapo (2016); etc.
A relevância de Álvaro Posselt reside em retirar a poesia dos livros e integrá-la ao cotidiano urbano e social. Ele é considerado o herdeiro direto da tradição do haicai paranaense, consagrada outrora por nomes como Helena Kolody e Paulo Leminski. Seus versos estampam muros da cidade pelo projeto "Giz e Aprendiz" e aparecem em vitrais públicos da capital através da Associação de Ciclomobilidade (ACGB). Além disso, seu incansável trabalho voluntário de levar oficinas de haicai a escolas públicas há mais de uma década desempenha um papel fundamental na formação de novos leitores e jovens poetas no Brasil.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
VERÔNICA FUKUDA, artista visual que vem se destacando no cenário da literatura infantojuvenil brasileira através de traços delicados e narrativas sensíveis. Nasceu em Registro/SP. Em 2001, mudou-se para Curitiba/PR, onde se radicou. Realizou sua formação artística em Curitiba, onde se graduou em Licenciatura em Artes Plásticas e posteriormente se especializou em Cinema Documentário. Atua há mais de 20 anos no mercado. Sua atuação profissional é bastante plural. Ilustradora e Ceramista: Divide seu tempo entre ilustrações de livros, produção autoral de cerâmicas de alta temperatura e esculturas de parede; Atelier Ma Fille: É fundadora e proprietária do Atelier Ma Fille em Curitiba, espaço voltado para oficinas de arte de diversas idades, servindo também como ponto de abrigo e mentoria para novos artistas. No ateliê, ela também desenvolve linhas de produtos (vestuário, papelaria, decoração e turismo) com estampas de suas ilustrações. Participou de programas de incentivo à cultura de governos municipais e estaduais e expôs em eventos importantes, como a 16ª Bienal Internacional de Curitiba no Museu Oscar Niemeyer.
Sua estreia no universo dos livros aconteceu em 2014, quando escreveu e lançou de forma independente a obra infantil Meu amigo Bóris (ilustrada por Rosangela Grafetti). A história lida de maneira poética e sutil com o amadurecimento e a superação de uma perda sob a ótica infantil. Desde então, ela ilustrou mais de duas dezenas de livros para várias editoras e participou das Bienais do Livro de São Paulo e do Rio de Janeiro. Algumas de suas obras e colaborações de destaque: Meu Amigo Bóris (Autora); Céu pela Janela (Ilustradora); Amarelo (Ilustradora, texto de Marilza Conceição); A Cura dos Sentimentos nos Pequeninos (Ilustradora, texto de Adriana Potexki); Em Algum Lugar Incrível (Ilustradora); A Menina da Saia Mágica (Ilustradora)
A relevância de Verônica Fukuda para a literatura — principalmente a infantojuvenil — reside na sua filosofia sobre o papel da imagem na construção da narrativa. Para ela, a ilustração não deve meramente "traduzir" ou repetir o texto literário em forma de desenho, mas sim estender a história para onde as palavras não alcançam, preenchendo lacunas de forma explícita e lúdica para as crianças. Ao criar uma "literatura em imagens", auxilia na alfabetização visual e no desenvolvimento da imaginação das crianças, tornando o livro um objeto artístico completo e sensorial.

Fontes:
Álvaro Posselt (Verônica Fukuda, ilustradora). Céu pela janela. Curitiba/PR: Insight, 2023. Enviado pelo autor..
Biografia de Verônica = Instagram, Atelier Ma Fille, Escotilha, Livaria Simples, Edtora Insight.
Biografia de Álvaro = Editora Insight, Biblioteca Pública do Paraná, Sesc PR, Recanto das Letras, Mural do Paraná, etc.

Eduardo Martínez (Santana, o moralista)

  Lá estava o Santana, ostentando a arma na cintura, se achando o maior combatente do crime. Isso apesar de não ter certeza nem mesmo se teria ingerido duas, três ou meia dúzia de latinhas de cerveja, já que havia inúmeras outras no chão, tão próximas aos seus pés, que, provavelmente, iriam contribuir ainda mais para aumentar a pança, que tanto dificultava vestir as próprias calças. Ao seu lado, ligeiramente mais sóbrio, se encontrava o Limeira, seu companheiro de tantas primaveras na polícia.
          Não muito longe do palco, os dois canas escutavam aquela música cheia de agudos. Até ensaiavam uns passos, mas nem a música animada conseguia fazer com que aqueles corpos disformes fossem além de alguns estalares de dedos. Todavia, se o Limeira estava mais a fim de curtir a noite, o Santana, sempre atento a tudo, apesar de quase nem sempre conseguir enxergar um palmo à frente da própria fuça, não gostou do beijo mais caloroso do casal logo ali. Foi dar uma de moralista em pleno show de rock.
          — Que droga é essa? 
          Os dois pombinhos nem notaram a interrupção do paquiderme armado. Isso, aliás, provocou uma reação ainda mais severa do Santana, que deu um empurrão no rapaz. Este, por sua vez, olhou espantado para aquele homem barrigudo.
          — Tá olhando o quê, moleque? - Santana, enfurecido, desafiou o jovem, que não devia ter mais do que 20 anos.
          — Você é muito macho porque está armado!
          Pra quê? O Santana, num movimento até rápido para alguém tão gordo e embriagado, pegou a pistola em sua cintura e a jogou no meio da plateia.
          — Agora vem, moleque!
          Coitado do Santana! Tomou um soco no meio do nariz e caiu sentado no asfalto. O rapaz tomou a mão da amada, agora ainda mais apaixonada, e sumiu na multidão. Já o Santana, além de perder a contenda, nunca mais conseguiu encontrar a sua arma. Quanto à autoestima, não tinha o que fazer, pois,  há muito, ela o abandonara.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Eduardo Martínez (1967)
O escritor EDUARDO MARTÍNEZ (nome artístico de Eduardo Cesario-Martínez) é um dos nomes de destaque da literatura contemporânea independente no Brasil, reconhecido por sua impressionante trajetória polímata. Atualmente radicado em Porto Alegre, ele consolidou uma escrita que une sensibilidade artística ao olhar analítico de suas múltiplas formações.
    Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1967. Embora sua produção literária transite por vivências em Brasília e no Rio de Janeiro, ele reside e desenvolve suas principais atividades culturais em Porto Alegre desde o ano de 2021. Concilia três graduações distintas que enriquecem diretamente sua visão de mundo e sua escrita: Jornalismo: Sua primeira área de graduação, responsável por lapidar seu estilo direto de escrita, o domínio da técnica da crônica e sua atuação na imprensa; Medicina Veterinária: Graduou-se em 1999 pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ o que lhe deu uma compreensão profunda sobre a biologia e a fragilidade da vida; Engenharia Agronômica: Formou-se pela Universidade de Brasília, agregando conhecimentos em ciência aplicada e na relação humana com a terra.
A caminhada literária de Martínez começou oficialmente nos anos 2000 e ganhou forte projeção nacional por meio de premiações de relevância no meio independente. Em 2004, publicou seu primeiro romance, Despido de Ilusões, livremente inspirado na jornada de um egresso de Medicina Veterinária da UFRRJ. O livro obteve excelente recepção, figurando na época entre os títulos mais lidos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ). É editor e colunista do portal Notibras (https://www.notibras.com/site/), onde comanda a editoria Café Literário e já ultrapassou a marca de 600 contos e crônicas publicados. Também escreve ativamente para o Blog do Menino Dudu e o Jornal Cultural ROL. Além de participar de mais de 40 antologias coletivas, é autor de quatro livros principais, destacando-se Despido de Ilusões (2004), Meu melhor amigo e eu, Raquel e a aclamada coletânea 57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho (2024). Foi semifinalista do 3º Prêmio MicroConto de Ouro em 2023 e viveu o ápice de seu reconhecimento ao vencer o conceituado Prêmio Literário Clarice Lispector 2025 na categoria de Livro de Contos, em cerimônia realizada no Copacabana Palace.
A relevância da prosa curta de Eduardo Martínez para o cenário literário nacional atual apoia-se em aspectos técnicos e pedagógicos:
1. Estética do cotidiano e mistério acessível: Ler Martínez desperta um turbilhão de reflexões éticas e existenciais a partir de situações inusitadas. O autor consegue aproximar os questionamentos psicológicos densos (herdados de influências de Dostoiévski) de uma narrativa fluida, prazerosa e de fácil absorção para o leitor comum.
2. Função didática nas escolas: Seus textos alcançaram uma importância pedagógica prática significativa, sendo adotados e utilizados por diversas instituições de ensino no Rio de Janeiro e em Brasília para fomentar o poder transformador da leitura nas salas de aula.
3. Estímulo à literatura independente e contemporânea: Como comandante do Café Literário e autor premiado fora dos grandes conglomerados editoriais comerciais, Martínez tornou-se uma voz ativa na defesa e na visibilidade de novos talentos e pequenas editoras no país. Ele atua como uma importante "válvula de escape" para a resistência da produção de contos e crônicas em língua portuguesa.

Fontes:
Blogo do menino Dudu. 12 de abril de 2022
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

Daniel Maurício (Mosaico de Sentimentos) 2


ABSINTO DA PAIXÃO

Ana Raquel
esquadrinhadora de almas
deixe, mesmo que por alguns instantes,
que o véu, máscara ou couraça
adquiridas com o passar do tempo
escorregue macio como uma camisola de seda
e deixe a mostra o seu verdadeiro eu.
Que as asas da liberdade brotem
agitando suas águas
desprendendo sua nau do velho cais.
Deixe que o absinto da paixão,
licor poderoso,
entorpeça as suas veias
e a torne viciada pelo meu amor.
Deixe que o id, o ego e o superego
trabalhem afinados pelo mesmo diapasão.
Viva o hoje com toda a sua força
sem se importar com quem é escravo ou senhor.
Deixe que a mulher encolhida dentro de si,
embora linda e risonha,
ressurja esplendorosa e disposta
a sorver gota por gota
do cálice dourado da paixão.
= = = = = = = = = = = = = =  

AGOSTO

Agosto
mês do desgosto
seria apenas uma rima
ou mera superstição?
Agosto
mais do que nome de um mês
é um estado de espírito.
Hoje, amanheci agosto!!
Amargo na língua
olhos tristes
coração doído
mal iluminado, frio.
E uma coisa estranha
encalacrada na alma
feito saudade de quem já se foi
e de quem ainda nem se conhece.
Agosto
mês do cachorro louco!!
Louco estou eu
de amor por uma leonina
nascida em agosto.
A gosto do destino
vou seguindo
vou me entregando sem resistência
feito animal no cio.
= = = = = = = = = = = = = =  

A VERDADE

Entre o céu e a terra
a verdade passeia
de forma transparente
a disposição de quem queira
enxergar.
= = = = = = = = = = = = = =  

DESAMOR

As lágrimas
às vezes rompem
pra lavar a alma.
Já o coração, este coitado,
sempre sangra calado
sem que ninguém perceba
quando o amor não é correspondido.
Desamor!! Eita prego enferrujado
que incha o peito e
infecciona a alma,
que em dor lancinante
esquece a razão.
= = = = = = = = = = = = = =  

DRAGÃO

Hoje
eu quero colo
quero abrigo
quero uma canção,
quero um afago
quero um amigo.
Preciso acalmar o velho
e terrível dragão
que insiste a queimar meu peito
sempre pelo mesmo motivo:
o amor.
= = = = = = = = = = = = = =  

ESTRELAS DE FOGO

No meio da noite
um besouro metálico
sobrevoava a cidade
ão.... ão.... ão....
pisca-pisca o avião.
As estrelas trêmulas e distantes
assistiam a tudo indiferentes.
Da janela para baixo
as luzes da cidade
pareciam estrelas de fogo
incrustadas na escuridão.
= = = = = = = = = = = = = =

FLOR DE AMEIXEIRA

Enida.
Combinação perfeita de extremos
sem entrar em contradição
lascas de uma personalidade forte
coroada com gestos delicados
de quem age com a emoção.
Flor de ameixeira
de sementes vindas de terras longínquas
que frutificaram na Pátria Mãe Gentil.
Flor de ameixeira
forte, destemida, resistente
não se abala com as geleiras
aos pés do Monte Fuji,
embriaga os olhos e perfuma a alma
pelo êxtase da contemplação.
= = = = = = = = = = = = = =  

MACELA

Mês de março
os campos amarelam
com as flores da macela
cheiro gostoso, travesseiro macio
feito o colo da mamãe
na infância longínqua.
= = = = = = = = = = = = = =  

MENINAGEM

Raios de sol
rios do sul
meninos nadando nus,
nas tarde de verão
no interior do meu Brasil.
= = = = = = = = = = = = = =  

SONHO ESTRANHO

Sonhei
com imagens antigas,
empoeiradas,
misturadas
a personagens de ficção.
Meio homem, meio animais,
deuses inventados
pra saciar o vazio.
A língua em câimbra
não conseguia reproduzir
as frases soltas, desconexas
ecoando no espaço
em um idioma desconhecido.
De repente um trovão
sacudiu meus ossos
e num limiar de luz e escuridão 
entre a dormência e o despertar 
vi a sombra da imagem de Deus. 
Foi então que despertei a ideia
que somos o reflexo de uma mesma matriz.
= = = = = = = = = = = = = =  
Daniel Maurício (1968) 
DANIEL MAURICIO é um premiado e reconhecido poeta paranaense, célebre na cena cultural de Curitiba por seus poemas curtos, de forte apelo lírico e grande impacto emocional. Nasceu em 1968, na cidade de Jaguariaíva/PR, filho de Francisco Mauricio e Olinda Brisola Mauricio. Embora nascido nos Campos Gerais, construiu sua vida pública e literária radicado em Curitiba, onde reside atualmente. Possui uma sólida e diversa bagagem educacional. É graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Administração de Empresas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP) e em Direito pelas Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba (FARESC). Além disso, carrega diversas pós-graduações em áreas como Gestão Pública, Tributária e de Pessoas. Foi Professor da Rede Municipal de Ensino em Curitiba, Contabilista da Prefeitura Municipal de Curitiba. Monitor na área de Linguística na Universidade Federal do Paraná; integrante do Projeto VARSUL – Variação Linguística da Região Sul desenvolvido pelas Universidades Federais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atua profissionalmente como Auditor de Tributos Municipais na Secretaria Municipal de Finanças da Prefeitura de Curitiba.
Notabilizou-se pela produção de micropoemas e poesias de tom intimista, focando em reflexões existenciais e miudezas do cotidiano, muitas vezes compartilhadas ativamente em suas redes sociais. Integra várias agremiações culturais e literárias de relevância nacional e internacional, incluindo: Centro de Letras do Paraná (CLP) (onde atua também na Comissão de Serviços ao Associado); Academia Poética Brasileira (APB); Academia Brasileira de Letras e Artes Virtuais (ABLAV); Confraria Brasileira de Letras (CBL); Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil (ACILBRAS); Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía, etc.
Ao longo de sua caminhada poética, o autor recebeu condecorações de prestígio no cenário paranaense, destacando-se: Ganhador do Concurso Poemas Curtos (2014) da Prefeitura Municipal de Curitiba; Prêmio Marilda Confortin (2015); Prêmio Alice Ruiz (2016). Possui uma extensa bibliografia, tendo inclusive realizado lançamentos coletivos impressionantes devido ao seu grande volume de manuscritos guardados. Entre as suas principais obras individuais estão: Mosaico de Sentimentos; Cacos e Retalhos; Origamis de Palavras; (Des)importâncias; Superprodução Lírica (Kit de 10 Livros lançados simultaneamente): Amar é, Poesias da Madrugada, Miudezas do Coração, Olhares, Alma Lírica, Gotas Poéticas, Leve-me, Poemininos e Palavras de Cheiro.
Daniel Mauricio representa a continuidade da forte tradição de poesia concisa e visceral do Paraná, carregando influências e homenageando ícones locais (como o seu patrono acadêmico, Paulo Leminski). Ele desempenha um papel crucial na oxigenação da literatura contemporânea paranaense por meio do uso das mídias digitais para democratizar a leitura e aproximar os leitores da poesia diária. Embora sua atuação principal seja na palavra escrita, a sua poesia possui uma forte carga de musicalidade intrínseca, ritmo e cadência melódica rápida, características típicas da linhagem poética curitibana contemporânea, o que torna seus escritos facilmente adaptáveis para a sonoridade falada e saraus líricos.

Fontes:
Daniel Maurício. Mosaico de sentimentos. Curitiba: Ed. do Autor, 2021. Enviado pelo poeta.
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

A. A. de Assis (Conversa de gente grande)

Penso no calafrio que teria ouvindo uma troca de figurinhas entre Sócrates e Platão. Ou entre Arquimedes e Pitágoras.

Quanto você pagaria para ter o direito de escutar durante uma hora uma conversa entre pessoas pelas quais tenha grande admiração? Pois é: pelo andar dos algoritmos, daqui a uns cinco anos (ou menos) isso será perfeitamente possível. Ligaremos uma coisa parecida com televisor e programaremos a conversa que desejarmos testemunhar. A tal ferramenta, abastecida por alguma IA, nos possibilitará presenciar diálogos entre celebridades de grande projeção num determinado período da história.

Quem preferir poderá, por exemplo, começar xeretando um papo entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Ou entre Shakira e Beyoncé.

Da minha parte, gostaria de começar lá na Antiguidade. Penso no calafrio que teria ouvindo uma troca de figurinhas entre Sócrates e Platão. Ou entre Arquimedes e Pitágoras. Ou entre Virgílio e Cícero. Ou entre os apóstolos Pedro e Paulo. Ou entre Júlio César e Cleópatra. 

Depois viria avançando no tempo: Copérnico e Galileu, São Francisco de Assis e Santo Antônio, Dante e Petrarca, Cervantes e Camões, Shakespeare e John Donne, Mozart e Chopin, Voltaire e Pascal, Chardin e Darwin, Freud e Proust…

Aí começaria a ouvir gente mais próxima de nós: Churchill e De Gaulle, Gandhi e Luther King, Chaplin e Disney, Humphrey Bogart e Cary Grant, Ingrid Bergman e Audrey Hepburn, Sofia Loren e Brigitte Bardot, Pavarotti e Frank Sinatra, Elvis Presley e John Lennon, Edith Piaf e Maria Callas, João Paulo II e Madre Teresa de Calcutá, Ângela Merkel e Margaret Tathcher…

Na sequência chegaria ao Brasil: Castro Alves e Gonçalves Dias, Machado de Assis e José de Alencar, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, Drummond e Bandeira, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, Ulisses e Tancredo,  Dom Paulo Evaristo e Dom Aloísio Lorscheider, Dona Zilda Arns e Irmã Dulce, Pelé e Garrincha, Rivelino e Zico, Senna e Piquet, Noel Rosa e Pixinguinha, Nelson Gonçalves e Dalva de Oliveira, Bibi Ferreira e Tônia Carrero, Oscarito e Grande Otelo, Tonico e Tinoco, Chitãozinho e Xororó, Jobim e Vinícius, Roberto Carlos e Caetano, Chico e Milton Nascimento, Jair Rodrigues e Elis Regina, Cecília Meireles e Clarice Lispector, Ruben Braga e Fernando Sabino, Quintana e Manoel de Barros…

Vai chegar esse dia sim. Está chegando.  Que coisa sensacional será ver ali na tela, à nossa frente, um par de gênios discutindo futebol, politica, religião, filosofia, poesia, música…
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
A. A. de Assis (1933)
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, carinhosamente conhecido em todo o país como A. A. de Assis, é o grande patriarca das letras em Maringá e uma das maiores referências do movimento trovadoresco no Brasil. Fluminense de nascimento (nascido em São Fidélis em 1933), ele chegou ao Norte do Paraná em janeiro de 1955. Tornou-se o cronista visual, espiritual e poético do crescimento da "Cidade Canção". Ao chegar na poeirenta Maringá dos anos 1950, trabalhou inicialmente gerenciando uma loja de autopeças de seu irmão. Foi um dos pilares da imprensa escrita local. Atuou como jornalista, redator e diretor em veículos históricos como O Jornal de Maringá (o pioneiro da cidade), Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná (criado por Dom Jaime Luiz Coelho), além das revistas Aqui e Novo Paraná. Formou-se em Letras e construiu uma sólida carreira docente. Foi professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por décadas, aposentando-se das salas de aula em 1997.
A. A. de Assis é considerado o "remanescente brilhante" da escola tradicional da trova brasileira. Sua inserção na literatura maringaense é mítica: Em 1959, ele publicou a coletânea de poemas intitulada Robson (sob o pseudônimo homônimo). Esta obra detém o marco histórico absoluto de ser o primeiro livro impresso e publicado na história de Maringá. Sua contribuição mais famosa para a cultura religiosa e literária nacional foi a criação da Missa em Trovas. Trata-se de uma composição litúrgica inteiramente estruturada sob a forma poética de trovas, muito cantada e celebrada em paróquias do Brasil. Algumas obras publicadas:  Robson (1959 - Poemas); Itinerário (Poemas); Caderno de Trovas e Tábua de Trovas; A. A. de Assis – Vida, Verso e Prosa (Sua obra autobiográfica).
A importância de sua obra de estreia, Robson, é tão imensa para a identidade local que o livro foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico Imaterial do Município de Maringá. Poucos escritores no Brasil receberam essa honraria em vida sobre uma publicação literária. Em tempos de versos livres, A. A. de Assis manteve acesa a chama da trova clássica, caracterizada pelo lirismo profundo encaixado perfeitamente na métrica rígida da redondilha maior (sete sílabas). Suas composições servem de modelo técnico para novos poetas de todo o país. Suas crônicas jornalísticas e literárias registram a transformação de Maringá de um vilarejo cercado por poeira vermelha e cafezais para a metrópole moderna atual. Ele deu estridência literária à memória dos pioneiros.

Fontes:
Portal do Rigon. 20.08.2026
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet)