Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Nilto Maciel (Panorama do Conto Cearense - Parte IX)

(id: MCCIX)

Outros não chegaram a publicar livro de contos, salvo engano, como os que se seguem:

Gerardo Cristiano de Sousa, natural de Morrinhos, participou do Grupo Cajuveni. Participou de Multicontos, com “Quermesse”.

Hugo Barros da Costa (“potiguar nas origens, cearense naturalizado”) compareceu ao O Saco n.º. 2 com “A Entrega”.

João Bosco Sobreira Bezerra nasceu em Canindé (1947). Formou-se em Medicina, em João Pessoa, Paraíba. Correspondente da revista O Saco, naquele Estado. Poeta e contista. Participou de Queda de Braço – Uma Antologia do Conto Marginal, 1977, com “O Chapéu”.

João Teixeira apresentou o “O Fosso” em O Saco n.º 6.

Joaquim José da Silva Neto nasceu em Redenção (1925). Tem poemas e contos em jornais de Fortaleza, onde exerceu o jornalismo. Integrou-se na Antologia de Contos Eróticos (Editora Realce, 1988), com “Insucessexo”.

José Jackson Coelho Sampaio é um dos fundadores da revista O Saco. Poeta e contista, tem contos em jornais e revistas. Naquele periódico estampou “Apartamento 132, Edifício Vesúvio. (Investigação 04768943/AZ)”. Em Siriará mostrou “Caçada”.”

José Mapurunga também se apresentou na revista O Saco e outras publicações, sobretudo com poemas. Em 1995 ganhou o Prêmio Osmundo Pontes na categoria poesia. Em 2003 foi o vencedor, com o livro Contos de Andarilho.

Marcondes Rosa (Santa Quitéria, 1943) mostrou “À Espera do Cavalo Verde” em O Saco n.º. 7, publicado anteriormente no jornal O Caboré, dos estudantes de Letras da UFC, década de 1960.

Marly Vasconcelos (Fortaleza) é formada em Direito e Letras. Participou do grupo Siriará e foi membro do Conselho Editorial da revista Pássaro. Estreou em 1973, com livro de poemas. Tem editados outros volumes de poemas e um romance, premiado pela União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro. Seus contos têm aparecido em periódicos e antologias, como O Talento Cearense em Contos, com “Devoção”. Membro do Grupo Espiral e da Academia Cearense de Letras. Na Seara mostrou “Inventário” (n.º. 3), “Vinho Forte” (n.º. 6) e “Flores de Laranjeira” (n.º. 7). Em Espiral, “Enlevo” (n.º. 2). Seu livro inédito se intitula A Mão no Fogo, segundo Girão.

Mino (Hermínio Macedo Castelo Branco), nascido em Fortaleza (1944), é desenhista-cartunista, chargista, retratista, caricaturista, pintor, programador visual e escritor. Em seus almanaques publica poemas, textos políticos e contos.

Nonato Lima divulgou “À Porta do Céu” no Folhetim Literário Acauã.

Renato Saldanha (Quixeramobim) imprimiu “Cara e Coroa” em O Saco n.º. 2.

Roberto Aurélio Lustosa da Costa (Sobral, 1951) tem “O Casamento de Zoé” em O Saco n.º. 4.

Victor Cintra nasceu em 1955, em Mombaça. Pertenceu à Academia dos Novos e ao Clube dos Poetas Cearenses. Tem contos e poemas publicados. Participou de Queda de Braço, com “Gregórgia Bestial” e “Sádica”. Formado em Letras pela UFC.

ANOS 1980

Nos anos 1980 surgiram diversos grupos, com jornais e revistas, como é o caso de Seara – Revista de Literatura, surgida em 1986, como órgão do Grupo Seara, tendo à frente Beatriz Alcântara, Marly Vasconcelos e Samira Abrahão. Divulgou narrativas das principais contistas cearenses do final do século XX, como Ângela Barros Leal, Beatriz Alcântara, Glícia Rodrigues, Inez Figueredo, Isa Magalhães, Joyce Cavalcante, Marisa Biasoli, Marly Vasconcelos, Mary Ann Leitão Karam, Nilze Costa e Silva e Regine Limaverde. Nem todos os contistas surgidos nesse período, porém, estiveram filiados a grupos. Alguns já tiveram livros publicados, quer no gênero conto, quer em outros. A maioria, porém, tem editados peças de ficção apenas em coletâneas e revistas, sobretudo em Seara e Espiral. Somente três deles, entretanto, tiveram editado o primeiro livro no gênero antes de 1990: Leonisa Maria Magalhães de Souza, em 1987, Natércia Campos e Nilze Costa e Silva, no ano seguinte. A maioria continuou a divulgar suas obras em jornais, revistas, antologias e livros. A começar por um dos mais veteranos, Alberto Santiago Galeno, nascido em 1917. Na antologia 10 Contistas Cearenses (1981) apresentou "Homens de Palavra". Sobre ele F. S. Nascimento escreveu: "A linguagem é precisa, economicamente essencial. O uso predominante de frases curtas estabelece uma situação de envolvência, emprestando ao narrador uma postura de quem está revivendo um caso realmente acontecido".

No entanto, as mulheres são destaque naqueles anos. Natércia Campos é nome fundamental do conto cearense após 1980. Nas 15 composições de Iluminuras (1988) os dramas vividos pelos personagens parecem originados de lendas ou do lendário sertanejo, que, embora modificado, adaptado ao ambiente nordestino, tem suas raízes na cultura popular européia ou, mais precisamente, ibérica. Vejam-se as histórias de gêmeos ("Almofala" e "O Rio"), do menino pagão ("O Pagão"), da velha rezadeira (presente em algumas narrativas), do pescador encantado ("Alumbramento"), da mulher solitária (pelo menos em duas), da menina enigmática ("Uma Velha Canção", "A Menina" e "Lua Cris"), do menino ou da menina e do avô ou da avó ("Crisálida" e "Mãe Natureza"), do faroleiro e o navio fantasma ("O Farol"), do cordeiro imolado ("Perdão") e do leproso ("Penitentes").

Os ingredientes básicos destas narrativas são o ambiente, pode-se dizer, medieval, seja rural ou marítimo; a presença constante de personagens estranhos, como rezadeiras, loucos, visionários, encantados, deformados; as crenças e crendices como foco principal; o enigma embutido no conflito; e a linguagem mais para clássica (Alexandre Herculano) do que para a dos contos populares: "contam que...", dos irmãos Grimm, Charles Perrault.

As descrições de Natércia não constituem meros exercícios de linguagem. Ao contrário, servem de apoio às narrações e sem as quais estas pareceriam longas frases cheias de verbos e substantivos. Ocorre também a simultaneidade da narração ao longo do tempo e da descrição do ambiente. Esta nunca se dá de forma isolada, isto é, sempre antecede ou sucede a narração de um fato. Talvez nem seja assim: Não antecede nem sucede a narração, se faz durante a elaboração das frases. Como em "O Jardim". Enquanto descreve o jardim, narra curtos episódios de um passado mais distante.

A linguagem de Natércia Campos é limpa, elegante e atraente. Nada de gírias, lugares-comuns, frases feitas. Os verbos são os mais propícios à narração e à descrição: adejar (os ventos adejavam), farfalhar (as folhagens), aconchegar (o xale), firmar (a vista), reter (o vulto) etc. Não se trata de linguagem pomposa, de difícil leitura. A escritora não tem necessidade de ostentar erudição. Também o uso freqüente de nomes de objetos em desuso e outros substantivos, adjetivos e verbos esquecidos da maioria dos escritores brasileiros contemporâneos faz de Natércia Campos uma narradora singular.

Regine Limaverde fez estréia no gênero conto com o livro As Leves e Duras Quedas do Amor, em 1992. Moreira Campos escreveu nas abas do volume o seguinte: "Destaco ainda, não obstante as dezesseis estórias que contém, a unidade do livro, no que tange a essa mensagem dos sentidos abrasados. São "flashes", manchas, ocorrências. De um nada a autora tira tudo, em termos de clima ou atmosfera: um encontro, um olhar, certos "olhos escuros". Recorre ainda ao uso do que aqui chamo de diálogo interno, muitas vezes, além de usar de uma linguagem livre, solta, sem peias". Ensina Francisco Carvalho, em "A Poesia e a Ficção de Regine Limaverde" (TC, págs. 148/153): "os seus contos fogem completamente aos velhos esquemas tradicionais. São pequenas e breves histórias de amor, desprovidas do clássico enredo, de começo, meio e fim".

Beatriz Alcântara apareceu em livro de prosa de ficção com D’aquém e D’além Mar (1993). À frente das revistas Seara e Espiral e da organização das coletâneas Águas Dos Trópicos – Ensaios e Seleta de Poemas Contemporâneos (2000), Amor nos Trópicos (2000) e Fauna e Flora nos Trópicos (2002), ao lado de Lourdes Sarmento, tem divulgado não só a poesia e o ensaio literário, mas também o conto. Tem divulgado suas obras em jornais, revistas e antologias. Em "Mito Rei", Beatriz funde num só drama duas histórias aparentemente díspares: a de Abigail, a mulher morta no caixão, e a de Davi, o Lagoinha, o homem estranho que participa do velório. O presente é o velório, o passado anterior é a vida do bandido. A ação no presente se desenrola em alguns minutos e culmina com a chegada de policiais e a prisão do Davi. Mesmo assim, o desenlace do conto apresenta um enigma ao leitor. Aliás, desde o início da narrativa esse enigma é estimulado nos diálogos. Por outro lado, o uso de diálogos em linguagem oral dá à narrativa agilidade, assim como a narração sob a óptica onisciente, ora no presente, ora em flash-back. Em "Maria, a amante do mar", todo construído de narração, o mistério da personagem lembra o de Davi. Apareceu de repente, sem explicação, sem apresentação. O ambiente neste conto é mais amplo do que o do outro: uma praia, o vilarejo da Taíba. Não exatamente o mar, que na história é também personagem, o amante de Maria, a protagonista.

Lourdinha Leite Barbosa (Maria de Lourdes Dias Leite Barbosa) publicou o volume A Arte de Engolir Palavras em 2002. Beatriz Jucá observou nele a riqueza verbal, o apuro estético e a técnica segura, "que, aliados a um olhar atento e original sobre a realidade, dão forma a seu texto". E ainda: "São contos em que a autora oferece um tema que interessa, uma trama que prende, um desfecho que surpreende e uma linguagem que expressa e revela a natureza ficcional de sua criação". A linguagem de Lourdinha é medida e culta. Nada de frases suntuosas, sinuosas, intermináveis. Nada também de vulgaridades. Composições quase sempre curtas, compostas de narrações essenciais. Nada de descrições inúteis, berloques ou penduricalhos verbais. Tudo a girar em torno de personagens pequenas, mulheres oprimidas, sofridas, perdidas dentro de casa. Ou de homens perdidos dentro de si mesmos, amordaçados pelo pecado, pela culpa. Para completar a leitura dos contos de Lourdinha faz-se necessária a leitura do ensaio "Sobre A arte de engolir palavras e outras artes", de Vicência Maria Freitas Jaguaribe, inserido no livro acima mencionado.

Em 1989 Beth Moreira Lima publicou Último Ato. No prefácio, Ribamar Lopes anotou: "Suas histórias têm aquela feição de oralidade observada por Mário Matos nos bons contos de Machado de Assis, feição decorrente de sua aptidão inata de narradora e que ela busca aprimorar com a consciência da força e dos limites do conto."

Outras contistas merecem especial atenção, como Ângela Barros Leal, Erika Ommundsen-Pessoa, Glícia Rodrigues, Heloísa Barros Leal, Ines (Inez ou Ignez) Figueredo, Isa Magalhães (Leonisa Maria Magalhães), Lena Ommundsen, Maria Ilma de Lira, que esteve presente em 10 Contistas Cearenses e mereceu de F. S. Nascimento a seguinte análise da peça intitulada "Fogo Apagado": (...) "quanto à elaboração ficcional, o excesso de situações extrapola a medida episódica do conto atual, melhor se acomodando, talvez, no continente da novela. A fartura de material sugere, portanto, uma dimensão narrativa maior, o que não deixa de representar um aceno para a ficcionista, pela sua já comprovada aptidão para a criação literária, uma vez que autora dos romances Serrinha (1961) e Rendeiros do Santo, inédito".

Os contistas, porém, não deixaram o palco naqueles anos. Teoberto Landim, com Conversa Fiada (1983), apareceu para resgatar o masculino na ficção curta no Ceará. No prefácio, Dulce Maria Viana faz as seguintes observações: "é precisamente na linguagem que reside um dos pontos altos de Conversa Fiada. Não fosse pelo domínio do discurso indireto livre, conforme já disse, mas pelo regionalismo que a perpassa e de que o autor, cearense da gema, não se tinha dado conta até colocar seus textos num outro contexto". E prossegue: "Teoberto Landim não faz esforço algum para escrever em linguagem regional – ele a escreve, simples, naturalmente. E isto faz, sem dúvida, um dos encantos de seus contos, pois que, trabalhando com temas e enredos de uma forma ou de outra universais, havia de ser a linguagem – saborosíssima – a pedra-de-toque que aciona o interesse maior".

Jorge Pieiro tem se destacado nacionalmente. A sua linhagem é a de Gilmar de Carvalho e Uilcon Pereira. Do primeiro herdou a aversão à disciplina técnica da arte de contar, narrar. De ambos herdou o gosto pelos personagens impalpáveis, mutantes, nebulosos, imaginários, quase mitológicos. "naíra desencantou-se de sua forma vespa em mulher" ("desencanto num crepúsculo ou meio-delírio em reflexão", de Fragmentos de Panaplo). Incluído, com Pedro Salgueiro, na antologia Geração 90: Manuscritos de Computador, organizada por Nelson de Oliveira, figura ao lado dos melhores cultores do conto no Brasil surgidos a partir de 1990. Na sua opinião, "os que publicaram o que de melhor se leu no final do século XX".

No entender de Nelson de Oliveira, em "O novo conto brasileiro: apocalipses", "seus contos têm características híbridas, com elementos trazidos principalmente da poesia. São textos muito curtos, o maior não tendo mais do que duas páginas, de rico conteúdo simbólico e estrutura surrealista". E mais: "Pieiro gosta de trabalhar com ferramentas de corte e solda na microestrutura do discurso. Ou seja, ele, a gramática em uma mão, a tesoura e o tubo de cola noutra, recorta orações e vocábulos a fim de construir sentenças que jamais se completam, cheias de interrupções e atalhos. O resultado é sempre caleidoscópico, com cheiro de escrita automática desautomatizada".

A opinião de Horácio Rodrigues, no ensaio "O Jorge dos Espelhos Cearenses", é a de que o contista "com Caos Portátil consegue em curto espaço abrir as asas do sonho e empreender um vôo mágico, impossível de não ser acompanhado. Sem pompa e com atrevimento, transforma a linguagem usual em linguagem literária, parte do corriqueiro chegando a uma dedução fantástica. Em seus contos curtos, quase poemas, Jorge surpreende ao transpor o horizonte semântico da comunicação onde o possível se confunde com o impossível, ultrapassando, de maneira simples, a visão realista".

Mais adiante analisa outro aspecto da obra do contista: "Jorge faz uso de uma linguagem plurisignificativa, onde intelecto e sentimento não estão dissociados." Prossegue a análise assim: "Nas raras e densas páginas de Caos Portátil nos é permitido um passeio pelo labirinto encantado, o tempo, o espaço, o infinito, a angústia diante da cultura como A Biblioteca de Babel de Borges".

Residindo em Brasília há muitos anos, José Maria Leitão é pouco conhecido no Ceará. No prefácio do livro A Estranha Estória de Bebeto Areião, de 1983, Júlio Cezar Gomes nos dá uma idéia clara do que são as histórias de Leitão. O contista "demonstra não só a propensão inequívoca para o fantástico, como a disposição para o relato singular, mais de conforme com as leis da narrativa oral, de influência dominante". Em outro parágrafo se volta o crítico para aquilo de que se falava no início deste capítulo: a memória do ficcionista. "Mais do que as armas e barões assinalados, se oferece ao leitor como avalista do próprio passado e nos reconta toda fascinante proposta do seu plano ideativo, sem perder de visto o adro geométrico do cotidiano".

Outro é Valdemir de Castro Pacheco, com o livro A Onça de Birindinha e Outras Onças. Participou de 10 Contistas Cearenses, e nele F. S. Nascimento observou: "Com ‘Um Galo para um Dia de Gala’, Valdemir de Castro Pacheco reconstitui um episódio, enriquecendo-o de múltiplos pormenores imagísticos, alguns dos quais intensamente cromáticos. Entretanto, os direcionamentos da visão do narrador são tantos para os cenários que emolduram o núcleo da fabulação que, em determinados momentos, chega a sentir-se a ausência do galo no espaço ficcional".

Carlos Gildemar Pontes também vem do início dos anos 1980, embora somente em 1998 tenha sido editado seu primeiro livro – A Miragem do Espelho. Na opinião de Gamboa Villa-Verde, "o desenredo ou a implosão do enredo, face à narrativa fragmentária dos textos, são aspectos marcantes e fundamentais na construção do insólito na maioria dos contos."

Waldy Sombra, presente em 10 Contistas Cearenses, com "Jitirana" é também nome importante. Na opimnião de F. S. Nascimento, "Seu amadurecimento como ficcionista ressalta à primeira vista, usando com bastante propriedade a estrutura verbal da curta narrativa. Além da boa qualidade da linguagem, explora um tema de grande evidência social, e este aspecto é projetado, através da ficção, como uma segura consciência desse degrau da condição humana".
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Para completar este capítulo, uma breve relação biobibliográfica, em ordem alfabética, dos contistas desse período. Primeiramente serão apresentados aqueles que alcançaram maior projeção, seja porque publicaram livros de contos, seja porque granjearam alguma fortuna crítica. A seguir virão os outros.

Alberto Santiago Galeno (Russas, 1917), neto de Juvenal Galeno, é autor de alguns livros, entre os quais Sob o signo do macaco. Integrou a antologia O Talento Cearense em Contos, organizado por Joyce Cavalcante, em 1996. E também a antologia 10 Contistas Cearenses (1981), com "Homens de Palavra". 4.º no I Prêmio Cidade de Fortaleza, com "O Campina de Mestre Pedro".
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Beatriz Alcântara nasceu em Fortaleza. É poeta, contista e ensaísta. Publicou D’aquém e D’além Mar (1993). Mestra em Literatura pela UNB (Brasília). Integra a Academia Cearense de Letras, fez parte do Grupo Seara de Literatura e pertence ao Grupo Espiral. Suas narrativas estão estampadas em revistas, como Seara: "A Boca" (n.º 6). Tem diversos livros, quer ensaios, quer de poemas. Incorporou-se a algumas antologias, como O Outro Lado do Olhar (1988), ao lado de Glícia Rodrigues, Joyce Cavalcante, Samira Abrahão e Stela Maris Rezende. Os títulos das peças são "Monólogo da Coisa", "Rua Paschoal de Mello 45", "Inquisição", "O Chorão" e "Um Cravo Vermelho". Está também presente na Antologia do Conto Cearense (1990), com "Mito Rei"; O Talento Cearense em Contos (1996), com "Maria, a amante do mar" (Prêmio Henriqueta Galeno, 1984), e Talento Feminino em Prosa e Verso (2002). Organizou, com Lourdes Sarmento, as coletâneas Águas Dos Trópicos – Ensaios e Seleta de Poemas Contemporâneos (2000), Amor nos Trópicos (2000) e Fauna e Flora nos Trópicos (2002), os três com poetas de todo o Brasil.
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Beth Moreira Lima foi a vencedora do I Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, com "Loba". As nove histórias e os sete poemas vencedores foram reunidos em livro, que recebeu como título o nome do concurso. Participou de antologias e ganhou outros prêmios literários. Em 1989 publicou o livro Último Ato.
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Carlos Gildemar Pontes (Fortaleza, 1960), professor de Literatura na Universidade Federal da Paraíba, estreou em livro em 1982, com Reflexos. Em 1988 "Miragem" obteve o 2.º lugar no 1.º Prêmio Literário Cidade de Fortaleza. No gênero conto publicou A Miragem do Espelho (1998).
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Furtado Neto nasceu em Santa Cruz, hoje Reriutaba, em 1933. Desde 1951 vive no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito. Poeta e contista, editou alguns livros, entre eles um de contos: Raios de Sol, em 1983. (Girão)
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Isa Magalhães (Leonisa Maria Magalhães) é paulista de nascimento, porém radicada no Ceará desde cedo. Uma das fundadoras do Grupo Seara. Tem ficções em jornais e revistas. Ganhadora de concursos literários. Autora do volume de histórias Psiu, o síndico pode estar ouvindo!, em 1987. Tomou parte da Antologia do Conto Cearense (1990), com "A Última Obra". Na revista Seara editou "A Filha dos Espíritos" (n.º 2), "As Baratas" (n.º 3), "Os Recém-Nascidos Estão Chorando" (n.º 4), "... e os Deuses Criaram os Homens" (n.º 5), "Giles de Rais – O Marechal do Diabo" (n.º 6) e "A Transmutação de Stanislau" (n.º 7).
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Jorge Pieiro, nome literário de Jorge Alan Pinheiro Guimarães, é natural de Limoeiro do Norte (1961). Iniciou-se nas letras em 1977, no jornal Kuandu, na cidade natal. Diz-se escritor-ensaísta-professor-mestrando-produtor cultural, em letra&música e espaço aberto. Obra literária escolhida: neverness (poesia: letra&música / resto do mundo 1996); fragmentos de panaplo (contemas: do autor 1989); galeria de murmúrios (ensaio: tempo molequin 1995); caos portátil (contemas: letra&música 1999). Incluído nas antologias Geração 90: Manuscritos de Computador e Geração 90 – Os Transgressores, pela editora Boitempo, organizadas por Nelson de Oliveira. Na opinião de um crítico, participam delas "os que publicaram o que de melhor se leu no final do século XX". Tem colaborado também em jornais – articulista de O Povo – e revistas do Brasil e do exterior, com ensaios críticos, resenhas, traduções, relatos e experiências fragmentárias.
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José Maria Leitão nasceu em Fortaleza (1936). Pouco conhecido no Ceará, vez que migrou para Brasília muito cedo (1963). Ganhador de alguns prêmios literários no Brasil e no exterior, como o Plural, México, 1985. Incluído na Antologia do Conto Cearense, de Mary Ann. Estreou com A Estranha Estória de Bebeto Areião, em 1983. Depois disso divulgou alguns romances.
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Lourdinha Leite Barbosa (Maria de Lourdes Dias Leite Barbosa) nasceu em Ipu. Formou-se em Letras na Universidade Estadual do Ceará, da qual é professora adjunta, fez Mestrado em Literatura Brasileira na UFC, tem contos e artigos publicados em jornais, revistas especializadas e antologias, como "Bumerangue" (O talento cearense em contos. São Paulo: Maltese, 1996); "O discurso poético de Beatriz Alcântara" (Espiral: revista de literatura, n.º 2, 1996); "As Máscaras de Eros em Broquéis" (Percurso de Letras – revista do Curso de Mestrado em Letras da UFC, nº1, Fortaleza: Edições UFC, 1996); "A Estranha Máquina Extraviada – uma escrita surpreendente" (VestLetras: obras comentadas, Jornal O Povo, encarte, Fortaleza: Edições Fundação Demócrito Rocha); "A viagem" (Espiral n.º 3, 1997); "Flores de papel" Espiral n.º 4, 1998); "Retratos de uma poética delicada" (Jornal O Povo, Caderno "Vida e Arte", Fortaleza, 26/9/ 1999); Protagonistas de Rachel de Queiroz: caminhos e descaminhos (ensaio) (São Paulo: Pontes Editores, 1999); "O percurso de um poeta" (Literapia – revista da Sociedade de Médicos Escritores, n.º 2. Fortaleza, SOBRAMES, julho de 2000); "Intertextualidades Camonianas (Café das Artes – revista de informação cultural. Fortaleza: LCR, 2000); A arte de engolir palavras (contos), Recife, Editora Bagaço, 2001; "Imagens em fuga – uma leitura do poema ‘Elegia’ de Artur Eduardo Benevides" (DN, Caderno de Cultura, 25/5/03, p.4.)
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Natércia Campos nasceu em Fortaleza, 1938. Estreou com Iluminuras, em 1988, com o qual alcançou o segundo lugar na IV Bienal Nestlé de Literatura Brasileira. Premiada também no 2º Concurso Literário Banco Sudameris, com "A Escada". Suas histórias estão em antologias e periódicos. Teve participação na antologia O Talento Cearense em Contos e, com "O Jardim", na Antologia do Conto Cearense
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Pedro Wilson Rocha é natural de Massapê (1935). Publicou contos em jornais do Ceará e de outros Estados. Estreou em 1983, com Seu Defunto e Outro, seguido de Caco de Vidro, de 1984. Tem também volumes de poemas. "A Última Vez", "O Herege" e "Reincidência" foram estampados na revista Ceia Literária n.º 3, de 1984. "Asfalto Vermelho" saiu no livro Quem Conta um Conto, da Editora Expressa, de São Paulo. "O caco de vidro" se estampou na antologia Multicontos.
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Pery Augusto Bezerra é natural de Lavras da Mangabeira. Vive em Manaus. Autor de alguns livros de ensaios, crônicas e prosa de ficção, como A Viúva Fanática (Manaus, Imprensa Oficial do Amazonas, 1983) e Catarina e Outras Histórias Curtas de Amor, segundo Dimas Macedo, em Crítica Dispersa, pág. 182.
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Raimundo Batista Aragão é natural de Viçosa. Autor de Barnabé (crônicas), dos romances Pedra Verde, Bravos da Missão e Sombras do Asfalto, Violência e Terrorismo (ensaio) e Um casal de férias (contos). Na antologia Multicontos mostrou "O adeus da vergonha".
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Reginaldo Dutra é autor de Garoto de Baturité, 1983, com prefácio de Caio Porfírio Carneiro, para quem "a ficção de Reginaldo Dutra é tão marcante e pessoal que, com este livro, apresenta-se amadurecido na difícil e fascinante arte de contar." Vive em São Paulo.
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Regine Limaverde (Fortaleza, 1947), após alguns livros de poemas, fez estréia no gênero conto com o livro As Leves e Duras Quedas do Amor, em 1992. Na Seara mostrou "Bicho-Homem" (n.º 6) e "Eu Te Amo, Agora" (n.º 7). Em 2003 publicou Se Me Contam, Eu Conto.
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Ribamar Lopes ou José de Ribamar Lopes obteve em 1983 o Prêmio Odylo Costa, filho (Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, promovido pela Secretaria de Educação e Cultura de São Luís, Maranhão) com o livro Quinze Casos Contados, publicado em 1985 pela Nação Cariri Editora e Livraria Gabriel, Fortaleza.
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Simone Gadelha (Fortaleza, 1960) imprimiu o livro Contagem Depressiva (1980). Reside em São Paulo e se dedica à música. Para a antologia O Talento Cearense em Contos teve selecionado "Contagem Regressiva".
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Teoberto Landim (Pio XII, Piauí, 1943) mudou-se para o Ceará ainda bebê. É doutor em Literatura de Língua Portuguesa e autor de Conversa Fiada (1983), e dos romances Busca (1985) e A Próxima Estação (2000).
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Valdemir de Castro Pacheco nasceu em Viçosa do Ceará. Obteve alguns prêmios literários. Editou A Onça de Birindinha e Outras Onças. Participou de 10 Contistas Cearenses, de 1981. Dois anos depois compareceu à antologia Multicontos, com "O bom pirata". 8º no V Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, 1995, com "Na Espreguiçadeira".
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Seguem-se algumas informações relativas a outros contistas publicados nas revistas Seara e Espiral, sobretudo, e que ainda não ousaram divulgar suas histórias em livro ou, se o fizeram, não alcançaram maior projeção na opinião de críticos:

Aila Sampaio apresentou na Espiral: "Orquídeas" (n.º 5), "A Escolha" (n.º 6) e "Redemoinho" (n.º 7).

Ângela Barros Leal ganhou vários concursos literários, como o Prêmio Ceará de Literatura de 1993, de que resultou uma coletânea, de 1994, e da qual é partícipe com cinco narrativas. Na Antologia do Conto Cearense (1990), organizada por Mary Ann Leitão Karam, com prefácio de Rachel de Queiroz, se apresenta com "Crescendo em Campos de Batalha". Em Multicontos, com "Jogos fúnebres". Na Seara n.º 7 deu a conhecer "Como Devia Ser".

Antonio Mourão Cavalcante nasceu em Crateús. Doutor em Psiquiatria e professor. Participou de Multicontos, coletânea de contos premiados pelo BNB-Clube de Fortaleza e publicada em 1983.

Antônio Weimar (Quixadá, 1951) é contista e poeta. Estampou obras curtas em jornais e revistas, como Espiral, na qual consta "A Boiada do Tenório" (n.º. 3). Na coletânea Recidivas (1998) publicou "O Livre Arbítrio".

Christina Cabral tem livros publicados e colaborou em jornais de Fortaleza. Na Seara apresentou "Às Noites os Gatos São Pardos..."

Durval Aires Filho nasceu em Fortaleza. Tem ensaios publicados. Participou de Multicontos, com "Uma nova pauta com o diabo?"

Erika Ommundsen-Pessoa é romancista e contista. Na Seara n.º. 7 mostrou "L’Âme Éprise", em francês. Na Espiral n.º. 1, "La mort des amants", e "Sans Titre et Sans Mot Aligné" no n.º. 4.

Eurico Bivar nasceu em Acopiara. Mais dedicado ao teatro do que à literatura. Participou de Multicontos, com "... de como foi perdido o meu cordão umbilical entre as cidades de Baturité e Quixeramobim".

Fernanda Luz Benevides nasceu em Fortaleza. Participou de Multicontos, com "Seca" e "O homem". Obteve menção honrosa (ou 3.º lugar) no III Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, 1992, com "A Mulher que Chovia".

Fernanda Quinderé deu a conhecer "A Predestinação de Leonor" na Espiral n.º 5.

Francisco Carlos Bezerra e Silva é natural de Pitombeiras. Integrou Multicontos, com "Picadeiros".

Francisco Nóbrega Teixeira, poeta, contista e ensaísta, é também psiquiatra e psicanalista. Tem livros editados, como Nossas Caminhadas, e participou da coletânea O Talento Cearense em Contos, com "O Resgate de Sócrates", e Multicontos, com "A ordem dos penitentes do copo". Fundador e coordenador da Espiral, na qual estampou "O Castelo das Ruínas Circulares" (n.º 3), "A Brigada Internacional" (n.º 4).

Francisco Paceli Vasconcelos, natural de Sobral, integrou a antologia Multicontos, com "Um caso de adesão".

Francisco Roberto Bezerra Leite nasceu em Russas. Publicou contos e poemas em jornais e na antologia Multicontos: "E se deita sobre mim, aconchegando-se ao meu corpo".

Glícia Rodrigues, poeta, contista e artista plástica, faleceu em 2002. Alguns livros publicados. Tem histórias em coletâneas e periódicos. Pertenceu ao Grupo Seara de Literatura, Poesia Plural e Espiral. Seu "Uma Mordida na Maçã" foi incluído na Antologia de Contos Eróticos (1988), em concurso promovido pela Editora Realce, Bauru, SP. Está presente em O Outro Lado do Olhar, com cinco narrativas, ao lado de outras quatro contistas. Da antologia O Talento Cearense em Contos participou com "Chocheteira de Insignificâncias". Seu "Jasmineiro" integra a Antologia do Conto Cearense (1990). Na Seara mostrou "Morgana" (n.º. 3), "Jasmineiro" (n.º. 4), "Mandala" (n.º. 5), "Tempos Difíceis" (n.º. 6) e "O Último Beijo" (n.º. 7). Em Espiral editou "Carta" (n.º. 3).

Heloísa Barros Leal (Fortaleza) é principalmente contista. Tomou parte em algumas coletâneas, como O Talento Cearense no Contos, com "Hóspede Indesejável". Tem contos em jornais e revistas, como Espiral: "A Retirante" (n.º. 2), "Pois é... promessa é dívida" (n.º. 3) e "Minha Companheira" (n.º. 4).

Ines (Inez ou Ignez) Figueredo (Fortaleza), poeta e contista, vem do movimento "Literarte", 1965. Uma das fundadoras da revista Espiral. Está incluída na Antologia de Contos e Poemas, resultado do Primeiro Prêmio Ceará de Literatura e editada pela Secretaria de Cultura do Ceará, em 1994, e O Talento Cearense em Contos. Tem composições em jornais, revistas e antologias. Na Seara n.º. 7 mostrou "Constanza e a Vida". Na Espiral, "Constatações de uma transgressora" e "Minimal" (n.º. 1), "Um dia, a vida" (n.º. 2), "Uma Mulher de Meia Idade (Do Tempo e dos Sonhos)" (n.º. 4).

José de Anchieta França Mendes nasceu em Juazeiro do Norte. Participou de Multicontos, com "Aposentadoria", adaptado para o teatro em 1982 e classificada, a peça, em 1º lugar no 2º Festival de Teatro de Juazeiro do Norte.

José Leite de Oliveira Júnior participou da revista Pássaro e teve "O tetraedro" incluído em Multicontos.

José Ribamar Leite Miranda, natural de Fortaleza, participou de Multicontos, com "O veio Valenço".

Lena Ommundsen, cearense de origem norueguesa, é ficcionista, poeta e ensaísta. Graduada em Letras pela Universidade Federal do Ceará. Doutora em Literatura Francesa pela Universidade de Lille III, França. Tem livros publicados, alguns romances, e participou de antologias, como O Talento Cearense em Contos, com "Serenata de Amor". Pertence ao Grupo Espiral, em cuja revista mostrou "Serenata de amor" (n.º. 1), "Em Uma Noite de Tempestade" (n.º. 4).

Luiz Gonzaga de Medeiros Nóbrega, natural de Fortaleza, integrou Multicontos, com "A vila dos três amores".

Lydia Maria Brito Teles nasceu no Rio de Janeiro, participou do Grupo Siriará, publicou em O Povo. Com "Bruma" e "Saudade" está em Multicontos.

Manoel César, natural de Fortaleza, participou de Multicontos, com "Silêncio".

Maria Cristina de Castro Martins participou de Multicontos, com "Terra à vista".

Maria Elizabeth de Oliveira vem publicando obras desde 1983. Participou de Multicontos, com "Insônia".

Maria Ilma de Lira esteve presente em 10 Contistas Cearenses. Autora dos romances Serrinha (1961) e Rendeiros do Santo, inédito.

Maria Tereza Barros figura com "Manuela" em Multicontos.

Marisa Biasoli (Fortaleza) estreou com livro de poesia, em 1981, em parceria. Ganhou concursos de conto. Colaborou em jornais e revistas, como Seara. É um dos integrantes da Antologia do Conto Cearense, com "O Coração Não Esquece". Na Seara divulgou "O Encontro" (n.º. 6).

Mary Ann Leitão Karan (Fortaleza) é poeta e contista. Alguns livros impressos. Peças premiadas e em coletâneas, como Antologia do Conto Cearense, com "À Sombra do Carvalho", e O Talento Cearense em Contos, com "Tensão". Fundadora do Grupo de Literatura Seara, em 1985. Na revista do movimento mostrou "Reencontro" (n.º. 2), "Estranha Sugestão" (n.º. 3), "Surpresa" (n.º. 4), "À Sombra do Carvalho" (n.º. 6) e novamente "Surpresa" (n.º. 7).

Nathanael da Silveira Britto Neto estreou em Multicontos, com "Era uma vez...".

Ocilma Ribeiro Lima nasceu em Missão Velha, tem publicado crônicas em jornais e participou de Multicontos, com "A grandeza de Brígida".

Odélio Alves Lima, natural de Redenção, se apresentou em Multicontos, com "Um caso corriqueiro".

Paulo Gurgel Carlos da Silva tem publicado poemas em coletâneas. Em Multicontos mostrou "Heteróclito, seus inimigos" e "Heteróclito, suas casas de pasto".

Paurilo Barroso Júnior tem contos em jornais e revistas, como Espiral: "O Velho Poeirão" (n.º. 2).

Raimundo Nonato de Lima é natural de Iguatu. Escreve contos, crônicas e poemas. Integrou Multicontos, com "O vivo morto vivo".

Rosa Maria Matos Nogueira estreou em Multicontos, com "O retirante".

Rosa Virgínia Carneiro de Oliveira também fez estréia nessa antologia, com "O beijo e o abraço".

Waldy Sombra nasceu em Limoeiro do Norte (1930). Formado em Letras Clássicas. Diversos livros publicados. Está presente em 10 Contistas Cearenses, com "Jitirana". Participa da terceira coletânea de contos do Ideal Clube, com "O Menino do Lagamar". E da Antologia Literária (Contos e Poesias), resultante do I Prêmio Domingos Olímpio de Literatura, 1998, de Sobral, com "Declaração de Amor" (1º) e "Colinha" (6º).
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continua...Depois de 1990

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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