Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 7 de março de 2009

Márcio Bueno (A Origem curiosa das palavras)



Por que razão chamamos um veículo de jardineira e uma escola de jardim-de-infância, se nenhuma relação existe com flores ou plantas ornamentais? De onde vem o termo chorinho, se a música é alegre e brejeira? Em que circunstância o verbo azarar, que significa urubuzar, incorporou o sentido de paquerar? De onde vêm termos usados no mundo do futebol como barbada, embaixada, frango, gol olímpico, lanterna, zebra etc.? Por que chamamos uma ave de peru (Peru), os povos de língua inglesa chamam de turkey (Turquia) e os de francesa de dinde (da Índia), se não é originária de nenhum desses três países?

Márcio Bueno, com seu espírito inquieto e questionador, decidiu procurar respostas para várias dessas questões intrigantes. Aliás, tem por hobby colecionar a história de palavras que apresentam alguma curiosidade em seu nascimento, em sua evolução ou ao assumir novas acepções.

A partir de 1995 e durante sete anos, o passatempo transformou-se em pesquisas sistemáticas, com consultas a trabalhos dos mais conceituados etimólogos, filólogos e historiadores de língua portuguesa, de outras línguas neolatinas e também de germânicas. E o autor foi além, desenvolvendo pesquisas de campo que apresentaram resultados surpreendentes, como a descoberta da origem de biruta, que até hoje os estudiosos não haviam identificado. O resultado final é um dos mais sérios e profundos estudos de etimologia voltados para o grande público. As surpresas se sucedem a cada página.

Profissional de televisão, Bueno tem uma forte ligação com imagens. Essa é a razão por que o livro é ilustrado com desenhos e fotografias de objetos e personalidades que deram origem a palavras que usamos no cotidiano. Em diversos verbetes, é possível conhecer as injunções políticas e econômicas que motivaram o surgimento de novos vocábulos. No verbete cuba-libre, por exemplo, são desvendados os interesses que estiveram por trás da criação do nome e também da própria bebida. Em muitos outros casos, o autor fala da origem das palavras e também da própria coisa significada, a exemplo de asa delta, bina, capoeira, chorinho, tênis etc.

Embora respeitando fundamentalmente o que dizem os estudiosos, o autor descobriu pelo menos um caso em que a razão está com os chamados iletrados. Segundo suas pesquisas, quando o povo pula do bisavô para o tataravô, ignorando solenemente a existência do intermediário, o trisavô, está tão somente resistindo a uma mudança que teve como base um equívoco cometido no século XIX. No capítulo Influência Portuguesa, o autor nos brinda com termos correntes em diversos outros idiomas, incluindo o inglês, o francês e o japonês que tiveram origem em nosso idioma. É o momento de maior elevação da auto-estima de quem fala português.

O AUTOR

Márcio Bueno é jornalista e publicitário. Trabalhou ou colaborou em publicações como os jornais Movimento, Pasquim, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo. Em televisão, foi editor nacional de telejornais na Rede Globo, dirigiu telejornais e programas na Rede Manchete e exerceu a função de superintendente de Jornalismo na TV Educativa. É co-autor do livro 20 Anos de Resistência - As Alternativas da Cultura no Regime Militar, publicado em 1986 pela Editora Espaço e Tempo.

Fonte:
Colaboração da Livraria Resposta.
http://www.livrariaresposta.com.br

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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