Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 20 de março de 2009

Neida Rocha (Súplica de um Velho Pai)

Cândido Portinari (Lavrador de Café) 1934
Velho peão abandonado,
fez das tripas coração
para que seu rebento
fosse doutor.
Trabalhou dias a fio,
sem pensar em si somente,
tornou-se um galponeiro,
tendo como cenário,
as guampas dos novilhos,
que serviam de ouvidor
ao gaudério solitário.
Cada vintém que conseguia
mandava logo pro guri
pois queria
que ele trouxesse
muito mais do que lá havia,
queria conhecimento
muito mais do que sabia.
Os anos foram passando,
e o velho matungo,
que trabalhar não mais podia,
pensava que o investimento
era hora de voltar.
Uma carta bem saudosa
pediu ao capataz
que escrevesse,
pro filho pra cá voltar
e sua velhice amparar.
Os pilas que agora tinha
não chegavam para comer
e trocava seus pertences,
mano a mano,
cada vez que mais não tinha,
por comida e farinha,
pra poder sobreviver.
Filho ingrato que não vinha
ver o pai no fim da vida,
que já não mais podia
custear a mordomia
do pampeano migrador.
E no sopro do minuano,
o velho ancião sonhava
com a volta do filho pródigo,
que voltasse ao rincão e
trouxesse seu sustento
pois carecia descansar.
O tempo foi passando,
rasgando impiedosamente
dia após dia,
as folhas do calendário.
E o guerreiro solitário
foi chamado
pro galpão celestial.
Conta a lenda
que até hoje,
ouve-se a lamúria sangrenta
do respeitoso macanudo,
que na tapera abandonada
seu filho quer ver chegar.
E hoje, o filho do gaúcho,
vive infeliz a rezar,
pedindo a todos os santos,
para seu pai o perdoar.
Em noite de lua cheia,
um lamento rasga o ar,
pedindo, em gemidos,
em baixo do maricá,
volta pra casa, meu filho,
venha comigo matear.
––––––––––––––––-
Menção Honrosa (12º Prêmio Missões - Roque Gonzales/RS)

Fonte:
Colaboração da autora.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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