Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 30 de maio de 2009

André Masini (A Rocha e a Espuma)


ADEUS MEU PORTO, ADEUS

Se menos áspero este mundo fosse,
Do adeus a ti, menor a dor seria.
Se à frente te aguardassem só alegrias.
Se meu futuro parecesse doce.

Não choro nosso amor, pois acabou-se,
Nem qualquer esperança que haveria,
Mas cada noite ameaçadora e fria,
cada tormenta que'essa vida trouxe.

Qual caravelas rotas, desvalidas,
que pela proa têm medonho mar
lançando ao porto amarga despedida,

nos separamos. Ô, Desatracar!
Na lógica implacável desta vida,
também se morre de no porto estar.
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A CAMINHO DO VULCÃO EL REVENTADOR

I

Diante de mim se descortina o dia,
chegado no silêncio mais profundo.
Recordo, lá de baixo, os sons do mundo.
Absoluto contraste... Calmaria.

Tons violáceos se mesclam - tão bonito -
à névoa branca etérea - inconstante.
À distância vislumbro em breve instante
um rio, que serpenteia ao infinito.

De outros vulcões, os picos entre as nuvens.
Escarpas sóbrias, perfiladas linhas.
Beleza em que se mostra o próprio Deus.

Serenidade e paz imperturbáveis.
De humanas emoções, somente as minhas.
De humanos sentimentos, só os meus.

II

No breu da noite, avança a escalada,
à tênue luz, de pilhas – que se esvai,
que ao lado mostra líquens – sempre iguais,
e ao longe, o negro, impenetrável nada.

Visões do dia, que o cansaço traz:
– a lava: mar de rocha que soterra
a mata exuberante desta serra;
– a chuva; – a lama; – e escarpas abissais.

Porém, cá em cima, a terra é uniforme.
mundo de pedra e líquens, tão enorme…
que todo o mais que existe, eu quase esqueço.

A névoa então se abre e me revela,
como um buraco em meio ao céu de estrelas,
o imenso vulto negro… Estremeço!
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Sinopse do Livro
"Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa" é uma coletânea de poesias de autores clássicos da língua inglesa em edição bilíngüe, que traz poemas originais de autores clássicos - Poe, Yeats, Keats, Wordsworth, Dickinson, Henley - apresentados lado a lado, verso a verso, com sua tradução literal.

Os poemas são mostrados e explicados ao leitor brasileiro através de grande quantidade de notas, que elucidam não apenas os significados de palavras e estruturas sintáticas, mas também os elementos sonoros, rítmicos, e outros recursos poéticos.

Cada autor é apresentado por meio de uma pequena biografia. Através de todos esses elementos o tradutor e organizador revela o caminho que percorreu para chegar à sua tradução final em verso.

Este livro é indicado não apenas a estudantes e professores de língua inglesa e tradução, mas a todos que desejam ter a experiência de vivenciar a poesia em outro idioma.
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Fontes:
– Poesias e Capa do Livro: MASINI, André Carlos Salzano. Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa/ Poesias de André C.S. Masini. São Paulo: A.C.S. Masini, 2000.
– Sinopse do livro. Casa da Cultura.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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