Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Gérard de Nerval (22 de Maio 1808 – 25 Janeiro 1855)


Gérard de Nerval (Paris, 22 de Maio de 1808 - 25 de Janeiro de 1855) foi um notório poeta do século XIX, considerado um expoente da poesia francesa.

Seu nome verdadeiro era Gérard Labrunie. Foi educado pelo pai, uma vez que sua mãe teve morte prematura.

Gérard de Nerval, cujo nome verdadeiro era Gerard Labruni, nasceu em Paris 22 de maio de 1808. Órfão de mãe, filho dum médico do exército de Napoleão, o jovem Gerard foi criado em Mortefontaine, na propriedade de seu tio-avô, no país Valois, região de florestas e lagos, tudo embuído de poesia e mistério, onde ele se inspira na poesia rústica e popular.

Ao longo de seus estudos parisienses, no colégio Carlos Magno, ele foi sócio do célebre Théophile Gautier, na elaboração de um folhetim dramático que era publicado regularmente na imprensa.

Ele refuta seus estudos de medicina, apaixona-se pela literatura alemã e em particular por Goethe, do qual ele seria mais tarde um grande tradutor e se fez conhecer por uma tradução de Fausto(1828) e depois de Hoffmann. Fausto, de Goethe, tradução na qual Berlioz se baseou para criar a sinfonia A Danação de Fausto.

No dia seguinte à batalha de Hernani(1830)da qual participou, ele frequenta a boemia da margem esquerda e o “Cenário” romântico e se vê numa louca paixão pela atriz Jennny Colon em 1836, que encarna todos seus sonhos, mas que o abandona para se casar com um músico. Ela se constituirá em seguida como uma das figuras femininas ideais, como em Aurélia (1855). Esta paixão infeliz determinará um traço característico de sua obra: a expansão do sonho na vida real, o fantástico e o amor platônico servindo para ele como fonte de inspiração.

Em 1841, começou a apresentar sinais de esquizofrenia, sendo internado por um tempo. Viajou pela Alemanha em companhia de Alexandre Dumas, e depois sozinho, pelo restante da Europa. Jenny Colon, sua” única estrela”, morre em 1842.

Ele se engaja, então, em 1843 numa viagem ao Oriente que o leva ao Egito, Síria, Turquia, Malta e Nápoles. A narrativa Viagem ao Oriente publicada em 1851 retrata essa experiência, toda impregnada da cultura antiga e de mitologia. Após a viagem, sua readaptação à França fica difícil e ele vive durante dez anos de pequenos trabalhos em edição e jornalismo.

Em 1851 sofreu nova crise de esquizofrenia, sendo internado por diversas vezes repetidas na clínica do Dr. Blanche, em Passy. Sua” loucura” lhe deixa mesmo assim alguns momentos de lucidez, donde nascem suas obras-primas e obras-mestras, Sylvie, Os filhos do Fogo e principalmente As Quimeras, seguida de doze sonetos repletos de alusões às revelações que o poeta crê ter recebido do Além, e logo tingidos dum hermetismo ligado à diversidade dos símbolos que ali funcionam simultaneamente. Nos últimos tempos de sua vida, ele leva uma existência errante e de miséria, até a manhã de 26 de janeiro de 1855, quando é encontrado dependurado sob a grade de uma escada, na rua da Velha-Lanterna, perto do Châtelet. É publicada Aurélia.

Características literárias

Desde cedo foi atraído pela literatura alemã, em especial "Contos Fantásticos", de Hoffmann, e "Fausto", de Goethe, que começou a traduzir em 1828.

Sua viagem ao oriente, que despertara o interesse pelo esoterismo e ocultismo, a esquizofrenia que o acompanhava, e a forte influência alemã foram fatores que o tornaram pouco alinhado com o romantismo francês de seu tempo.

Há uma certa melancolia em sua obra que o marginaliza ou, segundo pensam alguns críticos, o aproxima de um pré-simbolismo.

Obras principais
Elégies et Odelettes (1830) (Elegias e Odes Pequenas)
Fragments de Nicolas Flamel (1831)
Les filles du feu (1854) (As Filhas do Fogo), onde figuram os sonetos das Chimères (Quimeras)
Les amours de Vienne: La Pandora (1854) (Os Amores de Viena: A Pandora)
Aurélia ou le rève et la vie (1855) (Aurélia ou o Sonho e a Vida)

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/
www.clicfolio.com/clicfolio/arquivos.php?arq=33644&id=8924

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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