Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Honoré de Balzac (20 Maio 1799 – 18 Agosto 1850)


Honoré de Balzac (Tours, 20 de maio de 1799 — Paris, 18 de agosto de 1850) foi um romancista francês.

Nasceu no departamento francês de Indre-et-Loire e em 1849, com a saúde debilitada, viajou para a Polônia para visitar Eveline Hanska, uma rica dama polaca com quem se correspondeu mais de 15 anos. Em 1850, três meses antes da morte de Balzac, eles casaram-se.

Tendo-se tornado num dos maiores nomes do realismo na literatura, as suas obras são, no entanto, cunhadas sobre a tradição literária do romantismo francês. Sua A Comédia Humana (La comédie humaine), que reúne oitenta e oito obras, procura retratar a realidade da vida burguesa da França na sua época.

Os hábitos de trabalho de Balzac tornaram-se lendários - escrever cerca de quinze horas por dia, impulsionado por um sem-número de chávenas de café. Com uma produção volumosa, é frequente que se apontem pequenas imperfeições em sua obra - o que, no entanto, não é suficiente para retirar de muitas delas o epíteto de obras-primas.

Biografia

Filho de Bernard François Balssa, administrador do hospício de Tours, e de Anna Charlotte Sallambier, Honoré de Balzac foi o primeiro de três crianças (Laure, Laurence e Henry). Henry-François era, de longe, seu favorito.

O pai de Balzac, Bernard François, foi nomeado diretor da Primeira Divisão militar em Paris e a família se instalou na rua do Templo, no Marais; bairro de origem da família. Em 04 de novembro de 1816, começa a cursar Direito e obtém o diploma de bacharel três anos mais tarde. Ao mesmo tempo, tem aulas particulares teóricas na Sorbonne. Passou este período na casa do procurador Jean-Baptiste Guillonnet-Merville, um amigo da família e amante das letras.

Estilo

A prosa realista de Balzac e seu fôlego como um retratista quase enciclopédico de sua época sobrepujam eventuais características menos invejáveis de seu estilo e o posicionam como um bastião da literatura francesa.

Balzac foi sepultado no cemitério do Père Lachaise, em Paris, e seu jazigo conta com uma estátua realizada por Auguste Rodin. O discurso foi feito por Victor Hugo.

A Comédia Humana

A obra de Balzac encontra-se em domínio público e um razoável número delas está disponível digitalmente através do Projeto Gutenberg. No Brasil, a obra foi editada pela Editora Globo, em edições que contam com notas introdutórias de Paulo Rónai.

A Comédia Humana, que conta com oitenta e oito obras, a maior parte romances e contos, é um retrato de uma época com seu conjunto de personagens fictícios e reais que chegou a proporcionar o comentário de que "Balzac estaria competindo abertamente com o Registro Civil".

Escritos políticos

Formado advogado, Balzac acreditava em uma monarquia constitucional, e em uma aristocracia de tipo feudal, a qual ele dizia ser o intelecto do sistema social. Escreveu um panfleto em favor da primogenitude, e declarava não acreditar nos "direitos do homem", na igualdade humana, ou na habilidade das massas e do povo de se autogovernarem. Ele afirmava "Um só homem deve ter o poder de fazer leis."

Obras

Ficção
• A Comédia Humana (1829-1848) - contos, novelas e romances
• Contes Drolatiques (1832) - contos
• O Amor Mascarado (L'Amour Masque ou Imprudence et Bonheur - 1911) - romance

Não-Ficção
• Tratado dos Excitantes Modernos (Traité des excitants modernes - 1839) - ensaio
• Pathologie de la Vie Sociale (Traité de la Vie Élégante et Traité de la Démarche - 1839) - ensaios
• Os Jornalistas (Les Journalistes - 1843) - panfleto

Poesia
• Cromwell (1819) - tragédia em versos
• A mulher de trinta anos

Teatro
• L'École des Ménages (1839)
• Vautrin (1839)
• Les Ressources de Quinola (1842)
• Paméla Figaud (1842)
• La Marâtre (1848)
• Mercadet ou le Faiseur (1848)

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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