Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 26 de maio de 2009

José Renato M. Galvão (Mas afinal o que é “Fanzine?”)



Em cerca de um mês de divulgação do evento, temos nos deparado com muitas pessoas perguntando: “o que é na verdade um FANZINE? Já ouvi falar nessa palavra mas até hoje não sei o que significa.“

Não foram poucas as pessoas que fizeram esse questionamento e na minha opinião isso se explica facilmente: pelo simples fato de que o FANZINE, ou ZINE, como carinhosamente é chamado pelos seus fazedores, é uma publicação independente que praticamente não conta com nenhuma divulgação além da que é feita pelos seus editores e amantes do gênero.

A literatura sobre o tema é escassa, iremos apresentar alguns livros na EXPOZINE, mas na verdade o material bibliográfico para estudo dos ZINES acabam sendo as próprias publicações.

A mídia gorda (como escreve Mylton Severiano) não tem nenhum interesse em propagar a cultura dos ZINES, afinal pela sua própria essência o ZINE é a anti-imprensa corporativa, empresarial, cartelista, comercial, banal, corrupta, sensacionalista e golpista.

Os ZINES assumem-se como imprensa parcial, ou seja, deixam bem claro que são publicações de fãs e amantes de uma ou várias manifestações culturais. A própria origem da palavra vem dos termos ingleses FAN(FANATIC = fã) e ZINE (MAGAZINE = revista). Não buscam a tão valorizada imparcialidade ou neutralidade da imprensa, que via de regra esconde uma posição bem definida em prol das elites midiáticas que comandam o país, vide Globo, Veja, Época, Folha, Estadão, Band, Record e outras.

O FANZINE segue o conceito do-it-yourself (faça você mesmo) propagado pelo movimento punk na década de 1970. É algo que incentiva a criatividade e insere grande quantidade de indivíduos, principalmente jovens, no processo de disseminação da informação e da cultura. É um exercício de democracia, cidadania e liberdade de expressão.

Infelizmente o fator econômico é o maior percalço para os editores, impedindo grandes tiragens, o que torna essas publicações conhecidas somente na sua região ou município e ainda assim apenas entre o público fiel à temática proposta.

Entretanto os zineiros, com sua grande capacidade de comunicação e articulação, promovem uma extensa rede alternativa de contatos e divulgação, antecipando o conceito de links utilizado pela web. Dificilmente se encontra um zine que não tenha uma seção dedicada à divulgação dos amigos.

Talvez esse seja o maior diferencial dos FANZINES para com a imprensa comercial: a cooperação, a camaradagem, a amizade, ao invés da competição, individualismo e egoísmo tão presentes na mídia corporativista. Mesmo no caso dos ZINES que são vendidos, seus editores sempre encontram um jeitinho para descolar um exemplar para quem não tem grana no momento, muitas vezes cobrindo até os custos de postagem.

Podemos fazer uma analogia dos ZINES com relação á mídia gorda. É como se compararmos um mercado de bairro ou uma venda a uma rede de hipermercados. No primeiro caso a relação é mais humana e cordial, sabemos quem é o dono do comércio e negociamos diretamente com ele; no segundo caso a relação é impessoal, geralmente feita com uma máquina ou com uma pessoa que age como máquina.

Outra característica importante dos ZINES é sua diversidade. Chega mesmo a ser um trabalho artesanal, onde o editor domina todas (ou quase todas) as etapas do processo de produção. Podemos afirmar até que é uma atividade desalienante, se analisarmos pela ótica marxista. É uma explosão de tamanhos, formatos e cores (e preços também…). É uma atividade que visa o prazer em primeiro lugar; o lucro, se vier, é consequência.

Nos anos 1970 e 80 a maior parte das publicações independentes utilizava a máquina de escrever e o mimeógrafo para sua confecção; atualmente utiliza-se a internet, a editoração eletrônica, a reprografia e a impressão a laser e off-set. Mas o mais admirável é sabermos que a qualquer momento podemos ver um ZINE no formato mais artesanal e utópico possível. Frequentemente somos surpreendidos com a criatividade de inventores que insistem em ser independentes, alternativos e LIVRES, investindo tempo e dinheiro nessa atividade genial e maravilhosa de montar um FANZINE.

Esses editores talvez nem saibam mas acabam invertendo e subvertendo a principal equação do capitalismo moderno, na qual TEMPO = DINHEIRO.

Fontes:
=> Artigo de José Renato M. Galvão, da Biblioteca Comunitária Waldir de Souza Lima, em 08/05/2009. Disponível em http://bibliotecacomunitaria.wordpress.com/2009/05/08/1ª-expozine-de-itu-mas-afinal-o-que-e-fanzine/
=> Imagem = montagem de José Feldman

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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