Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 20 de maio de 2012

Heloísa Crespo (Poesia In Memoriam de Sérgio Roberto Diniz Nogueira: Saudade Antecipada)


A Sérgio Roberto Diniz Nogueira

O sol não apareceu.
A cidade ficou triste,
chorou nos pingos da chuva
que insistia em cair,
enquanto a notícia crua
corria ruas e bairros,
anunciando a partida
repentina e inesperada
do poeta e professor
Sérgio Nogueira Diniz.

A dor do último adeus,
estampada em cada rosto,
revelava o amor sentido,
a saudade antecipada,
o orgulho de ter vivido
tão perto de um amigo,
de um homem ético e digno,
de um exímio educador.

Na Terra a perda sentida.
No céu a festa esperada.
A entrada triunfante,
carregado pelos anjos.

Novas trilhas definidas,
novas metas planejadas
numa lida abençoada
para o novo caminhante.
14/05/2012

HOJE TAMBÉM É UM DIA DE TRISTEZA: daqui a pouco, as 12horas, no Campo da Paz, estaremos sepultando o corpo do PROFESSOR SÉRGIO DINIZ, que desde ontem é SAUDADE. Na verdade, não estaremos enterrando um corpo: estaremos, sim, plantando uma frondosa árvore no solo da planície goitacá, adubada por esta chuvinha plantadeira outonal. Por sua dignidade, honradez, inteligência para o Bem e amor cristão com que viveu entre nós, com certeza já está desfrutando em espírito da Paz Celestial.

SÉRGIO foi um exemplo de cidadania vivida pelo exemplo: a Ética Cívica, cidadã, solidária, opondo-se o tempo todo à ética cínica, individualista, predatória. Tanto na vida pública como na vida particular, com os amigos e com a família. Um grande Campista!

Lembro-me bem: numa das inesquecíveis SEMANAS UNIVERSITÁRIAS que promovíamos em fins dos anos 60 e ao longo dos 70,quando o tema era EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR EM CAMPOS (éramos Direito, Filosofia, Serviço Social e Medicina),num pronunciamento apaixonado ele jurou solenemente que faria tudo, lutaria com todas as suas forças para trazer os Cursos de Economia, Administração e Ciências Contábeis da CANDIDO MENDES PARA CAMPOS! E cumpriu o juramento: com entusiasmo anunciou a instalação da CANDIDO MENDES em nossa terra em 1976, que desde então cumpre relevante papel na infra-estrutura do desenvolvimento regional. Honrou-me com o convite para ser professor-fundador dessa grande instituição universitária, que prontamente aceitei e disso tenho orgulho! A CANDIDO MENDES DE CAMPOS mantém-se pela ação, vontade de servir e trabalho árduo de muitos! Mas ninguém apagará esta verdade: foi o PROFESSOR SÉRGIO DINIZ o grande responsável por este feito.

Assim, na Política com P maiúsculo, no Magistério e na vida comunitária, na defesa intransigente da Democracia, na construção histórica e heróica do Ensino Superior de qualidade em Campos,no exemplo de dignidade e grandeza moral, que para sempre seja lembrado e gravado no bronze da História o nome do PROFESSOR SÉRGIO DINIZ! Adeus, Amigo. Em meu nome e da Família Coelho dos Santos!

Elmar Martins (Meia Dúzia de Sete)
noturno do hotel palace
para Sergio Diniz


escrevo e você já não lê

pronuncio em voz alta
um verso que diria a você:

“o tempo é um pássaro
de natureza vaga”

antecipação fatal: o verso
existe antes de mim

outra maior: qualquer fim

19/05/2012

Fonte:
Texto enviado pela autora

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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