Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 8 de setembro de 2013

Isabel Pakes (Poesias Avulsas) II

Pintura de Francisco Javier Rodriguez (O Poeta)
Às candeias do amanhã

Ausente do meu toque, feito um anjo ou feito um bruxo,
me olhas do alto da lua, me beijas através da brisa
e nas rosas que admiras me mandas lembranças tuas.
Pareces estar vibrando em tudo quanto me envolve,
até nos livros que leio, como se teus mensageiros,
contam-me histórias de amor iguais à tua e a minha.

E isso não te bastando, interceptas meus pensamentos,
seduzes meus argumentos e, de pronto,
te colocas porta adentro dos meus sonhos.
De tal forma te embrenhas em minha mente
que não há como fugir dos teus enleios e nem tenho eu por quê.
Se às vezes me exasperas pelo ontem que adiaste,
outras vezes me comoves, muito, profundamente,
quando feito a canção que mais gosto,
vens, manso e cativo, aninhar-te no meu peito.

Alheio ao tempo e à distância
por onde vou me alcanças trespassando dimensões,
alongando os teus sentidos aos menores dos meus gestos,
guardando-me em calmaria, às candeias do amanhã,
em noite de turbilhão.

Se és um anjo ou um bruxo, não sei.
Se me guardas ou me enfeitiças, não sei.
Talvez em mim só preserves o alento em cuja sombra repousas.
Mas estás aí, é o que importa!
Estás aí e me ouves devotado
e sem que te apercebas, minha alma embevecida
por um breve instante me escapa para abraçar-se à tua.

Anjos na Terra

Eu sei de um anjo. Eu sei de muitos anjos!
Não desses de belas faces e olhares plácidos
que povoam as páginas dos livros sacros
e as abóbadas das catedrais. Não desses.
Anjos de verdade, que posso tocar e sentir.
Anjos que, corporeamente, me livram do mal
da vaidade, do orgulho, da ambição...
Que me dizem do quanto sou feliz
com o que tenho e o que sou.
Anjos que trazem as asas atadas
e caminham a passos lentos e difíceis,
pelas barrancas que ladeiam o caminho por que vou,
a fim de que eu possa passar livremente e sem demoras.
E que se mostram a mim, sem reservas,
para que eu possa me pensar e dizer:- Obrigada, Deus,
por me conceder os meios com que exercitar o amor.
Anjos. Anjos do Senhor, na terra.

Estes anjos que sei,
trazem o céu dentro de si.
Às vezes, são como crianças grandes,
mas sempre puros como os pequeninos.
Jamais se abrem às ilusões do mundo.
Não vivem senão à vontade do Pai.

E pensar que, um dia, eu me julguei perfeita...
Eu! Que sempre fui tão vulnerável às tentações
e preciso deles como escoras
para suster minha pretensa evolução.

Estes anjos de que falo, existem por aí,
em todas as partes do planeta
e para reconhecê-los nem preciso aguçar minha visão.
São tão evidentes e tanto se parecem
nos rostos, nos gestos, na autenticidade do carinho,
no jeito excepcional de amar!
A quem de coração de entender, ou não.

Amor, substantivo concreto

Você é o amor feito criança!
Amor substantivo concreto
que tomo nos braços,
afago, aperto...

Quando olho pra você
esqueço-me em sua serenidade
sentindo-me alongar
no estado do meu ser.

E deixo-me ficar assim, agigantada!
Abandonada à sua angelical figura.
É tão doce esta paz de que me inundo
que me custa acreditar que o céu
é além divisas deste mundo.

É quando minha alma transparece
e minha voz te adormece
feito canção de ninar.

Sobras de amor

Há sobras de amor
rolando pelos cantos das casas inférteis
enquanto crianças, órfãos de afeto,
se abortam pelas sarjetas.

Não, isto não é poesia,
apenas um pensamento,
um desconforto da alma
num ter que viver terreno.
Igual quando vejo laranjas
apodrecendo nas árvores,
enquanto um espantalho mesquinho
afugenta os sanhaços.

Cerquilho - Cidade menina

Quando passeio meus olhos por tuas ruas e praças
tuas rosas me saúdam e fico orgulhosa de ti!
Lembro-me de que nasceste de um humilde vilarejo
onde abrigavas tropeiros que na calidez do teu colo
descansavam seus quebrantos...

Lembro-me dos estrangeiros, audaciosos lavradores
chegados na Estação, trazendo de além-mar
nada mais que garra e força, nada mais que amor e fé
e tuas terras verdejaram, vestindo-as de cafezais!

Lembro-me dos saber adentrando tuas portas;
tua primeira professora, teus primeiros aprendizes,
teu burburinho infantil no velho grupo escolar!

Lembro-me do teu grito quando a dor te estilhaçou,
do teu pranto, do teu luto, das tuas flores soterradas...
E de como renasceste, como a hera entre as ruínas,
tímida, assustada, mas ansiosa por viver!

Quantas lágrimas te banharam! Quanto suor te regou!
Mãos de aço, incansáveis, te soergueram das cinzas
e te fizeram mais forte, mais vigorosa ainda!

Lembro-me de como cresceste vitoriosa!
Do verde-cana mesclando-se ao verde-cor do café...
Das tuas indústrias ativando suas rodas
para nunca mais parar.

Lembro-me dos teus filhos, trabalhadores devotos
que honram teu padroeiro, teu amado São José!
Dos teus filhos cujos braços sempre abertos
acolhem quem te procura buscando o teu amparo
e cujas mãos se entrelaçam, unificados na prece,
entoando louvor e glória à providência dos céus!

Lembro-me da tua bandeira que baila com a brisa,
toda vaidosa ostentando os frutos do teu trabalho,
margeando de azul anil as páginas da tua história!
Ah... Minha cidade menina!

Tão robusta, mas menina. Radiante, graciosa!
Exalas essência de rosas e provocas dentro em mim
algo que não explico, porque não sei definir.
Só sei que estou orgulhosa, muito orgulhosa de ti!

Cerquilho - Cidade menina II

Remodelam a cidade.
Derrubam-se as minhas saudades-
- lugares meus da infância, da mocidade...
Santuários onde algum dia,
cheia de fé, rezando as minhas esperanças,
fiei quimeras e amoldei meu íntimo,
(entulhos agora) demovem-se do tempo,
desaparecem...

Fico triste. Choro...
Porém, num processo mágico,
talvez por maternal instinto,
as lágrimas que verto converto em seiva
para vitalizar meus novos ideais.

E a cidade se afigura sorridente!
Assume ares diferentes
qual menina adolescente preocupada em se enfeitar.
Diante dos meus olhos cada vez se faz mais bela
e, vaidosa, sempre cheirando à rosas,
ainda mais me envolve, ainda mais me seduz!
E mais ainda me induz
a me orgulhar sempre dela!

Minha eternidade

Conduze-me ao teu infinito!
Deixa-me romper-te
como o sol rompe a noite.
Eu quero afugentar os teus temores,
teus pesares, tuas dores...
Eu quero iluminar-te em larga aurora
num eterno amanhecer!
Quero-te claro como o dia,
sem segredos, inteiro!
Quero-te na plenitude do teu ser.

Conduze-me ao teu infinito!
Deixa-me lançar-me em tua vida
como uma aeronave no espaço etéreo.
Eu quero desvendar os teus mistérios,
descobrir-te como um novo mundo
e exilar-me em ti, confiar-me a ti,
compor contigo uma unidade,
esquecer-me em teu amor
como se fosse a minha eternidade!

É preciso

É preciso, antes do replante, revolver a terra;
retalhar raízes que, irreverentes, se torceram,
se tramaram... perderam-se das origens;
demover as ervas que, daninhas, se embrenharam nos trigais.

Que a seiva retorne ao seio.
Que vicejem as espigas
e se multiplique o pão!

É preciso alentar a terra;
lancetar as chagas, remover as pedras, dar vazão às lavas...
Dissolver as nuvens, destilar as águas, saciar-lhe a sede.
Que se refrigere!

Que essa febre cesse,
essa dor se aquiete,
que se cicatrize!

É preciso temperar a terra,
afastar as sombras, dar passagem à luz
que se lhe adentre no cansado ventre
e o restabeleça do desconforto da nossa inconsequência.
Que outra vez fecundo possa germinar a paz!

Sobretudo, é preciso cultivar a fé e preservar virtudes,
até que, preparada a seara, venha o lavrador
selecionar as mudas.

Bom tempo

Acendi o sol dentro de mim
hoje de manhãzinha,
depois da chuva que passou
e levou os meus entulhos
com as folhas mortas,
na enxurrada.

Revivescência

 Deixa refluir o vento...
Depois, quando no limiar da hora
for se desintegrando a noite
aos primeiros raios da esperada aurora,
há de a tempestade amainar-se
e se fazer bom tempo!

E há de brilhar o sol
como se, do eterno, na manhã primaz!

E soprará a brisa,
renascerão as flores,
revoarão os pássaros...
Toda a natureza se pontuará de luz!

E na memória,
nada a se lembrar do que foi mal passado,
nenhum resquício.
Porque aos ares da bonança
profundamente se alteram
as sementes dos abrolhos.

Tudo será novo,
como no despertar do sétimo dia!

E haverá calma e doçura...
a quem de boa vontade.

Fontes:
Portal CEN http://www.caestamosnos.org/
Blog da Autora. http://belpakes.blogspot.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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