Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 21 de setembro de 2013

Vera Carvalho Assumpção (A Dama Imortal)

Como já disse diversas vezes nas minhas crônicas, sempre fui apaixonada pelas damas do crime, especialmente as inglesas. Também minha primeira crônica sobre o gênero policial fala sobre o final feliz das histórias. As pessoas gostam e se viciam nas histórias policiais porque sabem que, no final, o assassino será apontado e, diferentemente da realidade, de alguma forma a paz e a ordem serão restabelecidas e a justiça será feita. O que significa um final feliz.

São muitas as escritoras que se sobressaíram no gênero policial. No entanto, Agatha Christie continua sendo sucesso no mundo todo e, aqui no Brasil, as reedições se sucedem. Quem investiga o fenômeno começa sempre com a matemática de suas conquistas: só a Bíblia e Shakespeare venderam mais do que ela. Claro que a Bíblia é comprada e nem sempre lida! Shakespeare, não sei.

A questão permanece: como essa mulher conseguiu tanto sucesso e por tanto tempo? Talvez sua força tenha sido usar o próprio talento para fazer bem feito o que sabia fazer. Durante mais de cinquenta anos, Agatha produziu assassinatos e seus misteriosos desfechos, que continuam a surpreender e encantar seus leitores.

Com certeza o apelo universal de Agatha Christie não repousa em sangue ou violência, não nos corpos crivados de balas nas ruas perigosas dos “hard-boiled” americanos, não na selva de pedra do detetive sardônico, rápido no gatilho e gozador, nem na cuidadosa análise psicológica da depravação humana. Embora seus dois detetives, Poirot e Miss Marple, de vez em quando, investiguem assassinatos no exterior (Morte no Rio Nilo etc.), seu mundo é, na maioria das vezes, uma aconchegante e romantizada cidadezinha inglesa, enraizada em nostalgia, com sua hierarquia bem ordenada: o elegante cavalheiro rico (muitas vezes com uma jovem esposa de antecedentes misteriosos), o coronel poderoso e irascível, o médico da aldeia e sua enfermeira, o farmacêutico (útil para a compra e fabricação de venenos), as solteironas fofoqueiras atrás das cortinas de renda, o pároco local. Todos se movimentando previsivelmente em sua hierarquia social como num tabuleiro de xadrez. No entanto, nessa mítica cidadezinha cujos habitantes aparentemente são inofensivos e familiares, há sempre um que vai nos surpreender.

Ela não usa grande sutileza psicológica em suas caracterizações. Seus vilões e suspeitos são desenhados em traços amplos e claros e, talvez por causa disto, têm uma universalidade que leitores do mundo inteiro reconhecem instantaneamente. A base moral dos livros é simples e sem ambiguidades, resumida na declaração de Poirot: “Tenho uma atitude burguesa em relação ao assassinato: não o aprovo”.

Apesar do assassinato, a última coisa que se obtém num romance de Agatha é a presença perturbadora do mal. Não há emoções perturbadoras, estas ficam para o mundo real do qual buscamos na leitura uma tentativa de escapar. Enquanto lemos, todos os problemas e incertezas da vida são agrupados em um foco central: a identidade do assassino. E sabemos que, no final, isto será satisfatoriamente solucionado e a paz e a ordem serão recuperadas.

Seus leitores podem encontrar, livro após livro, a confortável garantia de rever velhos amigos. Ela nos induz, com delicada esperteza, a enganarmos a nós mesmos. Tomamos cuidado ao entrar naquela que é a mais letal das salas: a biblioteca. Suspeitamos do desocupado e insinuante retornado de terras estrangeiras e atentamos cuidadosamente aos espelhos, às portas entreabertas. Além da atenção redobrada ao mordomo.

Tantos truques são invariavelmente mais engenhosos do que críveis. As histórias são brandos enigmas intelectuais, não esquemas verossímeis do verdadeiro assassinato.

Quando a vítima é assassinada, há pouca informação quanto ao suspeito principal. Só no fim do livro reconhecemos que as pistas estavam todas ali e não percebemos, ou a autora as colocou de forma tão sutil que conseguiu nos enganar. Mas aí o leitor já está satisfeitíssimo, pois acabou de encontrar a paz e a ordem que procurava. Descobriu-se o assassino e alguma forma de punição vai ocorrer. Pelo menos na ficção!

Fonte:
http://www.kbrdigital.com.br/blog/category/vera-carvalho-assumpcao/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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