Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Leon Eliachar (O Drama de Cada Dois)

Num país onde o divórcio é uma perspectiva e o casamento uma falta de perspectiva, a maioria dos casais sofre problemas os mais disparatados que nem eles próprios conseguem resolver. Daí apelarem para o bom senso (ou falta de) dos colunistas especializados em pôr em ordem os distúrbios neurovegetativos de cada um. Como se vê, o desespero e a falta de preparo emocional para a convivência em comum, levam os pares humanos a pedir conselhos a pessoas estranhas ao serviço. Essas receitas apressadas, nem sempre decidem um destino apoiado na insensatez. No meu caso, sempre achei útil levar minha experiência e o meu profundo conhecimento dos enguiços da alma até aqueles que precisam de um bisturi moral. Respondo a essa gente em "curto-circuito", certo de que encontrarão em minhas palavras um fusível para os seus casos.

CARTA:
Gostaria muito de conhecê-lo pessoalmente, é possível? (Paula, ou Paulo - Gávea)

RESPOSTA:
Levei sua carta à farmácia, pra saber se o seu nome termina com "a" ou com "o".  Não pude saber: deram-me um remédio e me mandaram tomar de duas em duas horas.

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CARTA:
Meu marido nunca usou aliança, desde que nos casamos. (Vladmira — Florianópolis)

RESPOSTA:
0 importante no casamento, Vladmira, não é que o homem use a aliança — é que use a mulher.

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CARTA:
Sempre que vou à praia, meu marido exige que eu fique deitada de costas. Resultado: estou com a frente preta e as costas completamente brancas. O senhor acha isso normal? (Sandrinha - Guarujá)

RESPOSTA:
Gosto não se discute, Sandrinha. Vai ver, seu marido gosta de mulher de banda branca.

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CARTA:

Meu marido deu pra ver televisão de cabeça pra baixo, preciso tomar uma providência. (Jupira Nilópolis)

RESPOSTA:
Isso não é tão grave. Procure ver se a sua tevê está na posição certa. Se não estiver, chame um técnico pra examinar o aparelho; se estiver, peça ao técnico pra examinar seu marido. Há maridos que andam com a cabeça virada, às vezes é só trocar uma válvula. Mas não deixe, em hipótese alguma, levarem seu marido pra oficina: ele voltará pior do que estava.

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CARTA:
Minha mulher costuma receber flores quase diariamente e sempre rasga o cartãozinho sem deixar eu ver de quem é e coloca as flores numa jarra com todo o carinho. (Augusto – Magé).

RESPOSTA:
Seja sensato: pior seria se ela rasgasse as flores e colocasse os cartõezinhos na jarra, com carinho.

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CARTA:
Acordei sobressaltado com os gritos da minha mulher gritando "fogo! fogo". Quando abri os olhos, havia um homem saindo pela janela. (Adalberto Barbacena)

RESPOSTA:
Então, meu caro, é fogo mesmo.

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CARTA:
Gravei o sonho do meu marido e gostaria que o senhor ouvisse. (Iracema - Santos)

RESPOSTA:
Com todo prazer. Mas de preferência quando ele estiver dormindo.

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CARTA:
Minha mulher tem ido demais ao dentista e só chega em casa de noite. Resolvi segui-la e de fato ela estava no dentista. (Mauro - Sorocaba)

RESPOSTA:
Agora experimente seguir o dentista.

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CARTA:
Depois que meu marido comprou um automóvel nunca mais saiu de casa. (Raquel - Salvador)

RESPOSTA:
Você devia ficar feliz com isso. Pior se ele comprasse uma casa e nunca mais saísse do automóvel.

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CARTA:
Contratei um detetive pra seguir meu marido e comecei a seguir o detetive para ver se de fato ele seguia meu marido. Um dia encontrei o detetive batendo 0 maior papo com meu marido. Devo contratar outro detetive? (Mabel - Petrópolis)

RESPOSTA:
0 mais prudente é contratar outro marido.

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CARTA:
Tenho sido insistentemente pedida em casamento, mas não sei se devo aceitar por causa da diferença de idades: ele tem 42 e eu 18. (Ofélia - São João Del Rei)

RESPOSTA:
A diferença de um homem para uma mulher não é idade, Ofélia. Medite bem nisso.

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CARTA:
Minha mulher passa horas no telefone e nunca me diz com quem está falando. (Fernando – Piracicaba)

RESPOSTA:
Seja homem e tome uma atitude. Chegue perto de sua mulher e lhe diga frontalmente: "você sabe com quem está falando?” Depois, prepare-se.

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CARTA:
Em frente à minha casa, todas as noites, fica um homem de terno cinza acenando para a minha mulher. Ela insiste em dizer que se trata de uma estátua e não posso conferir, pois sou paralítico e ela não me leva até lá. (Zé Eduardo - Volta Redonda)

RESPOSTA:
Sua mulher é muito sensata. Já imaginou se ela o leva até lá e a estátua sai correndo? Além de paralítico, você acabaria débil mental.

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CARTA:
Tenho medo de dormir sozinha e meu marido trabalha de noite. (Maria Clara - Copacabana)

RESPOSTA:
Ligue para uma dessas agências de empregados e peça um acompanhante. Eles têm de tudo. Se um dia o seu marido passar a trabalhar de dia, vai ser o diabo pra se livrar do acompanhante.

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CARTA:
Peguei um trem e só quando cheguei em casa foi que reparei que dentro da minha capa havia um homem. (Arnalda - Engenho de Dentro)

RESPOSTA:
E o que foi que você fez: botou a capa no armário, com homem e tudo, ou guardou só a capa? Esse detalhe, embora não pareça, é muito importante para ajudá-la.

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CARTA:
Durante o noivado, minha noiva fazia questão de levar um primo para todos as nossos programas. Agora, que nos casamos, ela faz questão que ele venha morar conosco, pois o coitadinho é órfão. Que acha disso? (Orfeu - Taubaté)

RESPOSTA:
Depende do tamanho do primo. Se for pequenininho, acho que vai dar muito trabalho a ela. Se for grandinho, vai dar muito trabalho a você.

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CARTA:
Há vários anos que meu marido não me dá um par de sapatos, no entanto troca de carro todos os anos. (Ariana - Teresópolis).

RESPOSTA:
Há maridos que custam a se decidir, minha cara. A mulher deve ter paciência. Agüente a mão, ou melhor, agüente o pé.

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CARTA:
Minha mulher deu pra desconfiar de mim, logo agora que vamos completar cinqüenta e seis anos de casados. (Luis Jorge – Encantado)

RESPOSTA:
Já desconfia tarde.

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CARTA:
Meu psicanalista está doido, disse que eu precisava me casar com um psicanalista e acontece que já sou casada com um psicanalista, que é justamente ele. (Beatriz - Niterói)

RESPOSTA:
Então ele demonstrou ser um ótimo psicanalista e um péssimo fisionomista.

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CARTA:
Meu farmacêutico é anão e toda vez que vem me dar injeção, meu marido proíbe. Acha que eu seria capaz de simpatizar com um anão? (Florilda - Recife)

RESPOSTA:
Não acredito que seu marido tenha alguma coisa contra o anão. Talvez seja porque ele, ao aplicar a injeção, não alcance o seu braço.

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CARTA:
Todas as manhãs, quando abro o armário, meu terno marrom sai andando e pega o elevador. (Alcinó - Espírito Santo)

RESPOSTA:
Por enquanto, não há perigo. Chato vai ser quando seu terno marrom sair e voltar azul.

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CARTA:
Passei três meses viajando pra esquecer um homem e agora não me lembro mais quem é ele. (Harilda - Pelotas)

RESPOSTA:
Faça outra viagem pra ver se se lembra.

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CARTA:
Os vestidos de minha mulher encolheram e ela não manda fazer outros, fica com o busto de fora e não pode sentar sem mostrar os joelhos. E quer me convencer que está na moda. (Pedrinho - Brasília)

RESPOSTA:
De uma certa forma, sua mulher está com a razão: busto e joelho de mulher não caem nunca da moda, pelo menos enquanto não completam cinqüenta anos.
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CARTA:
Sempre que vou ao cinema com minha mulher, ela senta em cima e eu embaixo. O senhor acha isso normal? (Alfredo - São Paulo)

RESPOSTA:
Absolutamente, acho isso ridículo. E os vaga-lumes, não dizem nada? Se sua mulher é muita pesada, o lógico seria você sentar em cima.
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CARTA:
Meu marido passa as noites escrevendo o seu diário. Mas isso é o de menos, o pior é que costuma escrever com um garfo. (Ira - Rio)

RESPOSTA:
Consulte um garfologista.

Fonte:
ELIACHAR, Leon. O Homem ao Cubo. RJ: Álvaro Editor, 1964.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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