Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Folclore dos Estados Unidos (O Fantasma de Dangerfield Newby)

Um dos rebeldes comandados por John Brown, era um homem negro chamado Dangerfield Newby. Ele foi libertado por seu pai branco, mas sua mulher e sete filhos ainda estavam escravizados perto de Warrenton, VA.  O dono de sua esposa disse a Dangerfield, que pelo valor de $ 1.500,00 (mil e quinhentos dólares) iria vendê-la e os seus filhos mais novos. Quando Newby levantou a soma com o pai branco para comprá-los, o capitão subiu o preço. Ele ficou angustiado e ainda mais pensando na carta que recebeu da esposa:

“Querido marido: Eu quero que você me compre logo que possível, pois se você não o fizer, alguém fará. Os empregados são ruins e fazem de tudo para me jogar contra a patroa. Querido marido. . . Nos últimos dois anos foram como um pesadelo para mim. Diz-se que o dono está com falta de dinheiro. Se assim for, não sei quando ele pode me vender, e depois todas as minhas esperanças brilhantes no futuro são destruídas, pois se há uma coisa que me ilumina em meus problemas, é estar com você, porque se eu pensar que eu nunca mais iria vê-lo, esta terra não teria encantos para mim. Faça tudo que puder por mim, e eu não tenho nenhuma dúvida que você vai. Eu quero vê-lo tanto.”

Desesperado, então ele se juntou a John Brown, um abolicionista, na esperança de libertar sua mulher e filhos.

Mas os rebeldes não foram felizes, pois os cidadãos se armaram contra eles  na madrugada do dia 17.  Havia uma grande quantidade de armas na cidade pois eram fabricadas lá, mas não havia muita munição, e os habitantes da cidade atiravam em qualquer coisa.

Um tiro atingiu Dangerfield Newby na garganta, matando-o instantaneamente. Ele se tornou o primeiro a morrer na revolta. O povo se lembrou da Rebelião de Nat Turner 30 anos antes, em South Hampton e eles se ficaram tão enfurecidos em seu medo e ignorância, que descontaram a frustração no corpo do Newby. Ele foi mutilado e arrastado para um beco próximo, onde foi deixado aos porcos. Inclusive há um livro da época que cita, que “os bons cidadãos da cidade nem deram bola ao gosto da carne dos porcos nessa época”.

Desse dia em diante o beco foi chamado de “Beco do porco”. Algumas noites, se você andar pelas ruas de Harpers Ferry, pode acontecer de você encontrar um homem negro de aproximadamente 45 anos, vestindo calças largas e um velho chapéu, com uma terrível cicatriz em sua garganta, e você vai saber que você encontrou Dangerfield Newby, ainda tentando libertar sua esposa e filhos.

Fontes:
http://www.pbs.org/wgbh/aia/part4/4p2941.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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