sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Gerson Cesar Souza (Poemas DiVersos)


DONA DO MEU CORAÇÃO

1. Onde o Brasil é mais Sul,
Onde o vento sopra frio
Onde o céu é mais azul
Onde o Sol encontra o Rio
Onde as noites duram mais
Há uma Cidade formosa
Que é Leal e Valorosa
Porto eterno dos Casais.

Porto Alerta, Porto Certo,
Porto de Início e de Fim
Para o mundo um Porto Aberto
Porto Alegre para mim.

2. Onde a praia virou Rua
E a Usina virou cultura
Onde a história continua
Na tradição que perdura
Há um Porto onde a paixão
Me faz ficar ancorado
Capital do meu Estado
Dona do meu coração.

MELODIA

Os filhos são quais notas musicais
de uma canção que na vida tocamos.
Mas como os sons, depois que os libertamos
não há maneira de prendê-los mais.

E quando vão ao mundo, é que notamos
que nossa “afinação” deixa sinais,
os filhos são espelhos de seus pais,
nos bons e maus exemplos que ora damos.

Por isso o nosso orgulho mais profundo
é ver um filho, nos “palcos” do mundo
viver sua “canção” com harmonia.

Sempre que um filho, em sua caminhada,
escolhe a trilha honesta e afinada
a nossa vida ganha melodia.

FILHO PRÓDIGO

Um dia resolvi ganhar a estrada...
Ardia em mim uma revolta interna,
busquei nas ruas a vida moderna,
andei sem rumo, sem rota traçada...

E em cada noite, no bar, na taberna,
uma amizade falsa era encontrada.
Fui enganado... e ao ficar sem nada
restou-me o rumo da casa paterna.

E ao encontrar, justo ao abrir a porta,
o beijo doce, o abraço que conforta,
fui entendendo, após andar demais:

Mesmo que os filhos vivam a vagar
eles somente vão chamar de “LAR”
a casa onde reside o amor dos pais!

LEGADO

Das coisas que ficaram na distância
Eu lembro bem, que lá na minha infância
Meu pai abria livros para mim...
Com lobos, com porquinhos e com fadas
Eram histórias simples e engraçadas
E todo mundo era feliz no fim!

Os livros eram sempre amarelados
Por serem tanto velhos quanto usados,
Trocados por centavos... Coisa assim...
Porém, em cada livro que eu pegava,
A minha mente livre viajava!
Meu pai abria livros para mim...

Passou o tempo... E a força do destino
Deixou pra trás os livros de menino
Me transformando em um homem maduro.
Porém, agora, entendo o seu legado,
Meu pai, abrindo livros no passado,
Abriu pra mim as PORTAS DO FUTURO.

POEMA PARA MINHA MÃE

Queria dar-te o que é teu por direito:
a poesia bem metrificada
feita com rima rica e rebuscada
e que outra igual, jamais se tenha feito.

Queria dar-te o verso mais perfeito,
criar aquela estrofe iluminada
que fosse bela, simples e inspirada
nesta emoção que mora no meu peito.

Mas sabes, mãe, nenhuma poesia
vai conseguir dizer o que eu queria,
porque este sentimento que é tão meu

somente o coração pode guardar.
E o coração eu não posso te dar...
Não posso dar-te o que sempre foi teu!

CAMINHOS

Eu vivo andando em diversos caminhos
estradas longas, num país gigante.
Eu busco o novo a cada novo instante,
enfrento a dor e destinos mesquinhos.

Se a vida impõe o rumo dos sozinhos,
busco um amigo em cada alma errante,
como uma flor, que encontra o viajante
ao caminhar entre as pedras e espinhos.

Colhendo amigos, planto o meu futuro,
descubro neles o porto seguro
para ancorar as dores da saudade.

Quem tem as malas prontas pra partida
será feliz ao navegar na vida
quando encontrar o cais de uma amizade.

Fonte:
Gérson César Souza. Dons DiVersos. 
Cachoeirinha/RS: Texto Certo.

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