Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Odenir Follador (Relatos de uma Avó)


Certo dia, eu e meu marido estávamos sentados na sala, ele lendo as notícias do jornal, e eu o meu livro, que interrompia de tempo em tempo, para tricotear um conjuntinho de lã para minha pequena neta Fabíola. Estavam para chegar ainda àquela tarde. Parei por uns instantes com meus afazeres, divagando meus pensamentos, lembranças e saudades que de súbito se fizeram presentes, quando aqui estiveram no ano passado.

Como estará a minha neta? Agora com quatro anos, mais alta e mais bonita, com certeza. Tenho saudades do seu sorriso e de suas correrias pela casa. Sempre irrequieta e curiosa, e quando parava um pouco, corria a se sentar no meu colo, me fazendo muitas perguntas: se eu era parecida com sua mãe quando mais nova, se ela ficaria com os cabelos brancos e com muitas rugas como eu... Enfim, eram tantas as perguntas, mas que eu adorava responder e ainda enfeitava um pouco, alongando minhas respostas em pequenas histórias. E a embalando com minhas antigas cantigas de ninar, que ela gostava, e aos poucos começa a adormecer, abrindo um pouquinho um dos olhos, para ver se era eu que continuava ali, e com um doce sorriso adormecia.

Voltei a ler mais um pouco e a tricotear a seu conjuntinho... Já estava quase pronto, talvez ainda terminasse antes da sua chegada. E novamente comecei a pensar... Parece ter sido ontem quando eu fazia estas mesmas coisas aos meus filhos, e hoje estou aqui, repetindo tudo novamente com a minha netinha. Então eu percebo o quanto os nossos netos são importantes para os avós. Eles possuem um pouquinho de nossos filhos, mas também de nós, seus avós, é claro, são sangue do nosso sangue. Por vezes, me vejo no jeitinho deles sorrirem, no olhar, ou até mesmo no modo de falarem.

Não estamos sempre com os netos, não somos nós que passamos as noites ao seu lado e que os alimentamos; só temos estes únicos momentos, para abraçá-los, de pegá-los no colo para uns afagos ou para lhes contar algumas histórias e também, para fazer aquelas guloseimas tão esperada por eles... Isso representa tão pouco; mas é o suficiente para nos deixar feliz e realizado por tê-los tão juntinho de nós, mesmo que seja por um pequeno espaço de tempo.

Fonte: Texto enviado pelo autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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