Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 3 de novembro de 2018

Olivaldo Júnior (O Caçador de Passarinhos)

Para Higor

Liberta, que serás também.

Era uma vez um homem que gostava de caçar. Não caçava borboletas, nem caçava encrenca por aí. Era uma vez um homem que gostava mesmo era de caçar passarinhos.

Assim, dia a dia, ele deixava arapucas pelo caminho, que era sempre o mesmo caminho de sempre, sem qualquer, sem nenhuma novidade.

Porém, o que esse homem não sabia era que, para caçar qualquer pardal, qualquer canário, qualquer tipo de passarinho, era preciso ter primeiro uma gaiola, algum lugar de onde esse pássaro nunca mais pudesse sair. E o homem, coitado, não tinha nenhuma gaiola.

Foi que, um dia, ele achou por bem fazer uma gaiola. Não tinha muita, ou quase nenhuma experiência com esse tipo de trabalho, então, o que saísse de suas mãos de poeta e de funcionário público municipal que se julga menor, já seria um grande (e)feito para ele.

Gaiola pronta, tratou de espalhar suas arapucas novamente. O mar parecia estar para peixe, mesmo que a intenção fosse pegar pássaros.

Não é que, como quem não quer nada, quase à noitinha, um passarinho muito lindo entrou na arapuca do homem, que, se aproveitando da distração momentânea do pardal, tratou de pegá-lo logo e trancafiá-lo em sua nova gaiola?...

O homem, porém, não era um caçador de passarinhos de verdade. Estava mais para um ornitólogo do que para um caçador. Mas, como havia adorado aquele pardalzinho que pegara, quis que ele ficasse para sempre em sua nova casa.

O pardal, por sua vez, já tinha seu ninho à vista, e o homem até sabia disso. Mas, como era o seu pardal de estimação, não queria libertá-lo.

Assim, desde o momento em que o pegou, ficou vigiando para ver se ele não fugia, não deixava a gaiola. E foi ficando cada vez mais infeliz.

Um dia, por um cochilo do homem, o pardal saiu das grades que o aprisionavam. Indignado com seu descuido, o homem se culpara pelo acontecido, sem ter sequer se dado conta de que a porta da gaiola nunca, jamais tinha existido.

Fonte:
Texto enviado pelo autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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