Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Vidal Idony Stockler (1924 - 2014)


Abraço, linda maneira
de transmitir o calor
da bela luz verdadeira
cheia de paz e de amor!

A cabana do sertão
tem na mesa um bom café,
batata, farinha e pão...
oração e muita fé!

A cabocla Maringá,
a mais bela do sertão,
deu ao rico Paraná
nome à cidade-canção.

A esperança não se vê,
é pura imaginação...
e eu me pergunto: - Por que
sobrevive essa ilusão?

Ante aplausos da menina,
na restinga do sertão,
rolam as águas da mina,
cantado suave canção.

A paciência domina
impulsos de afobação,
clarividência que ensina
as veredas da Razão.

A tão frequente saudade,
na caminhada da vida,
retrata felicidade
de outra época vivida...

A tapera que, outro dia,
só vivia festejada,
hoje curte nostalgia...
só cantar... da passarada.

Até o fogo se consome,
quando lhe falta alimento
e, morrendo, troca o nome:
a cinza será o rebento.

A velhice, sem temores,
fala dos dias passados,
quando sempre havia flores,
amigos... e namorados.

Canta o galo no terreiro,
corre o cavalo na raia;
na mata grita o ferreiro...
as águas lambem a praia.

Consulto meu travesseiro,
a forte insônia me diz:
- Sonha, sonha, companheiro,
querendo ser bem feliz!

Criança, mimo de gente,
remetendo rara luz,
pela sua alma fluente
em que a beleza seduz.

Detesto toda maldade,
não comungo com a dor.
Meu nome é felicidade,
empunho a taça do amor.

E canta água na cascata,
tropeiro segue o caminho,
no mar desliza a fragata,
as aves dormem no ninho.

Em suave visão seleta
de bom sonho encantador,
brilham luzes ao poeta,
distribuindo paz e amor!

E na festa da colheita,
com alegria encantada,
lavrador vê, na receita,
o fruto da terra amada.

E seja ou não coincidência,
luz de vela é como a fé:
Durante a sua vivência,
queima, queima e morre em pé.

Ilumine sua estrada
praticando sempre o bem,
e torne a vida encantada...
com anjos dizendo Amém!

Memórias... um lindo achado,
para que eu possa externar
as trovas do meu agrado,
frutos do alegre pensar.

Na caminhada da vida
escuros há, e claridade...
Vencer espaços da lida
encerra felicidade.

Na grandeza do universo,
feitura do Criador,
verte a leveza do verso,
nasce a beleza da flor.

Na manjedoura, só paz...
nasce o Menino Jesus!
Quanta alegria Ele traz,
quanta fé, perdão e luz...

Na paz de Deus vivo, sim,
numa perfeita harmonia,
caminhando sempre assim,
sustentado na alegria.

Na leveza do meu sonho,
imensa felicidade!
Acordado, eu me componho...
só faltou continuidade.

No caminho, a ribanceira
impõe drástica parada;
fala bem perto a palmeira:
- Por ali tem outra estrada...

No jardim a branca palma,
de perfume tão profundo...
Beija-flor, com toda calma,
inspira... Sou rei do mundo!

Nossa terra, nossa gente,
sob o céu de puro anil,
num espaço continente,
somos o lindo Brasil!

O rico e belo pinheiro
das terras do Guairacá,
com seu porte vanguardeiro:
símbolo do Paraná!

O São Francisco de Assis
seguiu seus próprios caminhos,
teve fé e foi feliz...
amigo dos passarinhos.

O sapo, quieto, feioso,
não aparenta valor...
mas há o lado valoroso:
Mata os insetos da flor!

O tempo constante passa,
leva passagens queridas;
é fogueira com fumaça,
a corroer nossas vidas...

Ouça o murmurar das águas
e o cantar da suave brisa,
jogue fora suas mágoas
e tenha a paz por divisa.

Para uns a noite é sonho,
para outros sonho é dia.
Com sorriso, até suponho:
- Tudo é fina melodia.

Poesia é forma de escrita,
mas elaborada em verso:
Vem da inspiração do artista
e brilha em todo o Universo!

Procurei sempre o saber,
em uma escala crescente...
e a vida ensinou-me a ver
o poder de Deus presente.

Realce não pude ser
nas áreas do trovador,
mesmo assim, passo a fazer
a trova.... com muito amor!

Saudade - recordação
de uma luz que não morreu,
que mora no coração,
onde sempre ali viveu.

Seja estrela sorridente,
na maneira de viver,
e com força transcendente
faça o bem acontecer!

Sinta a ternura da paz,
a beleza que produz...
Na harmonia que se faz,
todo escuro vira luz!

Turismo, doce cultura,
irmana-se à educação,
rico evento que assegura
estreitamento e união.

Viaja, viaja, caminhando,
viandante maltrapilho,
no sol ou chuva... sonhando
ter um dia com mais brilho.

Voltar a tempo passado,
impossível... só vontade.
O que tudo foi marcado,
vislumbra-se na saudade...

Fonte:
União Brasileira dos Trovadores Seção de Porto Alegre-RS. Trovas de Vanda Fagundes Queiroz e Vidal Idony Stockler. Coleção Terra e Céu LXV. Cachoeirinha/RS: Texto Certo, 2016.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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