Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Colóquio Sobre Padre Antonio Vieira

Em São Paulo, Brasileiros e portugueses em Colóquio sobre Pe. Antonio Vieira

Entre os dias 22 e 23 de abril, o Memorial da América Latina em São Paulo sediou o Colóquio Internacional "400 anos de Pe. Antônio Vieira, Imperador da Língua Portuguesa".

As comemorações estenderam-se até o dia 24, em colóquio na Casa de Portugal de São Paulo, em conjunto com o Encontro Cultural de Língua Portuguesa, e dia 26, marcado pela apresentação do Coral Baccarelli no Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa São Paulo.

Aberto pelo presidente do Memorial, Fernando Leça, o colóquio contou com especialistas brasileiros e portugueses, como o advogado e professor Dr. Ives Gandra Martins e o escritor Antonio Machado. Para tanto, os conferencistas abordaram a vida e obra do padre sob diversas perspectivas, entre outros temas como lusofonia, Fernando Pessoa e José Saramago, e a vinda da corte portuguesa ao Brasil.

Entre os participantes, estiveram os professores Tereza Rita Lopes, da Universidade Nova de Lisboa, Carlos Carranca, da Escola Superior de Teatro - Portugal, e o historiador Hernâni Donato, além do coordenador acadêmico do evento João Alves das Neves, presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa.

O professor Neves destacou a importância e a influência do jesuíta na formação e no estilo de grandes escritores da língua portuguesa ao longo do tempo. O próprio Fernando Pessoa, por exemplo, considerava Vieira o “imperador da língua portuguesa”.

A professora Regina Anacleto, da Universidade de Coimbra, apresentou a palestra “A Arte no Tempo de Vieira”, discorrendo sobre a criação dos primeiros colégios jesuítas e franciscanos em Portugal e no Brasil. Segundo ela, a arquitetura e a arte portuguesa no tempo de Vieira estava a meio caminho entre o Renascimento e o Barroco.

Um dos destaques da noite foi a apresentação do grupo A Quatro Vozes. Com percussão e cordas, o grupo executou repertório indo de “Kuenda”, composição do séc. XVII, época de Vieira, à “Cantiga do Pastor” do grupo contemporâneo português Madredeus, passando por “Araruna”, tema indígena recolhido por Marlui Miranda, “Vila Rica”, composição de Lula Barbosa que alude à barroca Minas Gerais, e terminando com “Planeta Sonho” de Cláudio Venturini.

Imperador da Língua

Para relembrar o escritor português e sua obra nos seus 400 anos, diversos eventos estão sendo promovidos durante este ano em algumas capitais brasileiras. Nascido em Lisboa em 6 de fevereiro de 1608, o padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos, onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida; escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas.

Destacou-se, não somente como literato, mas no campo da política e economia. Defendeu o direito dos “cristãos-novos” (judeus que eram obrigados a adotar a religião católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras portuguesas numa época marcada pela intolerância. Era também contra a escravização indígena.

Fernando Pessoa refere-se a ele em seu livro “Mensagem” como o “Imperador da Língua Portuguesa”. Sua obra tem como característica marcante o jogo de conceitos por meio do uso do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.

Presenças

Os eventos contaram ainda com Raul Francisco Moura, escritor e museólogo no Rio, Carlos Francisco Moura, escritor e arquiteto da Real Gabinete Português de Leitura, e professores José Eduardo Franco, da Universidade Lusófona - Lisboa, Maria Beatriz Rocha-Trindade, da Universidade Aberta de Lisboa, e Teodoro Koracakis, da Universidade Estadual do Rio, escritoras Rita de Cássia Alves e Dalila Teles Veras, e pesquisador Teodoro Antunes Mendes Tamen.

Outros nomes participantes foram professores Paulo de Assunção (USJT/ Unifai/ Inicapital e FAENAC), Beatriz Alcântara (Universidade Estadual do Ceará), Odete da Conceição Dias (Universidade Ibirapuera), Márcia Arruda Franco, Flavio Vichinski, Anísio Justino da Silva Filho, Vera Helena Amatti, Luiz Antônio Lindo, Cristiane Prando Martini Simeoni e Eduardo Navarro (da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP).

O evento teve apoio Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Nacional de Portugal, Real Associação Portuguesa de Beneficência, Numatur Turismo e Banco Banif, Secretaria de Estado da Cultura.
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Fonte:
Jornal Mundo Lusíada
http://www.mundolusiada.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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