Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Antonio Roberto de Paula (Ary, o poeta que amou Maringá)

Maringá - 1952 - Quadro de Edgar Werner Osterroht de 1952
(quando a cidade tinha 5 anos) mostra os prédios do
escritório da Companhia Melhoramentos e o
Hotel Esplanada, na esquina da Duque de Caxias
com a então rua Bandeirantes (hoje, Joubert de Carvalho).
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Quem te avista nos dias de agora talvez não saiba quantos lutaram para que tu chegasses à condição de terceira cidade paranaense. O que seria de ti se não existissem homens que empunhassem a caneta para contar tua história?

Ary de Lima, por amor e com competência, fez a maior declaração que um morador poderia fazer a ti. Com o coração repleto de júbilo e agradecimento, o poeta Ary de Lima gravou ainda mais seu nome à Cidade Canção, escrevendo o hino da menina Maria do Ingá. Outro brilhante professor, Aniceto Matti, se encarregou de colocar melodia àquela declaração de amor e gratidão e a parceria redundou num canto emocionado que vai atravessando gerações.

O eclético Ary, falecido em abril de 98, deixou uma vasta folha de serviços prestados a Maringá. Uma folha escrita com emoção. Professor, vereador, deputado, radialista. E, acima de tudo, poeta. Os feitos desse maringaense nascido na cidade mineira de São Sebastião do Paraíso, que grande contribuição deu ao progresso da Cidade Canção, jamais serão esquecidos porque sempre haverá numa escola uma criança cantando o Hino a Maringá. Em qualquer solenidade que a linda flor, a mais gentil do norte do Paraná for homenageada, lá estará a eterna lembrança do poeta Ary de Lima.

Há em ti o perfume das flores, a poesia de todos os ninhos, e uma luz que acende fulgores, clareando teus novos caminhos. Maringá, o teu nome sublime será porque tiveste a graça de receber, em teu seio, figuras como Ary de Lima, que fez da vida uma poesia sem deixar de atender sua gente. Ary fez poesia, ensinou e legislou. A tripla colaboração que o tornou uma grande eminência maringaense.

E para homenagear Ary de Lima, o melhor é buscar definições na sua poesia a Maringá: o teu vulto traduz a mensagem de um passado coberto de glória, um passado que exemplo nos dá. Ary pode ser saudade, mas não é passado. Poeta nunca morre. Está sempre compondo novas estrofes, aqui ou em qualquer outro lugar.
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Hino de Maringá
(Letra - Ary de Lima/ Música - Anicetto Matti)

I
Quem te avista, nos dias de agora,
Acenando ao porvir da esperança,
Adivinha a floresta de outrora
Que embalou tua vida criança
- Há em ti a grandeza imponente
De um passado que exemplos nos dá:
-Se és glória da Pátria contente,
És orgulho do teu Paraná.

ESTRIBILHO
Linda flor, a mais gentil,
Do norte do Paraná,
És orgulho do Brasil,
Nossa amada Maringá (BIS)

II
O teu vulto traduz a mensagem
De um passado coberto de glória,
Arrancado à floresta selvagem
Para eterno viver na história.
Um poema de luz para o mundo
O teu nome sublime será,
E de nosso afeto profundo
Sempre filha serás Maringá.

ESTRIBILHO
Linda flor, a mais gentil,
Do norte do Paraná,
És orgulho do Brasil,
Nossa amada Maringá (BIS)

III
Teu encanto de hoje é retrato
Das belezas que Deus espalhou
Como bênçãos do céu sobre o mato
Que a tua grandeza enfeitou.
Há em ti o perfume das flores,
A poesia de todos os ninhos,
E uma luz que acende fulgores,

Clareando teus novos caminhos.
ESTRIBILHO
Linda flor, a mais gentil,
Do norte do Paraná,
És orgulho do Brasil,
Nossa amada Maringá (BIS)
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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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