Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Nilza Fiorentina Vendrami (1949 - 2008)

Sete Filhos

Olhe lá aquela casa
A última da favela
É uma casinha pobre
Só tem uma janela

Foi lá que morou Maria
Com os sete filhos dela
O quintal era florido
Com flores de primavera

Tinha uma cachorrinha
Que alegrava a galera
E o riacho no fundo
Atrás da cerca amarela

Veja bem essa Maria
Com sonhos de cinderela
Olhe lá as sete crianças
Correndo em volta dela

Ouça a canção que ela canta
É uma canção tão singela
Que saudades de Maria
E dos sete filhos dela
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Brinco de princesa

Peço ajuda a minha gente
Ao santo que me proteja
Já andei de bar em bar
Conheci muitas igrejas

Sei de tudo desta vida
Da pobreza a realeza
Não sou formado doutor
E disso eu tenho tristeza

Sou forjado a ferro e fogo
Sei da vida com certeza
Dos lugares onde andei
Não levei muitas riquezas

Só carrego aqui comigo

E um brinco de princesa
Não é de ouro nem prata
Pois ganhei da natureza

Peço ajuda a minha gente
Ao santo que me proteja
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Pedras

Será que as pedras choram?
Ou será que não choram não?
Esquecidas, desprezadas
Vivem presas aqui no chão

Sempre em silêncio profundo
Eterna meditação

Às vezes são alicerce
De uma grande construção.
Às vezes viram estátua
De um famoso cidadão

Eu só não tenho certeza
Se as pedras choram ou não.
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Sobre a Autora

Escritora e poeta, Nilza escreveu o livro “Sete Filhos de Maria”, onde conta a história de sua mãe e dos sete irmãos. Incentivou a neta Larissa Vendrami que hoje escreve poesias e dará continuidade ao livro de contos que a avó não terminou de escrever.

Escritora e poeta, Nilza Vendrami escreveu com muito carinho o livro de poesias 'Sete Filhos de Maria', onde conta a história de sua mãe e dos seus sete irmãos. Com sua história de vida encantou a todos e deixou na lembrança, das pessoas que tiveram a oportunidade de conhecê-la, a força de vontade e o carinho em suas palavras escritas. Tinha adoração pela sua neta Larissa Vendrami, que com o incentivo da avó, começou a escrever e seguir os seus passos.

Larissa é um orgulho para todos, aos 12 anos já é escritora, teve os seus primeiros escritos publicados na antologia Rodamundinho 2008 e pretende ir muito longe na carreira de escritora. Como a avó, ela pretende escrever o seu próprio livro e no momento declara que está continuando um livro de contos que Nilza, por força maior, não terminou de escrever. Larissa quer realizar o sonho da avó e ver mais esse livro publicado e relata que é um orgulho para ela finalizar a história que a avó iniciou.

Nilza Florentina Vendrami faleceu aos 59 anos no dia 27 de novembro de 2008.

Fontes:
http://sorocult.com
Cintian Moraes. in
http://sorocaba.com.br/acontece

Um comentário:

Helena Passini disse...

Nilza, minha amiga de todas as horas, voce conseguiu escrever direitinho a tua passagem aqui na terra.
A saudade vai ser eterna.

Até algum dia amiga.


Maria Helena Mathilde passini.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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